A VOLTA DO BOATO

 

Infelizmente volta a circular pela internet um BOATO envolvendo o nome do Dep. Jutahy Júnior (Líder do PSDB). Ele surgiu há dois anos, em maio de 2000, mencionando que o deputado seria autor de um projeto de lei que legaliza a corrupção.

Claro que é mentira. O deputado é contra qualquer ato de corrupção e nunca apresentou projeto de lei em contrário. Usaram o nome do jornalista Franklin Martins (O GLOBO) como autor da nota. Outra mentira!

O próprio Franklin desmentiu na revista Veja de 31.5.2000 p.32.http://veja.abril.com.br/310500/veja_online.html, e ratificou em nota divulgada dia 29.9.2000.

Segue abaixo a matéria completa da revista Veja, inclusive o desmentido feito pelo "verdadeiro" Franklin Martins.

Veja, também, matéria do jornal O Globo de 12.10.2003, do Jornalista Merval Pereira sobre este e tantos outros "BOATOS CIBERNÉTICOS".

 

Você já sabe da última?

A internet presta-se ao papel de boateira como nenhum outro meio de comunicação. O último boato usa o nome do jornalista Franklin Martins para atingir o deputado Jutahy Magalhães Junior, do PSDB da Bahia. Uma mensagem repetida em forma de corrente pelos internautas (inclusive nos fóruns de VEJA on-line) diz que o Congresso teria aprovado uma lei de autoria de Jutahy que proíbe investigar denúncias de corrupção contra o presidente da República, os governadores e outras autoridades. Martins aparece como autor da mensagem. É tudo boato. O que está em discussão é um projeto que transfere para a segunda instância da Justiça o início dos processos contra políticos denunciados por corrupção. O que dizem os envolvidos:

"Foi uma maluquice que se espalhou com uma ferocidade extraordinária."
Jutahy Magalhães Junior

dep.jutahyjunior@camara.gov.br

"A internet abre a possibilidade de veiculação de muita bobagem, mas o episódio não passou de um trote."
Franklin Martins
franklinm@tba.com.br

NOTA DO JORNALISTA FRANKLIN MARTINS

É boato. Não existe o projeto que oficializa a corrupção

Quando inventaram o telefone, surgiu o trote. Quando inventaram a internet, o trote passou a poder ser multiplicado um milhão de vezes. Foi isso que se deu nesse episódio: jamais escrevi o comentário que me foi atribuído, mas o texto foi passado adiante como se fosse de minha autoria. Má fé? Provavelmente não. Apenas há muita gente com o dedo mais rápido no gatilho. Lição do episódio; nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que canta de madrugada é galo, nem tudo que está assinado na rede merece crédito. Cada um deve ser responsável pelo que dissemina. E vamos em frente. Apesar dos trotes, o telefone vale a pena. A internet também.

Jornalista Franklin Martins

28.09.2000

Jornal O GLOBO

Domingo, 12 de outubro de 2003, pág. 4

Jornalista Merval Pereira

Boatos cibernéticos

Todos, ou quase todos que usam a internet com freqüência, já estão acostumados com os hoaxes (boatos) que nela circulam com a desenvoltura que só um meio tão livre de controles pode ter. Essa característica transforma a internet, uma ferramenta de pesquisa insuperável, também no maior instrumento propagador de boatos em nível planetário.
E não são apenas as "lendas urbanas" que se espalham pela rede, como aquela história do sujeito que acorda em uma banheira cheia de gelo e descobre que, depois de uma noitada de farra, lhe roubaram um rim.
Ou os textos literários atribuídos a Gabriel García Márquez (quem não se lembra do suposto texto de despedida atribuído a ele?), ou ao Veríssimo, ao Jabor, ou ao Zuenir.
Existem circulando pela rede inúmeros boatos políticos, teorias conspiratórias rocambolescas e até mesmo previsões de Nostradamus a respeito da chegada de Lula ao poder.
Há uma mensagem circulando pela internet que pretende provar que a derrubada das torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, foi obra dos próprios americanos.
Aponta algumas "evidências", tais como: os atentados aconteceram antes das 9h, hora local, quando a maioria dos funcionários nem tinha chegado ainda, já que nos EUA a hora de trabalho começa por volta das 10h. (O que não é verdade, já que o trabalho lá normalmente obedece ao horário das 9h às 17h).
Há uma outra "evidência" listada que não explica nada, embora pareça importante. Como as datas, em inglês, são escritas com o mês na frente do dia, o 11/9 é escrito como 9/11. Este número coincide com o número 911, o número de telefone para chamadas de emergência nos Estados Unidos. O que isso quereria dizer exatamente, não está explicado na mensagem.
A última teoria diz respeito à área das torres que, segundo a mensagem, "desde há muitos anos já era deficitária economicamente". Pois não apenas derrubaram as duas torres com uma implosão, garante a mensagem anônima, como também o terceiro prédio da área que "simplesmente estava atrapalhando a área física do terreno das torres". Portanto, tudo não teria passado de um grande golpe imobiliário.
Outra denúncia "gravíssima" que circula na internet é quanto à cobiça norte-americana em relação à Amazônia. Uma mensagem reproduz a página de um livro didático, com um mapa da América do Sul onde aparece a região amazônica desligada do Brasil, descrita como área sob a responsabilidade dos Estados Unidos.
"É só conferir na página 76 do livro didático norte-americano ‘Introdução à geografia’, do autor David Norman, utilizado na Junior High School", afirma a mensagem.
Uma rápida busca no Google, ou no site da Amazon, a maior livraria virtual do planeta, e encontramos dezenas de David Norman: cientistas, técnicos de futebol, artistas, escritores. Mas não é possível descobrir essa "Introdução à geografia", título tão comum quanto o nome de seu autor. E nunca ninguém conseguiu colocar a mão num exemplar desses.
O comentarista político Franklin Martins, da TV Globo e da CBN, pena há anos com um artigo que circula na rede atribuindo a ele críticas severíssimas ao deputado federal Jutahy Junior, líder do PSDB, que estaria tentando aprovar um projeto para impedir o Ministério Público de investigar o Executivo.
O texto parece um panfleto que teria sido lido por Franklin na CBN, onde ele conclama seus leitores a espalhar a acusação por toda a rede "para acabar com mais essa maracutaia". Nem Franklin escreveu isso, nem Jutahy propôs tal lei.
O mais recente boato a circular na internet dá conta de que foram encontrados em escavações em Dublin, na Irlanda, vários manuscritos de ninguém menos que Nostradamus. E sobre quem já falava ele? Sobre a chegada de Lula ao poder. Vejam esse trecho:
..."e o próximo do terceiro ano do terceiro milênio uma besta barbuda descerá triunfante sobre um condado do hemisfério sul espalhando a desgraça e a miséria. Será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos. Trará com ele uma horda que dominará e exterminará as aves bicudas de bem e implantará a barbárie por muitas datas sobre um povo tolo e leviano"...
E a mensagem diz que quem quiser conferir a veracidade pode consultar o livro: "Visão das trevas, grandes catástrofes da Humanidade", página 102, da Editora Record.
Pois bem: pedi a minha amiga Cecília Costa, editora do Prosa & Verso, para checar, e ela achou 11 títulos com a palavra "visão" no catálogo da editora, e nenhum deles é de Nostradamus. E nenhuma nova descoberta de seus escritos foi feita em Dublin recentemente. Se fosse verdade, pelo texto Nostradamus seria um tucano empedernido.
Para quem se interessar por esses hoaxes na internet, o site www.e-farsas.com tem uma boa coleção deles.
E o pessoal do Informáticaetc sugere os seguintes sites internacionais: para informações sobre a origem das lendas urbanas, vale ir até o Urban Legends Reference Pages e o Urban Legends Archive . Já o Ring of Folklore & Urban Legends oferece uma abrangente lista de sites sobre hoaxes.