Brasília, quarta-feira, 29 de novembro de 2006 - Ano 8 Nº 1744

Geral
Paes Landim defende criação de novo parque ecológico no Piauí


Criar parques nacionais é uma forma de preservar essas áreas e garantir que no futuro as próximas gerações possam estudá-las e entendê-las melhor, na avaliação do deputado Paes Landim (PTB-PI), que defendeu em Plenário a criação de mais um parque nacional no Piauí, o da Serra Vermelha. De acordo com o deputado, o Piauí é o estado brasileiro com o maior número de unidades de conservação da natureza. São quatro parques nacionais: Serra da Capivara, Serra das Confusões, Sete Cidades e Nascentes do Parnaíba, além da Estação Ecológica de Uruçuí-Una e de várias áreas de preservação permanente e de pequenas reservas estaduais e municipais.
Tais unidades, no entanto, não são suficientes, na opinião do deputado. “É pouco porque somos diferentes, temos ambientes únicos, fauna e flora exclusivos, estamos numa grande fronteira geológica entre a planície do São Francisco e a bacia sedimentar do Parnaíba, e o mais importante, temos muito ainda que estudar, descobrir”, sentenciou.
Segundo Paes Landim, o novo parque ficaria na Serra do Bom Jesus de Gurguéia, uma extensa cadeia de formações rochosas que se espalha pelo sul e chega até o sudeste piauiense. “A Serra Vermelha é extremamente importante do ponto de vista natural e arqueológico”, defendeu o parlamentar. Segundo ele, as chapadas locais abrigam nascentes de afluentes importantes do rio Gurguéia, além de sítios com pinturas e gravuras desconhecidas pela ciência.
A região se destaca ainda, explicou, por abrigar uma floresta selvagem, com inúmeras espécies vegetais e animais praticamente extintas do semi-árido brasileiro. “Acredita-se ainda que a mata selvagem exerça um importante papel na regulação do clima da região, o que torna a criação do parque ainda mais importante e urgente”, disse.
Na avaliação do deputado, a conservação da natureza pode trazer benefícios econômicos para o Brasil, pois atualmente os países mais ricos do planeta estudam diferentes mecanismos de pagar subsídios a quem preserva suas áreas naturais. Segundo Paes Landim, as políticas dos últimos anos refletem o apoio governamental e o interesse da iniciativa privada em transformar grande parte das áreas naturais em projetos “ditos produtivos, geralmente, monoculturas de soja, milho, algodão, arroz e outros grãos”.
Paes Landim destacou que há alguns anos não se preservava o cerrado por ele ser considerado um “bioma pobre”, e hoje sabe-se que essa área tem a mais rica biodiversidade do mundo. Segundo o deputado, dados da organização Conservation International demonstram que a vegetação da caatinga é bastante diversificada por incluir também vários outros ambientes associados. “Somente de caatingas são reconhecidas 12 tipologias diferentes. Pelo menos 932 espécies foram registradas na região, sendo 318 delas endêmicas, espécies que só existem na caatinga. E a caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro”, disse Paes Landim.




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