Confira abaixo as perguntas respondidas pelo deputado Luiz
Carlos Hauly (PSDB-PR), relator da comissão especial que
analisa o projeto de lei que altera o Estatuto das Micro e Pequenas
Empresas. Para facilitar o entendimento, o bate-papo foi dividido
em seis partes: pré-empresa e estatuto, questões
trabalhistas, questões previdenciárias, questões
tributárias, desburocratização e tramitação.
Pré-empresa e estatuto
(15:03) Fernanda: Boa tarde. O Estatuto das Micro e Pequenas
Empresas é o mesmo projeto chamado de lei da pré-empresa?
Em caso positivo, por quê?
(15:06) Dep. Hauly: Fernanda, são dois projetos. O projeto
de lei da pré-empresa é o 210/04, de autoria do
Poder Executivo, e está apensado ao PLP 123, do deputado
Jutahy Junior. A lei geral da microempresa vai ser inserida no
meu relatório.
(15:06) Fernanda: Quais serão os verdadeiramente beneficiados:
os pequenos empresários, que já têm altos
encargos, ou as pessoas que têm pequenos empreendimentos
mas estão na informalidade?
(15:10) dep Hauly: Fernanda, a informalidade é um dos
pontos muito discutidos neste momento. Refiro-me aos ricos debates
que estamos tendo no âmbito da comissão especial
na Câmara dos Deputados. Iremos contribuir para ampliar
o número de empreendedores em nosso país, reduziremos
em muito a burocracia e os gargalos jurídico-institucionais
que hoje atrapalham os brasileiros. Em relação aos
pequenos empresários, sou um dos entusiastas da Frente
Parlamentar da Micro e Pequena Empresa. Portanto, faremos tudo
ao nosso alcance para que eles obtenham mais benefícios
creditícios, fiscais e acesso ao setor de compra estatal.
Só assim poderemos construir um país empreendedor
e socialmente mais justo.
(15:13) J. Tarcísio CONEMPEC: R$ 36 mil anuais é
um valor muito pequeno para a microempresa se formalizar. Esse
parâmetro deveria ser de pelo menos R$ 60 mil por ano. Será
que não é possível uma emenda alterando este
valor?
(15:16) Dep Hauly: J.Tarcísio, a nossa idéia é
fazer um projeto só integrando a pré-empresa, cujo
limite é R$ 36 mil, à lei geral, numa escala gradativa,
aumentando os esses valores.
(15:15) Júnior: Além dos mais de 9 milhões
de empresas informais, existe ainda a cultura, no meio comercial,
de que quem paga imposto no Brasil não sobrevive. Como
mudar essa cultura?
(15:17) Dep. Hauly: Júnior, exatamente para derrubar a
cultura de quem não paga imposto sobrevive é que
vamos criar um regime jurídico único para a pré,
a micro e a pequena empresa, com tratamento especial.
(15:39) Tavares: Deputado, o sr. considera que a aprovação
do projeto da pré-empresa abre caminho para a Lei Geral
das Micro e Pequenas Empresas? Por quê?
(15:41) Dep. Hauly: Tavares, nós faremos um projeto substitutivo
englobando o projeto da pré-empresa e o da lei geral. Portanto,
teremos uma única luta.
(16:00) dinad: Qual a diferença do projeto da pré-empresa
para o Estatuto da Microempresa?
(16:08) dep Hauly: Dinad, pré-empresa são todas
aquelas pessoas físicas ou associações familiares
com faturamento de até R$ 36 mil ao ano ou R$ 3 mil por
mês. São pequenas unidades que gostaríamos
de vê-las transformando-se em pequenas empresas com todo
o respeito que nós devemos ter pelos empreendedores e empreendedoras.
Já o estatuto servirá para definirmos faixas de
faturamento condizentes para a nossa realidade. Desejo e trabalharei
para que todos obedeçam a uma legislação
uniforme de pré-empresa a pequena empresa, possibilitando
geração de emprego e riquezas para as comunidades
de nosso extenso Brasil.
(16:00) Tavares: Deputado, a partir de que valor o sr. pretende
aumentar o teto da receita bruta anual dos empreendedores atendidos
pelo projeto da pré-empresa?
(16:05) Dep. Hauly: Tavares, o PL 210 propõe teto de R$
36 mil anuais. Há uma série de sugestões
para elevar esse teto. Estamos estudando a possibilidade.
(16:05) Cely: É possível ampliar o patamar do faturamento
bruto anual das microempresas para um valor superior a R$ 36 mil?
(16:07) Dep Hauly: Cely, sim, a idéia é fundir
o projeto das pré-empresas que observem esse limite de
R$ 36 mil anuais com o a lei geral da microempresa, de modo a
aumentar esses valores.
(16:14) Micro: Qualquer que seja o patamar do faturamento, o
projeto prevê o reajuste do valor ao longo do tempo? E como
compensar as variações do faturamento da empresa,
em um ano de economia aquecida e outro com atividade em baixa?
Outro problema: depois que o empresário se formalizar e
a empresa progredir, o faturamento vai aumentar e ela terá
de sair do enquadramento da pré-empresa ou então
sonegar seu faturamento. Com isso tudo, o limite muito baixo não
vai gerar uma decepção para os empresários
que tentaram se formalizar?
(16:22) Dep. Hauly: Micro, os tetos das faixas serão reajustados
anualmente com base em um indexidador. Teremos 13 faixas. A da
pré-empresa vai até R$ 36 mil anuais, a da microempresa
até R$ 480 mil anuais e a da pequena empresa até
R$ 3,6 milhões anuais. Repetindo o que já informamos
anteriormente, a base de cálculo será a receita
bruta mensal. A empresa pagará efetivamente a alíquota
correspondente à receita do mês. Portanto, no mês
de sazonalidade baixa, a alíquota também será
mais baixa, aliviando sua necessidade de capital de giro. Diferentemente
do que é o Simples hoje, permanecer em uma faixa, subir
ou descer não causará tanto impacto em função
da escala gradativa com dedutibilidade.
(16:21) Gilson Fernandes: Onde, especificamente, este projeto
injeta ânimo em nossas micro e pequenas empresa? A formação
de gente.
(16:25) dep Hauly: Gilson, vivemos momento similar àquele
quando criamos o Simples. O governo à época era
contra. E eu era líder do governo. Lutei contra a burocracia
e fomos vitoriosos - sociedade e empresários. Agora, a
sociedade quer crescer, desenvolver e acabar com as desigualdades
sociais. O ânimo é esse. Transformar a unidade informal
em centro gerador de empregos e oportunidades. Acredito neste
mérito do projeto, por isso sou seu maior entusiasta.
Questões trabalhistas
(15:11) Fernanda: Qual a perspectiva real de se reduzir a informalidade
a partir da aprovação do estatuto, já que
existem no Brasil mais de 9 milhões de empresas informais,
que ocupam quase 13 milhões de pessoas?
(15:16) dep Hauly: Fernanda, desde a Assembléia Nacional
Constituinte, buscamos dar reforço a iniciativas que facilitem
o acesso dos brasileiros para a geração de empregos.
Isso seria de fato reduzir a informalidade. Os dados são
impressionantes: representam a riqueza de nosso país. O
estatuto é superior ao projeto do governo que trata da
pré-empresa. Nossa expectativa é ampliar, melhorar
e aperfeiçoar toda a legislação já
neste momento. Conto com seu entusiasmo e sugestões ao
e-mail microempresa@camara.gov.br. Em relação ao
e-mail da comissão, foi sugerido terezinha.donati@camara.gov.br
(15:17) Fernanda: Mais de 80% das pessoas que estão na
informalidade trabalham por conta própria e em casa, empregando
no máximo mais uma pessoa da família. Que incentivos
de crédito teriam essas pessoas?
(15:20) Dep Hauly: Fernanda, não há previsão
de incentivo de crédito, no projeto original. Mas a questão
tem sido alvo de debates nas audiências públicas
que têm sido realizadas na Câmara dos Deputados e
futuramente nos estados. O objetivo principal é a inserção
na formalidade das pessoas que hoje estão na informalidade.
(15:29) Fernanda: Que garantias as empresas informais terão,
ao passarem para a formalidade, de que as regras não serão
mudadas em pouco tempo depois que elas já tiverem contraído
dívidas ou assumido compromissos trabalhistas?
(15:35) dep Hauly: Fernanda, ao estabelecermos regras duradouras
(e esperamos que sejam as mais longas de nossa vida republicana),
queremos demonstrar ao empreendedor que a formalidade lhe garante
acesso a crédito e também a garantias previdenciárias
para seus parceiros. Devemos confiar nos propósitos que
a sociedade exige, que são liberdade e garantias de que
seu empreendimento será respeitado. A informalidade pode
ser ágil, mas não garante que o pequeno empreendedor
torne-se o pequeno empresário que tanto esperamos. É
uma cadeia que esperamos contribuir para a sua formatação.
(15:57) Fernanda: Há alguma perspectiva de geração
de novos postos de trabalho com a aprovação da lei
complementar?
(16:02) dep Hauly: Fernanda, não iremos precipitar qualquer
dado. Pois você bem viu que os dados variam de 10 a 14 milhões
de empresas. O presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, afirmou na
última audiência pública, nesta última
quarta-feira, que seriam 12,5 milhões de empregos informais.
Nossa estimativa seria uma possível criação
de 3 milhões de novos empregos. Seria como se crescêssemos
o equivalente a meio Paraguai só com estímulo legal.
(15:59) Cely: O depósito para o FGTS previsto para os
empregados em geral é de 8% do salário percebido.
O tratamento especial concedido às microempresas por intermédio
desta lei reduz esse percentual para 0,5%, desde que com a expressa
concordância do empregado. Não é de se esperar
que, no momento de crise de emprego vivenciado no País,
essa anuência se transforme em obrigatoriedade, ou seja,
somente será contratado o empregado que concorde com a
redução do depósito para o FGTS?
(16:03) Dep Hauly: Cely, a idéia central do projeto é
trazer para a formalidade empregados que hoje não gozam
de nenhum benefício trabalhista ou previdenciário.
Pode-se estudar mecanismos de proteção ao trabalhador
de forma que esse percentual reduzido não acabe por excluir
direitos constitucionalmente assegurados aos trabalhadores.
(16:06) Fernanda: Não se estaria criando uma discriminação
com a lei complementar, instituindo-se uma espécie de "trabalhador
de segunda categoria", que teria menos direitos trabalhistas
do que um trabalhador equivalente que não se submeta ao
novo regime?
(16:10) Dep. Hauly: Fernanda, temos 12,5 milhões de trabalhadores
enquadráveis na pré-empresa, sendo que 95% estão
na informalidade. O objetivo central é trazê-los
para a formalidade através de um regime especial e estimulá-los
a crescerem e prosperarem.
(16:17) ronaldo: Os condomínios residenciais com aporte
de até R$ 3.000 por mês poderão também
se beneficiar da redução de alíquota do FGTS
dos seus empregados, ou seja de 8 para ,5 %?
(16:20) dep Hauly: Ronaldo, anteriormente respondi ao Paulo uma
pergunta similar. Lá informei: "entendo que, se estabelecermos
a regra para condomínios poderem constituir-se em pessoas
jurídicas, não vemos óbice para isso. A sua
idéia vem em boa hora, pois poderemos ampliar o debate
para o SECOVI e outros prestadores de serviços. Obrigado."
Acredito que podemos sim incorporar a idéia de vocês
se for benéfico para todos. Continuaremos debatendo. Conto
com suas sugestões.
Questões previdenciárias
(15:33) rocha: Como deverá ser a contribuição
para a Previdência do microempresário?
(15:36) Dep Hauly: Rocha, a idéia básica será
a cobrança mensal da microempresa de 1,5% de contribuição
para a seguridade social.
(15:37) rocha: Os empregados vão ter a garantia da aposentadoria?
Como será a contribuição para a Previdência?
(15:41) Dep Hauly: Rocha, o projeto visa a reduzir a contribuição
previdenciária da empresa. Os requisitos a serem cumpridos
pelo trabalhador serão os mesmos atualmente vigentes em
relação à idade e anos de contribuição.
Cabe observar que o objetivo é a redução
da carga tributária e da burocracia de 98% das empresas
nacionais.
Questões tributárias
(15:10) Andréa Haddad: Há uma projeção
de quanto, mais ou menos, uma pequena empresa economizará
com a vigência da nova lei?
(15:14) Dep. Hauly: Andréa Haddad, com a vigência
da nova lei, todas as categorias serão beneficiadas. Ainda
não temos um cálculo de quanto vai beneficiar cada
segmento. Aguardamos a colaboração das entidades
para nos pronunciar.
(15:17) Adriano: Caro Dep. Hauly, há uma preocupação
também com a questão de se fazer uma gradação
entre as microempresas e aquelas que deixarem de ser enquadradas
como tal, de modo a que a passagem para o lucro presumido também
seja "suave"?
(15:20) Dep. Hauly: Adriano, sobre a gradação,
a base de cálculo será a receita bruta mensal. A
empresa pagará efetivamente a alíquota correspondente
à receita do mês. Portanto, no mês de sazonalidade
baixa, a alíquota também será baixa, aliviando
sua necessidade de capital de giro. Informo também que,
de uma faixa para outra, haverá um sistema de transposição,
para que não seja tão ruim você ascender de
faixa e não seja tão bom cair.
(15:18) dina: Qual a carga tributária atual do pequeno
empresário, tributo por tributo?
(15:26) dep Hauly: Dina, temos hoje três mil normas tributárias
em vigor. Sejam na Constituição Federal, lei complementar,
leis ordinárias, MPs, decretos-leis, decretos, portarias,
etc. São 49 tributos para as empresas. Evidentemente que
os micro e pequenos empresários possuem tratamentos diferenciados
também por estado ou municípios, o que faz necessário
a criação da agenda positiva através do Estatuto
das Micro e Pequenas Empresas.
(15:23) Júnior: Deputado, que motivação
tem o micro empresário em pagar impostos, por menor que
seja a alíquota, quando ele visualiza na frente que o dinheiro
não vai ser empregado em projetos sociais e sim podendo
ser transferido para partidos políticos (ilegalmente)?
Estamos passando por isso hoje. O momento político atual
não favorece este pensamento?
(15:28) dep Hauly: Júnior, não é por aí.
O País é maior que qualquer crise ou problemas.
De ordem moral, devemos combater tanto o corrupto como o corruptor.
Vamos aperfeiçoar a legislação, nossos sistemas
de controle e também expurgar os maus administradores e
políticos da vida pública. É um processo
contínuo e merece nossa total atenção.
(15:23) Pequeno_empresario: Hoje as microempresas pagam impostos
antes mesmo de abrirem as portas de seu estabelecimento, com escritório
contábil, junta comercial etc... o que devemos é
desonerar o máximo possível as microempresas.
(15:26) Dep Hauly: Paulo, sem dúvida, a minha idéia,
quando da elaboração do relatório final,
é seguir a sua linha de raciocínio e reduzir a carga
tributária e a burocracia de 98% das empresas nacionais.
(15:33) Pequeno_empresario: Sr. Dep. Hauly, esta sua iniciativa
de reduzir a carga tributaria é importantíssima
para nós, pequenos empresários, e espero que tenha
sucesso.
(15:35) Dep. Hauly: Pequeno empresário, o ideal seria
uma reforma tributária que fizesse uma simplificação
radical no sistema tributário brasileiro, diminuindo o
número de impostos e a carga geral. Como não conseguimos
isso, esse projeto passa a ser a grande esperança de conseguirmos
a tão sonhada reforma tributária pelo caminho inverso.
(15:36) J. Tarcísio: A proposta de Lei Geral unifica o
cadastro e também a arrecadação dos impostos.
Algum estado já se manifestou favorável ou contrário
à unificação da arrecadação.
Se aconteceu, qual o estado?
(15:39) Dep. Hauly: J. Tarcísio, só tivemos uma
audiência pública com o secretário da Fazenda
da Bahia, que é o presidente do Confaz, Dr. Mascarenhas,
que se comprometeu a iniciar o debate com os demais estados. Não
temos nenhuma adesão ainda. Tenho na manga alguns trunfos
para oferecer aos estados que aderirem.
(15:42) dinad: Mas qual é a carga atual do microempresário,
percentualmente? Essa foi minha pergunta.
(15:47) dep Hauly: Dinad, primeiro iniciamos com 2.481.193 empresas
optantes do Simples em 1998. Em 2004, estamos com 4.273.379 empresas
em todo o Brasil. Os impostos a serem pagos mensalmente, como
se fossem na prática um só, são: IRPJ, PIS/Pasep,
CSLL, cofins, IPI, INSS da pessoa jurídica, ICMS, ISS.
Isso no supersimples, pois no regime especial teríamos
IOF, II, IR em aplicações de renda fixa ou variável,
ITR, CPMF, FGTS, INSS do empregado, INSS do empresário
como contribuinte individual, PIS/Pasep cofins e IPI sobre importação,
imposto sobre exportação, ICMS devido, ISS devido
e demais tributos da União, estados e municípios,
além das taxas.
(15:47) Micro: A comissão estuda incluir outros setores
no Simples? Por que o governo veta a inclusão de segmentos
que têm grande maioria de pequenas empresas e muita informalidade,
como a construção civil???
(15:51) Dep. Hauly: Micro, o projeto substitutivo vai englobar
todas as categorias (indústria, comércio, serviços
e agricultura). Você pode acessar a página do Sebrae
para ver o anteprojeto e o PL 210 está disponível
no site da Câmara.
(15:50) Fernanda: Existe alguma possibilidade de estimar-se qual
será a abrangência da lei complementar, em outras
palavras, há uma estimativa do número de microempresas
que poderão beneficiar-se com este novo regime tributário?
O valor do teto de receita bruta anual previsto de R$ 36 mil permitirá
o atendimento de um número substancial de microempresas?
(15:57) dep Hauly: Fernanda, o governo estima que os dados sobre
os negócios sem registros são tão imprecisos
quanto a informalidade. Em 1997, o IBGE computava 9,7 milhões
em atividades informais. Mais recentemente, consultores privados
estimaram em 14 milhões desses empreendimentos, o que representaria
quase 2/3 dos negócios totais. O presidente da CNI afirmou
que seriam mais de 10 milhões de empreendimentos informais.
Calculo que a lei pode abarcar 98% das empresas numa simplificação
tributária muito importante e que ampliará nosso
crescimento econômico.
(16:25) ronaldo: Senhor deputado, aí vem a ampliação
do IR. Os profissionais liberais que têm empregados, as
associações seriam também contemplados com
benefícios de redução?
(16:31) Dep. Hauly: Ronaldo, é possível o enquadramento
na lei geral da micro e pequena empresa com faturamento até
R$ 3,6 milhões por ano, sendo que, como prestador de serviços
profissionais, a base de cálculo será acrescida
em 60% para incidir a alíquota única.
Desburocratização
(15:10) Paulo: Os microempresários, que são amparados
com a lei que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos
e Contribuições das Microempresas e das Empresas
de pequeno Porte - SIMPLES - deveriam ser beneficiados pelas empresas
de telefonia e passar a receber tratamento diferenciado, pois
usam a linha telefônica quase que da mesma forma que um
usuário doméstico. E, na lei de telecomunicações,
não há diferença entre assinantes. Não
deveríamos pagar por uma assinatura não-residencial,
que é mais cara embora a tecnologia seja a mesma?
(15:14) Dep Hauly: Paulo, em princípio, não há
nenhuma previsão para um tratamento diferenciado, pois
a questão aborda pessoas físicas e pessoas jurídicas.
Além disso, essa matéria é tratada, como
você bem ressaltou, na lei de telecomunicações.
Mas poderemos estudar o assunto, pois o objetivo principal é
reduzir a carga tributária e da burocracia de 98% das empresas
nacionais.
(15:18) Paulo: Voltando à questão da assinatura
telefônica: a lei de telecomunicações não
faz essa separação entre residencial e não-residencial
e muitos microempresários não usam o nome da empresa
para não pagar um valor bem maior pela assinatura. Assim,
nossos nomes não são figurados nas listas telefônicas
nos ramos de atividades que exercemos.
(15:22) Dep Hauly: Bem, Paulo, o objeto do PLP 210/04 é
trazer para a formalidade as empresas informais, com redução
de tributos. Assim, as empresas serão beneficiadas com
tratamento tributário diferenciado, ainda que o valor da
assinatura básica seja diferenciado.
(15:24) J. Tarcísio CONEMPEC: Há uma preocupação
da maioria dos informais no processo de cadastramento em relação
aos valores hoje cobrados. É possível o cadastro
da pré-empresa não ser registrado na junta comercial,
mas apenas retirada a inscrição estadual com o CPF,
assim simplificando o processo?
(15:30) Dep. Hauly: J. Tarcísio, a pré-empresa
fica dispensada de escrituração comercial desde
que mantenha em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram
a apuração dos impostos e contribuições
devidos e o cumprimento das obrigações acessórias.
A idéia central é utilizar só o CPF para
o cadastro.
(15:26) Adriano: Há alguma preocupação no
projeto com o chamado "cadastro unificado" que a Constituição
previu? Hoje o pequeno empresário precisa procurar a Receita
Federal, estadual, municipal etc.
(15:31) Dep Hauly: Adriano, sim. A idéia é disponibilizar
a microempresa um sistema simplificado de apuração
de impostos e contribuições e, ao mesmo tempo, dispensá-la
da escrituração comercial, desde guarde os documentos
comprobatórios necessários.
(15:27) Júnior: O PLP 210/04 vai desburocratizar a abertura
e o fechamento de micro e pequenas empresas. O que ele prevê
neste sentido?
(15:33) Dep. Hauly: Júnior, o PLP 210/04 estabelece que
a inscrição e a baixa serão o mais simples
possível, em um único lugar para fazer a inscrição.
(15:32) Paulo: Se a idéia central é utilizar só
o CPF para o cadastro, então as empresas de telefonia não
vão mais cobrar assinatura não-residencial. Elas
alegam que nos cobram diferente pelo fato de termos CNPJ. Muito
bom.
(15:34) Dep Hauly: Paulo, está em estudo realmente a utilização
do CPF, mas não há nenhuma definição
sobre esse assunto, sendo alvo de discussão nas audiências
públicas que estão sendo realizadas sobre o tema.
(15:39) Paulo: Os condomínios são também
grandes empregadores, pois precisam de um zelador e três
porteiros no mínimo. Essa lei poderia ser estendida aos
condomínios para simplificar e desburocratizar?
(15:42) dep Hauly: Paulo, entendo que, se estabelecermos a regra
para condomínios poderem constituir-se em pessoas jurídicas,
não vemos óbice para isso. A sua idéia vem
em boa hora, pois poderemos ampliar o debate para o SECOVI e outros
prestadores de serviços. Obrigado.
(15:47) Cely: Boa tarde a todos. Deputado, sou jornalista e gostaria
de saber se é possível a unificação
do cadastro e da fiscalização para as microempresas?
(15:50) Dep Hauly: Cely, boa tarde. A idéia é disponibilizar
um sistema simplificado de apuração de impostos
e dispensa da escrituração comercial. Por conseqüência,
haverá uma integração do setor de fiscalização,
pois será criado um comitê gestor para tratar dessa
matéria.
(15:47) Paulo: Os condomínios precisam ser cadastrados
na Receita e têm CNPJ. Mas a burocracia para pagamento de
funcionários é a mesma de uma empresa. E as pessoas
que moram em condomínios querem algo mais simplificado.
Vou pedir ao SECOVI-CE que faça uma reunião para
nos mostrar se essa lei de microempresa poderia ser mais vantajosa
para os condomínios.
(15:54) Dep. Hauly: Paulo, o presidente do Sebrae nacional, Paulo
Okamoto, colocou à disposição todos os Sebraes
estaduais para fornecerem informações e esclarecimentos.
Creio que a adesão dos condomínios será benéfica.
Caso contrário, me informe.
(15:57) Jean Ribeiro S: Deputado, proponho uma consolidação
no envio de informações à Previdência,
CEF, Receita Federal e Ministério do Trabalho, tendo como
objetivo a desburocratização de obrigações
corriqueiras e acessórias como: FGTS, INSS, IRRF, DIRF
e RAIS, alimentando os sistemas do governo mês a mês
através do aplicativo SEFIP, e o valores devidos, seriam
repassados aos cofres públicos também de forma consolidada
na GFIP em uma data a ser definida.
(16:03) Dep. Hauly: Jean Ribeiro, a lei geral da micro e pequena
empresa tem esse objetivo. Vamos ter uma unificação
dos procedimentos de inscrição, baixa e alterações
cadastrais, um documento único de arrecadação,
uma única fiscalização, um único processo
administrativo fiscal, expansão compulsória para
estados e municípios, inclusão de todos os setores
com diferenciação de alíquota, manutenção
da isenção em relação às contribuições
para fiscais, eliminação de pagamento de taxas.
Portanto, é uma simplificação radical.
Tramitação
(15:15) Inalda: O atual momento político prejudicará
a tramitação do projeto?
(15:19) dep Hauly: Inalda, de forma alguma. O País não
pode parar. Estamos entre as dez maiores economias do mundo e
temos o segundo parque industrial das Américas. Cabe a
nós, politicamente responsáveis, criar a agenda
positiva no Brasil. Não há momento mais importante
do que a todo momento criarmos as condições de obtermos
a chancela de um país no primeiro mundo. Estabilidade política
é uma das qualidades.
(15:19) J. Tarcísio CONEMPEC: Deputado, há uma
preocupação das entidades de microempresa, bem como
dos microempresários, de que seja votado ainda este ano
a Lei Geral? Os últimos acontecimentos não vão
atrapalhar essa votação? As microempresas estão
agonizando por não ter reajustado os limites do Simples
federal.
(15:26) Dep. Hauly: J.Tarcísio, estamos trabalhando em
três frentes. O deputado Silvio Torres é relator
de 29 projetos de lei ordinária que pretendem elevar os
valores das faixas do Simples atual e ampliar o número
de categorias e serviços. O relatório já
está pronto para ser votado na Comissão de Finanças.
Nas medidas provisórias que tratam de legislação
tributária, especialmente a 252/05, temos emendas que propõem
a ampliação das faixas e do número de categorias.
E na grande frente da comissão especial, há a certeza
de que a lei geral da micro e pequena empresa e da pré-empresa
será a grande agenda positiva do Congresso Nacional e do
governo no ano corrente.
(15:42) J. Tarcísio CONEMPEC: Quando entregamos o projeto
da Lei Geral ao presidente Lula, ele determinou ao ministro Palocci
um estudo mais detalhado e que desse prioridade. V. Exe. já
recebeu alguma contribuição do governo favorável
à aprovação da referida Lei?
(15:44) Dep. Hauly: J. Tarcísio, não recebemos
nenhuma contribuição ainda do governo, até
porque o roteiro aprovado pela comissão especial prevê
audiência com o ministro Palocci para o final do mês
de agosto, quando esta relatoria e a comissão estarão
mais capacitadas a negociar com o governo.
(16:07) J. Tarcísio CONEMPEC: Queremos colocar a vossa
disposição e da comissão a CONEMPEC todas
as federações de microempresas filiadas em 25 estados
para contribuir com vossas excelências na aprovação
da lei geral. E gostaríamos de participar da audiência
com o ministro Palocci. Agradecemos pela sua dedicação
a causa das microempresas brasileiras.
(16:13) dep Hauly: Tarcísio, muito obrigado por sua contribuição
e também de sua equipe, pois contamos sempre com o apoio
das associações de microempresas por todo o Brasil.
Sou entusiasta desta organização, pois quando fui
secretário da Fazenda do Paraná apoiei todas as
iniciativas que contribuíram para o fortalecimento das
MPEs no Brasil. No Paraná, tenho grandes interlocutores
e amigos, destacando Valter Orsi, em Londrina, e Ercílio
Santinoni, de Maringá, além do Hélio Cadore,
do Sebrae Paraná.
(16:11) Tavares: Quando o sr. deverá apresentar seu relatório
e qual a previsão de encerramento dos trabalhos da Comissão?
(16:13) Dep Hauly: Tavares, em meados de setembro é a
previsão inicial, após a realização
de audiências públicas nos estados, para que a sociedade
participe ativamente da elaboração desse projeto.
(16:18) Tavares: Deputado, o sr. acredita que dá tempo
de o Congresso aprovar o projeto até o final de 2005?
(16:21) Dep Hauly: Tavares, sim, a idéia é, após
uma ampla consulta à sociedade, para ser co-parceira da
elaboração desse projeto, submetê-lo ao Congresso
Nacional de forma que a redução da carga tributária
e da burocracia para 98% das empresas nacionais seja implementada
o mais breve possível, se convertendo como uma conquista
da sociedade.
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