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Veja abaixo as perguntas que foram respondidas pelo relator da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea, deputado
Marco Maia (PT-RS). O bate-papo está dividido em seis blocos
temáticos: crise aérea, acidente com o avião
da Gol, pilotos norte-americanos, controladores de vôo, Aeronáutica
e CPI.
Crise aérea
(15:03) luana: Essa crise só ganhou a notoriedade que
ganhou porque atingiu a classe média. Se tivesse atingido
os pobres, ninguém estaria falando nisso. O pessoal reclamou
que dormiu nos aeroportos, mas e os milhares de brasileiros que
dormem nas ruas todos os dias?
(15:08) Dep. Marco Maia: Luana, você tem razão quanto
ao tamanho da crise e a quem ela atinge de fato. Mas isso não
diminui a nossa responsabilidade porque, mesmo que se trate de
um setor privilegiado, o sistema de transporte aéreo brasileiro
é importantíssimo para o desenvolvimento e para
o crescimento do País. Portanto, precisamos trabalhá-lo
com a dimensão da sua importância, sempre levando
em consideração que, como você mesma disse,
os temas relacionados aos mais pobres também precisam ser
prioridade.
(15:11) joão: É muita falta de respeito pagar caro
por passagens e esperar horas e horas para embarcar. Por que nós,
consumidores, temos de pagar por uma briga de sindicato? As pessoas
não viajam apenas por viajar. Muita gente viaja para trabalhar,
para ver a família, para fazer tratamento de saúde.
Essa crise não é brincadeira. É a vida do
País que está em jogo. E hoje em dia qualquer pessoa
pode viajar de avião, não só quem tem dinheiro.
(15:30) Dep. Marco Maia: João, você tem razão
na sua afirmação de que os consumidores que pagam
passagem precisam ser respeitados. Um dos temas que iremos tratar
na CPI é exatamente o atendimento aos consumidores nos
aeroportos. Queremos com isso, ao mesmo que tempo que responsabilizar
os envolvidos com a crise, propor sugestões que acabem
com o mau atendimento no sistema aéreo brasileiro.
(15:39) Maria: Sr. deputado, a crise aérea não
é motivada pelo descaso do governo federal de não
ter uma política para as empresas aéreas?
(16:17) Dep. Marco Maia: Maria, este é um dos aspectos
que nós iremos analisar na CPI. Não é prudente,
logo no início, já sairmos dizendo que a culpa é
deste ou daquele. Te diria que as motivações da
crise são muitas e que certamente o governo federal também
tem a sua parcela de responsabilidade. Por outro lado, também
não podemos sempre achar que a culpa é do governo.
Na minha avaliação, nós deveremos abordar
durante a CPI também a participação das empresas
aéreas na crise.
(15:47) marteix: A Anac tem alguma culpa nisto tudo que está
acontecendo??
(16:18) Dep. Marco Maia: Marteix, a Anac também está
sendo ouvida na CPI, mas te diria que ela cumpre muito mais um
papel regulador do que propriamente executor das políticas
do sistema de tráfego aéreo brasileiro. Agora, as
investigações irão dizer se ela está
fiscalizando bem ou não.
(15:51) beto: Um problema como este, que atinge o setor aéreo,
pode surgir de um momento para o outro ou é fruto da falência
do sistema?
(16:21) Dep. Marco Maia: Beto, acredito que o problema do setor
aéreo brasileiro não é de agora. Talvez a
falta de investimentos de longo prazo seja um dos motivadores
dessa crise, mas essa resposta poderei te dar com maior precisão
no fim das investigações. A CPI irá identificar
as causas, apontar os responsáveis e principalmente contribuir
com sugestões para uma política de longo prazo na
superação da crise do setor aéreo.
(15:51) Marcos: O que está sendo investigado sobre a "venda"
da Varig, que até enquanto liderava o mercado não
havia o chamado apagão aéreo. A origem da crise
não está na decisão de retirada desta empresa
brasileira do mercado e na entrega de suas rotas para as concorrentes
e nas rotas internacionais favorecendo as empresas estrangeiras,
configurando-se um crime de lesa pátria?
(16:27) Dep. Marco Maia: Marcos, o caso da venda da Varig não
é diretamente o foco da CPI, mas poderá ter relação,
como você mesmo já identifica. A saída da
Varig do mercado, sem dúvida, aprofundou a crise. Agora
é importante identificar os elementos que levaram a Varig
a sua falência, já que esta é uma empresa
privada. Algumas dúvidas ficam. Qual o papel do Estado
nesta falência? Existia alguma alternativa que não
significasse o investimento de recursos públicos em uma
empresa privada? O que de fato poderia ter sido feito para não
permitir que a Varig chegasse a essa situação? O
que foi feito depois, sem dúvida, será fruto da
investigação desta CPI, inclusive a utilização
dos slots que até então pertenciam à Varig.
(15:53) ControladorDeVoo: Os pilotos são as pessoas mais
indicadas para comprovar as mazelas do sistema denunciadas pelos
controladores, pois eles sofrem na carne as conseqüências
da má gestão da FAB... eles serão ouvidos
tb? Deixo claro que devem ser pilotos de companhias aéreas
de grande porte e que estejam em atividade.
(16:37) Dep. Marco Maia: Caro Controlador de Voo, até
o exato momento não foi apresentado requerimento solicitando
depoimento de pilotos das companhias aéreas. Se os deputados
integrantes da comissão avaliarem a necessidade de serem
ouvidos pilotos das companhias aéreas, os mesmos serão
convidados.
(16:05) calunga: Qual a proposta que o Sr. defende para a melhoria
do tráfego aéreo de curto a longo prazo?
(16:52) Dep. Marco Maia: Calunga, nós estamos trabalhando
primeiro na investigação das causas que levaram
a esta crise no setor aéreo. Logo após, a nossa
intenção é produzir um conjunto de sugestões
e propostas que dêem mais segurança aos vôos
no Brasil e que melhorem o atendimento dos usuários do
transporte aéreo nos aeroportos. É claro que nós
teremos que ter medidas de curto, médio e longo prazo,
que passam, inclusive, pelo estabelecimento de um novo marco regulatório
do sistema de transporte aéreo brasileiro. A resposta definitiva
só poderei te dar ao fim dos trabalhos da CPI.
(16:55) ninha: A sociedade precisa ser bem informada e isso é
um papel da mídia. Tem que ser séria. Não
divulgar só o q interessa a A ou B e distorcerem a verdade
dos fatos. O povo acha q sentar no avião, sair e chegar
no horário é tudo. A gde parte ñ conhece
os bastidores e nem as autoridades tem interesse que saibam. Cadê
a auditoria internacional (imparcial) para passarem 30 dias dento
da torre de Brasília e de outros? Conhecerem de perto como
trabalha um controlador. Q condições de trabalho
e equipamentos q têm p/ trabalhar. São vidas q estão
em risco. Na verdade, o q se divulga é q querem aumento
salarial. O salário é importante, porém,
no momento não é o alvo principal. Bem disse um
juiz hj na TV, ao participar da palestra sobre maior idade p/
penas criminais: "O exemplo q o país dá não
tem moral para modificar nada." Srs. deputados e senadores,
ñ deixem q essa CPI acabe em PIZZA. Investiguem todos os
aeroportos do país a fundo. Tenho certeza q encontraram
os motivos q levaram a colisão.
(16:56) Jose Marcos: Um problema é que a Infraero se preocupa
mais com os aeroshoppings do que com a infra-estrutura aeroportuária...
O senhor deveria procurar a história dos VORs (equipamento
de navegação por instrumentos) da terminal SP. Tem
cinco lá, três estão inoperantes e já
fizeram aniversário de anos... Um absurdo isso! Se pegar
alguns NOTAMs, vai ver vários equipamentos de navegação
inoperantes há vários meses, como aconteceu com
o ILS de Guarulhos... Falando nisso, o senhor deveria pedir mais
informações sobre a TAP (companhia aérea
portuguesa) que pousou na taxiway de Guarulhos ano passado, por
engano, e quase causou um grande acidente... Vai ver como a falta
de infra-estrutura leva a um acidente!!!
Acidente com o avião da Gol
(15:21) lisiano: Deputado, outro dia recebi um e-mail, referente
ao acidente ocorrido com o avião da Gol e o Legacy, dizendo
que uns dos passageiros era um indigente dos EUA e que tinha,
entre os passageiros, engenheiros químicos que tinham realizado
uma descoberta sobre energia renovável. Será que
essa informação procede? O Sr. não acha estranho
dois aviões colidirem no ar e só um ser destruído???
(15:45) Dep. Marco Maia: Lisiano, não tenho ainda essa
informações sobre a especificidade de cada passageiro
do avião. Só um avião ter sido destruído
é estranho, mas foi o que aconteceu.
(15:28) GeorgeRock: Baseado no que o nobre deputado informa que
o TRANSPONDER fora desligado?
(15:59) Dep. Marco Maia: GeorgeRock, baseado nas perícias
realizadas tanto pelas empresas quanto pela Polícia Federal.
O transponder do Legacy não tinha defeito e, portanto,
não estava ligado porque fora desligado. A questão
é de forma intencional ou não intencional. Esta
é parte da investigação que nós estamos
realizando.
(15:29) Marcio: Deputado, qualquer piloto sabe que é suicídio
desligar o transponder intencionalmente. Por que fariam isso?
(16:06) Dep. Marco Maia: Marcio, esta é uma boa pergunta,
que eu também tenho me feito. Agora, que o transponder
foi desligado, isso foi.
(15:30) GeorgeRock: A NTSB, após análise dos dados
do fatídico vôo, emitiu RECOMENDAÇÕES
a todos os pilotos do planeta para terem especial atenção
à FALTA DE AVISO EVIDENTE da funcionalidade do TRANSPONDER
e TCAS detectada neste acidente.
(16:08) Dep. Marco Maia: GeorgeRock, o que você está
dizendo é verdade. O transponder, até o momento,
não possui um sinal que avise quando este está desligado.
Esta é uma recomendação que está sendo
dada, inclusive aos fabricantes, para que introduzam nos novos
transponders um sistema de aviso sonoro para esses casos.
(15:41) lisiano: O Sr. não acha estranho dois aviões
colidirem no ar e só um ser destruído??? Não
há hipótese de ter havido uma sabotagem, já
foi levantada essa hipótese?
(16:18) Dep. Marco Maia: Caro Lisiano, o inquérito da
Polícia Federal que investigou o acidente ocorrido em setembro
passado entre o Boeing da Gol e o jato Legacy não apontou
indícios de sabotagem e os trabalhos da CPI até
agora também não indicaram a ocorrência de
sabotagem.
(16:01) GeorgeRock: Nobre deputado, a Polícia Federal
não tem nem sequer aptidão para desvendar as transcodificações
de uma caixa preta, nem mesmo pilotos da PF têm capacidade
técnica para auxiliá-los.
(16:49) Dep. Marco Maia: Prezado GeorgeRock, todas as informações
que chegaram a esta CPI através da PF vieram fundamentadas
em legislações, seja brasileira ou internacional,
relativas ao setor aéreo. Nenhuma polícia federal
no mundo possui especialistas em todas as áreas do conhecimento
humano. Assim, se vale de consultorias técnicas para o
desenvolvimento de suas investigações. No caso da
decodificação das caixas pretas do Boeing da Gol
e do Legacy, o trabalho foi feito pelas empresas que fabricaram
os equipamentos e que desenvolveram os softwares para esta decodificação.
Essas empresas estão situadas no Canadá e nos EUA
e possuem reconhecimento técnico e legal para isso. Este
trabalho foi acompanhado por técnicos da Aeronáutica
brasileira. Asseguro a você que o trabalho da PF tem sido
exemplar na condução do inquérito sobre o
acidente aéreo do dia 29 de setembro do ano passado, e
em nada deixou a desejar, dentro dos limites legais de sua atuação.
(16:05) GeorgeRock: Nobre deputado, baseado nas análises
da NTSB que estão além da capacidade TÉCNICA
da nossa PF, instrumentos USADOS exatamente os que envolve TCAS,
TRANSPONDER e rádios foram instalados no Legacy. Tais instrumentos
já tinham apresentado PANES diversas desde SETEMBRO de
2005.
(16:10) GeorgeRock: Também foi encontrada grande quantidade
de SILICONE NÃO-CONDUTOR de eletricidade dentro dos terminais
de conexão do TRANSPONDER. Ainda foram encontrados dados
de vôo durante o tempo que a aeronave estava voando na altitude
de 37.000 pés, os computadores de bordo receberam a informação
de que a aeronave estava no solo, assim com o trem-de-pouso BAIXADO
e TRAVADO.
(16:12) GeorgeRock: O que deixa a população brasileira
IRRITADA é a notícia GRAVE chegar através
de fontes no exterior e não pelas as autoridades brasileiras
constituídas com o dinheiro do contribuinte.
(16:48) Dep. Marco Maia: Nobre GeorgeRock, você traz informações
que estão sendo analisadas tecnicamente. O que posso lhe
afirmar é que as condições técnicas,
tanto da Polícia Federal quanto da Aeronáutica,
estão adequadas para análise dessas informações.
Muitas dessas análises técnicas estão sendo
ou foram realizadas nos Estados Unidos ou no Canadá, de
acordo com a necessidade. Portanto, você pode ter certeza
de que nós teremos informações muito precisas
sobre o funcionamento dos equipamentos e as condições
das aeronaves no momento do acidente.
(16:08) Marcio: O transponder pode ter sido desligado, mas nenhum
piloto o faria deliberadamente. Sou piloto.
(16:55) Dep. Marco Maia: Marcio, quero concordar com você;
mas, ao olhar os procedimentos para se desligar o transponder
do Legacy, não consegui identificar como ele poderia ser
desligado involuntariamente. Por isso, é que estamos convocando
os pilotos americanos para depor na CPI. Talvez eles possam nos
dar elementos que nos permitam acreditar nessa afirmativa de que
o transponder foi desligado involuntariamente.
(16:14) Jose Marcos: Fala-se muito sobre o Legacy não
ter cumprido o plano de vôo. Como piloto, gostaria de lembrar
que existe uma diferença muito grande entre plano de vôo
apresentado e plano de vôo em vigor... O piloto deve seguir
o plano em vigor, que vai se alterando de acordo com as autorizações
ou modificações dos controladores. Por isso, o piloto,
antes de decolar, recebe uma autorização de vôo.
A torre de São José dos Campos autorizou o quê?
(16:16) Marcio: Isso mesmo, plano de vôo é sempre
o último apresentado pelo controle aéreo e não
o inicial, por mais que ele tenha sido por escrito.
(16:58) Dep. Marco Maia: Jose Marcos e Marcio, vocês têm
razão. Esta é uma compreensão que fui obtendo
durante o processo de investigação da CPI. A primeira
informação que tivemos era de que a tarefa de manter
a rota de acordo com o plano de vôo era dos pilotos. Depois,
em outros depoimentos e, no meu caso, acompanhando um piloto em
uma viagem de Brasília a Porto Alegre, verifiquei que na
verdade o que vale é a determinação do controlador
de vôo. De qualquer maneira, nós vamos continuar
discutindo o tema, porque ele não é uma questão
menor na identificação das responsabilidades no
acidente envolvendo o avião da Gol.
Pilotos norte-americanos
(15:07) Marcio: E os pilotos americanos? Afinal o que fizeram
errado? Foram instruídos para voar a 370 até Manaus.
Em Brasília, se comunicaram com o Cindacta e disseram a
sua altitude, por azar o transponder saiu do ar. O controle não
deveria estar atento a isso e alertá-los? Repito: o que
eles fizeram de ERRADO?
(15:22) Dep. Marco Maia: Caro Marcio, nós estamos analisando
todas as informações relativas ao acidente com o
avião da Gol. Vários fatores contribuíram
para o acidente, até mesmo porque um acidente como este
não ocorre apenas por um erro, mas sim pela seqüência
de erros. Nesta seqüência, é possível,
sim, identificar responsabilidade nos pilotos americanos. Por
exemplo, há uma dúvida sobre como foi desligado
o transponder. Alguns acham que foi de forma involuntária
e outros acham que pode ter sido de forma proposital, é
óbvio que sem a preocupação de que poderia
ocasionar um acidente. De qualquer forma, a CPI poderá
ajudar a identificar a responsabilidade de cada um dos envolvidos
nesse acidente.
(15:23) Paulo: Senhor deputado, recentemente houve um fato lamentável
no Pará, a morte de uma pessoa (uma freira). O culpado,
de acordo com os noticiários, supostamente está
sendo punido. Isso provavelmente sob pressão norte-americana.
O que podemos esperar do fato de os pilotos norte-americanos terem
contribuído para a morte de 154 brasileiros?
(15:52) Dep. Marco Maia: Paulo, comprovada a responsabilidade
dos pilotos americanos, eles deverão pagar por isso. É
claro que caberá ao governo e à Justiça brasileira
pressionarem a Justiça americana para que os tratados internacionais
sobre matérias judiciais sejam cumpridos. A CPI irá
tratar disso e acompanhar os encaminhamentos tomados por ambos
os governos.
(15:35) Marcio: A meu ver, os pilotos do Legacy não fizeram
nada errado e não merecem nenhuma punição.
Controladores de vôo
(14:59) danielle: Deputado, foram anunciadas contratações
de controladores de vôo. Em que pé está isso?
Quando os novos controladores começam a trabalhar?
(15:03) Dep. Marco Maia: Danielle, algumas contratações
já foram realizadas e os contratados estão em fase
de formação e qualificação. Outras
contratações estão em fase de efetivação.
O Congresso já aprovou a medida provisória mandada
pelo governo que trata sobre o tema. Portanto, o governo já
tem todos os instrumentos para efetivar tais contratações.
(15:00) Fabio: Deputado, não parece razoável que
a crise do sistema aéreo tenha sido causada pela ação
de quem está na sua ponta e não tem poder de decisão,
os controladores. Qual a autoridade responsável pela decisão
de aumentar o número de controladores? Por que não
tomou essa decisão no tempo certo? Seu relatório
buscará identificar esse tipo de responsabilidade?
(15:05) Dep. Marco Maia: Fabio, é claro que vamos analisar
todos os aspectos da crise. E este, de não ter sido reposto
o número de controladores, é um. Portanto, certamente
ele fará parte do relatório final, com as respectivas
responsabilidades.
(15:04) danielle: Não há planejamento de aumento
do salário dos controladores? A solução passa
por um salário maior ou pela desmilitarização
do setor?
(15:12) Dep. Marco Maia: Danielle, já existem estudos
para aumentar o salário dos controladores. A própria
Aeronáutica estuda a possibilidade de permitir que os 3º
sargentos controladores possam ascender à carreira de oficial.
O tema da desmilitarização estará na pauta
de discussão da CPI.
(15:05) ControladorDeVoo: É de conhecimento dos controladores
de Brasília que um dos sargentos envolvidos no acidente
do Gol 1907 havia sido reprovado em seis "cheques" anteriores,
pois não estaria apto a assumir uma posição
de controle e, mesmo assim, uma CHT foi emitida para o mesmo pelo
comando da Aeronáutica, a fim de suprir a falta de pessoal
a qualquer custo. Há relatos de que nos outros Cindactas,
principalmente em Curitiba, também controladores aposentados
foram reciclados sem o tempo ideal para tal. Como tal atitude
será encarada pelo governo?
(15:16) Dep. Marco Maia: ControladorDeVoo, a situação
dos controladores de vôo é tema da CPI e muitas informações
têm nos chegado com relação à qualificação,
aos métodos de trabalho, às condições
de trabalho destes. Nós estamos copilando todas essas informações
para confrontá-las com as informações oficiais.
A partir disso, a idéia é propor às autoridades
ações que possam melhorar a qualidade dos serviços
prestados pelos controladores de vôo.
(15:06) jess: Deputado, o senhor não considera que essa
atitude de só agora chamar os controladores que haviam
prestado concurso público para Infraero em 2003, que poderiam
ter sido efetuados anteriormente. E não apenas isso, mas
também se fala em realizar novo concurso público
sendo que o atual ainda está no seu prazo de validade já
que este foi prorrogado.
(15:09) jess: Essa não seria mais uma forma de ganhar
dinheiro e tirar o direito de pessoas como eu que fomos aprovados
no concurso que a principio só tinha cadastro de reserva
e, agora que surgiram vagas, anda se falando em realizar novas
provas, tirando a oportunidade de quem já foi aprovado
anteriormente?
(15:18) Dep. Marco Maia: Jess, na minha avaliação,
há erros que foram cometidos em relação ao
quantitativo de controladores necessários para a operação
do sistema. Agora, é preciso correr atrás da máquina.
E você tem razão de que não é razoável
realizar outro concurso enquanto ainda existem pessoas do concurso
anterior para serem contratados. De qualquer forma, é preciso
buscar mais informações sobre essa matéria.
(15:29) jess: Não se trata de informação,
pois a mídia nem a própria Infraero se manifestam
sobre esse assunto. Na verdade, tudo o que se sabe é muito
vago e não acredito que irá existir alguém
para falar sobre isso.
(15:30) jess: Mas já é válido saber que
alguém concorda, embora eu já saiba que isso não
irá mudar a situação de várias pessoas
que estão tentando ter oportunidade, já que aprovados
foram no concurso.
(16:02) Dep. Marco Maia: Jess, me comprometo com você de
oficiar a Infraero pedindo informações sobre esse
concurso. Mande um e-mail para dep.marcomaia@camara.gov.br, que,
assim que tiver recebido as informações, passo a
você.
(15:11) acc-ctba: Poderia dizer se, na visita ao Cindacta 2,
de Curitiba, essa semana, foi solicitada a participação
de controladores de vôo?
(15:12) acc-ctba: Sempre se tem a clara impressão de que
o teatro é armado, e aqueles que vivem as agruras do sistema
dia-a-dia não participam.
(15:31) Dep. Marco Maia: acc-ctba, em primeiro lugar quero esclarecer
que não foi realizada e nem está marcada para esta
semana uma visita ao Cindacta 2. A comissão parlamentar
de inquérito visitou o Cindacta 1, em Brasília,
no dia 14 de maio. Em relação à crítica
de que as pessoas não participam, a CPI criou uma ouvidoria
na qual a população pode fazer sugestões
em relação ao sistema aéreo brasileiro. As
pessoas podem acessar por meio do site da Câmara (www.camara.gov.br),
no link comissões parlamentares de inquérito/ouvidoria.
Inclusive, nesta sexta-feira (1), haverá uma sessão
especial na qual serão analisadas as sugestões encaminhadas
pela população por meio da ouvidoria.
(15:17) ControladorDeVoo: eu tb gostaria de saber se os controladores
do Cindacta 2 terão voz quando da visita dos parlamentares
aquele centro...
(15:40) Dep. Marco Maia: ControladorDeVoo, com certeza os controladores
do Cindacta 2 terão voz. Eu mesmo, quando estive no Cindacta
1, conversei com vários controladores.
(15:18) Luiz: Com tantas coisa acontecendo, por que o Congresso
editou a MP 341/06, que prorroga o contrato temporário
de terceirizados da Anac, visto que foi realizado um concurso
para preenchimento de vagas em vários cargos. O Sr. não
acha que deveriam ser empossados funcionários já
concursados?
(15:43) Dep. Marco Maia: Luiz, este tema dos contratos temporários
é sempre polêmico. Eu também concordo com
você que precisamos primeiro realizar os concursos para
o preenchimento dessas vagas e depois, de fato, preenchê-las.
É muito ruim quando se realizam concursos que depois não
são aproveitados. Nesse caso específico, acredito
que você tem razão.
(15:21) juju: Se a CPI concluir que os controladores são
os culpados, o que será feito? Os parlamentares podem pedir
a prisão dos culpados?
(15:55) Dep. Marco Maia: Juju, a CPI está analisando os
diversos aspectos que envolvem o acidente entre o acidente do
avião da Gol e o Legacy, tanto do ponto de vista dos responsáveis
por falha humana, quanto de causas relativas a equipamentos. Caso
a CPI chegue à conclusão da culpabilidade dos controladores
de vôo, o procedimento previsto em lei é o de encaminhar
esta conclusão ao Ministério Público para
que este indicie os mesmos. A CPI só poderá requerer
a prisão dos controladores ou de qualquer outro depoente
no caso de que se neguem a prestar depoimentos ou fique comprovado
que, em seu depoimento, faltaram com a verdade.
(16:12) acc-ctba: Dep., caso a visita ao Cindacta 2 se confirme,
seria muito boa a convocação de alguns controladores
de vôo. O que o Sr. acha??
(17:06) Dep. Marco Maia: Caro Acc, esta CPI já visitou
o Cindacta I, localizado em Brasília, e obteve um conjunto
de informações fundamentais para a análise
da situação do controle do tráfego aéreo
naquela região. Até o momento, requeremos somente
a presença, na CPI, dos controladores de vôo envolvidos
diretamente com o acidente e dos representantes de suas instituições
de classe, do sindicato dos controladores civis e da associação
dos controladores militares. Quando da visita do Cindacta II,
em Curitiba, caso os membros desta CPI julguem necessário
convocar mais algum controlador, com certeza, isso será
feito. Durante a visita, não queremos atrapalhar ou desconcentrar
os controladores que estiverem trabalhando neste momento com conversas
ou questionamentos.
(16:14) acc-ctba: O que foi veiculado em relação
à visita do Cindacta 1 é que nenhum controlador
chegou perto dos Srs.
(17:01) Dep. Marco Maia: Caro Acc, na primeira visita realizada
em um Cindacta (I), no dia 14 de maio, de fato, os parlamentares
e demais pessoas que visitaram o Cindacta não entraram
na sala dos controladores, porém, nas próximas visitas
aos Cindactas estamos negociando com a Aeronáutica a visita
de pequenos grupos à sala de controladores. Na visita ao
Cindacta I, a Aeronáutica alegou que, se muitas pessoas
entrassem no local, poderia prejudicar o trabalho importante e
que requer muita concentração por parte dos controladores.
(16:34) Lord01br: Espero que o projeto de lei que o Sr. Deputado
Celso Russomano introduz na Câmara possa refletir, senão
em todo, pelo menos em parte os anseios de uma categoria até
então reprimida. O Comando da Aeronáutica trata
com desdenho seus subordinados e sempre consegue maquiar os problemas
nos centros de controle aéreo do País.
(16:45) Lord01br: Sr. deputado... Gostaria de fazer uma denúncia
dada as condições insalubres no interior do COI
II, Cindacta 2. O Comando da Aeronáutica não consegue
dar o mínimo de condições aos seus controladores...
Todo o interior do COI II é maquiado... as paredes foram
cobertas por um material novo sobre o antigo carpete mofado que
causou um grave problema de saúde a um controlador hoje
afastado do COI II...
(16:51) Lord01br: O processo corre na Justiça federal
e a ABCTA CW já deve ter tomado o devido conhecimento...
O processo ainda rola na Justiça e apresenta fotos do interior
do COIII antes de ser maquiado... o controlador de vôo correu
risco de morte e, se tivesse ido ao precário hospital do
Cindacta 2, certamente não teria sobrevivido... O número
dos processos em questão são 2006.70.00.009881-8
(PR) e 2006.70.00.007703-7 (PR) todos da Justiça Federal
de Curitiba... Seu teor está no site do TRF4(http://www.trf4.gov.br/trf4/processos/acompanhamento/)
Aeronáutica
(14:57) ControladorDeVoo: Que atitude será tomada diante
das evidências de incompatibilidade entre o militarismo
e a proteção ao vôo denunciadas pelos controladores?
(15:01) Dep. Marco Maia: ControladorDeVoo, neste tema da incompatibilidade,
vamos ainda discutir e debater na CPI olhando para os aspectos
tanto do ponto de vista da segurança do sistema de controle
de tráfego aéreo quanto da compatibilidade no trato
e no trabalho dos controladores de vôo. Ainda não
temos uma posição firmada sobre este assunto.
(14:59) ControladorDeVoo: A falta de transparência da gestão
da Aeronáutica sobre o tráfego aéreo civil,
negando deficiências em equipamentos que viriam mais tarde
a ser comprovadas, bem como a falta de controladores que tb foi
negada e mais tarde comprovada, como será tratada pelo
governo?
(15:00) Marcio: Faço a mesma pergunta. Como a Aeronáutica
pode avaliar a Aeronáutica? Como saber ao certo sobre os
equipamentos e softwares?
(15:22) Dep. Marco Maia: Controlador de vôo e Márcio,
em relação à transparência da Aeronáutica,
a CPI foi criada para averiguar os possíveis problemas
do setor aéreo brasileiro e queremos com a comissão
parlamentar de inquérito dar uma resposta objetiva em relação
à real situação do setor aéreo de
nosso País e pretendemos também apontar as soluções
para os mesmos.
(15:11) ControladorDeVoo: Deputado, o senhor não considera
lastimável que nosso país, duas décadas depois
de ter se livrado da ditadura militar, ainda tenha medo das Forças
Armadas, sentimento esse que ficou evidenciado quando da atitude
de recuo do governo ao acordo ora firmado com os controladores
de vôo na pessoa do ministro Paulo Bernardo, após
várias ameaças dos militares aos líderes
do governo?
(15:36) Dep. Marco Maia: ControladorDeVoo, nós avançamos
muito nos últimos anos na consolidação da
democracia no País. Mas ainda precisamos avançar
muito, principalmente estabelecendo regras de convivência
entre as instituições que fazem parte da construção
democrática do País. O relacionamento com as Forças
Armadas, na minha avaliação, também tem avançado
muito, o que não nos permite não levar em consideração
a cultura, a história, a forma de organização
dessas instituições. Ter uma atitude respeitosa
só fortalece a democracia e não faz mal nenhum.
Neste episódio, o que aconteceu foi exatamente a manutenção
dessa atitude respeitosa. O governo, em momento algum, recuou
das suas posições.
(15:21) ControladorDeVoo: Deputado, consulte qualquer profissional
da área técnica da Aeronáutica e ele dirá
ao senhor que separar o controle da aviação civil
da aviação militar NÃO DEMANDA 5 BILHOES
DE REAIS, POIS NAO É NECESSARIO DUPLICAR A ESTRUTURA ATUAL.
Uma vez que ambos já utilizam os mesmos equipamentos hoje
em dia, seria apenas uma questão de efetuar links entre
uma área e outra... creio que não haja outra razão
para não promover a desmilitarização, como
acontece no resto do mundo.
(15:28) ControladorDeVoo: Deputado, é compreensível
que a Aeronáutica tenha interesse em manter o controle
de vôo civil sob sua gestão em função
do Decea arrecadar mais de 1 bilhão de reais ao ano com
taxas de sobrevôo, dinheiro esse que literalmente SUSTENTA
A AERONÁUTICA. O que não é compreensível
é que isso esteja acima do interesse maior de preservar
a segurança das vidas de quem voa!!!
(15:48) Dep. Marco Maia: ControladorDeVoo, concordo com você
que não são necessários R$ 5 bilhões
para desmilitarizar o controle, mas mesmo assim te diria que o
tema não é tão simples. Existem muitos outros
fatores que precisam ser analisados, como, por exemplo, a quem
ficaria todo o sistema de manutenção e acompanhamento
dos mais de 5,8 mil equipamentos que são utilizados pelo
sistema do controle de tráfego aéreo brasileiro?
Nós temos mais de 12 mil pessoas envolvidas com esse sistema.
Este é apenas um exemplo que dá conta da complexidade
do que nós estamos discutindo. Não se trata apenas
de passar os controladores militares para serem civis.
(16:00) beti: Caro deputado, dizem que o apagão aéreo
deu-se ao contingenciamento de verbas para a Aeronáutica.
Pergunto, que o setor da Aeronáutica foi mais importante
que o de controle de trafego aéreo para aplicação
dos recursos recebidos, ainda que contingenciados?
(16:44) Dep. Marco Maia: Beti, a prática de contingenciamento
de recursos do Orçamento é normal e natural em todos
os governos. Isso acontece porque o Orçamento, ao ser aprovado
pelo Congresso, pressupõe aquilo que deve ser gasto pelo
governo durante o período de um ano. Como o governo arrecada
mês a mês, ele não pode gastar todo o Orçamento
no primeiro mês do ano. Primeiro porque ele não sabe
quanto efetivamente ele irá arrecadar e segundo porque
ele, de fato, ainda não arrecadou. Sendo assim, o contingenciamento
é uma medida preventiva dos governos para garantirem que
só gastarão aquilo que efetivamente for arrecadado
durante todo o ano. Por isso, é que acredito que o problema
da crise do setor aéreo não tenha sido o contingenciamento
de verbas para a Aeronáutica. O trabalho da CPI está
exatamente em investigar e encontrar quais foram as causas reais
que levaram à situação a que nós assistimos
nos últimos meses, que podem estar na falta de recursos,
ou na má aplicação dos recursos, ou até
mesmo em falhas humanas. Agora, a resposta final nós só
obteremos depois de ouvir todos aqueles que, de uma forma ou de
outra, são responsáveis pela organização
dos sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro.
(16:04) Marcio: Como a CPI poderá saber sobre os equipamentos
e software se a FAB nega? E que competência tem delegado
da Polícia Federal para apontar culpados antes do relatório
da investigação da Aeronáutica?
(16:11) Marcio: Deputado, eu soube de casos de criminalização
num acidente aéreo. Por exemplo, o caso recente na Suíça...
mas, sempre depois de terminada a investigação pelos
entendidos. Por que a PF correu na frente?
(16:15) Marcio: Eu, por exemplo, acho estranho a Aeronáutica
investigar a Aeronáutica. Sempre checo o site da NTB que
tem um representante na investigação.
(16:56) Dep. Marco Maia: Caro Marcio, a Aeronáutica está
colaborando com as investigações da CPI, atendendo
a todas as solicitações de informações.
Há o entendimento, por parte da própria Polícia
Federal, de que as investigações envolvendo os militares
no caso do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy (ocorrido
em setembro do ano passado) são de competência da
Aeronáutica, portanto no relatório da Polícia
Federal foram indiciados os pilotos norte-americanos civis, que
pilotavam o jato Legacy no dia do referido acidente.
(16:16) GeorgeRock: Eu já voei 1:18 hora durante a noite
sem qualquer contato de comunicação via rádio
e era para chamar o centro de Recife, que não atendeu.
Consegui falar com o controlador de tráfego aéreo
do destino somente. Esta é a melhor PROVA irrefutável
de que há "buracos" não somente nas comunicações,
(16:18) ControladorDeVoo: A verdade é só uma, amigo...
Todos os dias, problemas em transponder ocorrem.... mas nem sempre
os pilotos dão o azar de se defrontarem com um sistema
de trafego aéreo tão caótico como o brasileiro,
cujas deficiências vão desde a qualidade e a quantidade
de controladores, passando por falhas de cobertura de radar e
freqüência de rádio, tudo fruto de uma gestão
fracassada da Aeronáutica...
(16:21) ControladorDeVoo: Mas já falei demais... é
hora de me recolher a minha insignificância, sob pena de
"ir preso pro quartel", como o soldado da cabeça
de papel. E pensar que a vida de milhares de pessoas precisa concorrer
em importância com interesses mesquinhos e jogo político...
(16:34) Jose Marcos: Deputado, creio que deveria se pensar em
mudar o organograma da investigação no Brasil, ser
como a NTSB americana, que fica subordinada (salvo engano) ao
Legislativo daquele país... acho um contra-senso o Cenipa,
que investiga os acidentes aqui, ficar subordinado ao Comandante
da Aeronáutica, apesar da reconhecida independência
informal deste órgão.
CPI
(15:04) romulo: Deputado, qual o principal foco da comissão
especial????
(15:10) Dep. Marco Maia: Romulo, a nossa intenção,
conforme determinado no requerimento da CPI, é discutir
com profundidade a crise do setor aéreo brasileiro, apontando
as causas, as responsabilidades e sugerindo mudanças e
alterações que possam garantir a segurança
dos vôos no País.
(15:11) Felipe C. Barreto.: Deputado, até que ponto as
revelações da operação Navalha e a
nova crise no Congresso podem "ofuscar" a CPI do Apagão
Aéreo?
(15:27) Dep. Marco Maia: Felipe C. Barreto, na minha avaliação,
a CPI da Crise Aérea tem um foco bem definido e nós
iremos trabalhar independentemente da repercussão que ela
tenha na mídia ou não. Até mesmo porque o
nosso tema diz respeito à segurança de milhões
de pessoas que viajam todos os anos de avião no Brasil.
A nossa proposta é de seguir o curso normal das investigações
e produzir um relatório consistente e que dê conta
da recuperação da credibilidade das CPIs no Congresso.
Portanto, as revelações da Operação
Navalha, na minha opinião, pouco influenciarão na
condução dos trabalhos da CPI do Crise Aérea.
(15:12) juana: Deputado, a CPI já chegou a uma conclusão?
Já pode-se afirmar de quem é a culpa pela crise
nos aeroportos? Como a PF e a Aeronáutica estão
ajudando nos trabalhos?
(15:39) Dep. Marco Maia: Cara Juana, estão em andamento
os trabalhos da CPI com depoimentos, diligências e solicitação
de informações para averiguar a real situação
do setor. Pode-se afirmar que, no final dos trabalhos, serão
apontadas soluções para os possíveis problemas
do setor. Já foram ouvidos na CPI o delegado da Polícia
Federal responsável pelo inquérito do acidente envolvendo
o Boeing da Gol e o jato legacy, em setembro do ano passado, e
representantes da Aeronáutica. Estes depoimentos ajudaram
a esclarecer o referido acidente. Ao término das investigações
da CPI, espera-se poder apontar os responsáveis tanto pelo
acidente quanto pelos possíveis problemas enfrentados no
setor aéreo brasileiro.
(15:15) joão: Como os brasileiros podem participar dos
debates da CPI e influir de alguma forma na solução
da crise?
(15:39) Dep. Marco Maia: João, o site da Câmara
possui um link direto com a CPI e também diretamente com
os deputados que fazem parte da comissão. Você pode
enviar sugestões, fazer críticas e apresentar propostas.
Além disso, criamos uma ouvidoria cidadã da CPI,
que tem o objetivo de colher sugestões e propostas para
melhorar o atendimento nos aeroportos. Ao acessar a página
da Câmara, você vai encontrar o caminho. Essas sugestões
serão discutidas e debatidas em uma sessão especial
da comissão e depois encaminhadas à Anac, para que
possam ser implementadas.
(15:22) júnior: Considerando que o Tribunal de Contas
da União é órgão auxiliar do Congresso
Nacional, por que está sendo excluído dessa CPI?
Os servidores, em sua grande maioria, são pessoas preparadas
e imparciais nas investigações.
(15:52) Dep. Marco Maia: Caro júnior, a relatoria da CPI
está analisando a convocação de funcionários
do TCU para auxiliar nos trabalhos da comissão. Já
estão sendo convocados servidores da Advocacia-Geral da
União (AGU), da Polícia Federal, da Anac, Aeronáutica
e Infraero, além de assessores da própria Câmara.
Ressalto ter solicitado técnicos que, preferencialmente,
não estiveram envolvidos em auditorias já feitas
e não guardam relação com os fatos investigados
pela CPI.
(15:22) weller: O senhor não acha que é um absurdo
duas CPIs, uma na Câmara e outra no Senado? Não é
um desperdício de recursos públicos pagar salários
para deputados e senadores fazerem a mesma coisa?
(15:50) Dep. Marco Maia: Weller, na minha avaliação
é lamentável que tenham sido criadas duas CPIs.
Agora, a nossa tarefa será a de fazer com que haja uma
complementariedade entre as duas. Várias reuniões
já foram realizadas neste sentido. Mas só o tempo
dirá se isso será possível.
(15:23) Geyvson: Olá, deputado, de acordo com o relatório
dessa CPI, o Congresso pretende agir ou tudo vai acabar em pizza
ou espetáculo político?
(15:57) Dep. Marco Maia: Geyvson, uma CPI tem limitações,
não cabe a ela resolver o problema, mas sim tratar de apontar
soluções. Nós iremos produzir um relatório
adequado ao pedido feito no requerimento que deu origem à
CPI. Este relatório tratará da crise do setor aéreo
brasileiro. Nós vamos apontar as causas, identificar as
responsabilidades e sugerir mudanças e alternativas que
possam melhorar e dar segurança ao sistema do controle
de tráfego aéreo brasileiro. Ainda gostaria de te
dizer que muitas vezes as CPIs se transformam em apenas espetáculos
políticos. Nosso esforço é para que esta
possa ir além e, de fato, apontar soluções.
(15:25) cledemario: De forma ampla, como o senhor avalia esta
CPI da qual é relator?
(16:12) Dep. Marco Maia: Caro Cledemario, avalio como uma oportunidade
ímpar produzir um relatório que atenda às
expectativas da sociedade brasileira, em especial os usuários
do sistema aéreo, apontar as ações necessárias
para o aprimoramento dos serviços do setor, seja no aspecto
da segurança, seja no tocante ao atendimento e pontualidade
dos vôos.
(15:38) ControladorDeVoo: Deputado, o sindicato dos aeronautas
será ouvido sobre as sugestões dos mesmos para resolver
a crise aérea?
(16:10) Dep. Marco Maia: Controlador de Vôo, no dia 22
de maio, prestaram depoimento representantes dos trabalhadores
civis e militares em reunião da CPI: foram ouvidos o presidente
do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção
ao Vôo, Jorge Botelho, e o presidente da Associação
Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, Wellington
Rodrigues. Em relação ao sindicatos dos aeronautas,
já existe requerimento solicitando depoimento de representante
da entidade. Todas as informações referentes aos
trabalhos da CPI podem ser conferidos no próprio site da
Câmara (www.camara.gov.br).
(15:38) GeorgeRock: Nobre Deputado, o senhor sente-se à
vontade com as respostas dos interrogados nesta CPI principalmente
os oficiais generais?
(16:12) Dep. Marco Maia: GeorgeRock, nossa tarefa é a
de perguntar aos interrogados da CPI sempre olhando para o relatório
que iremos produzir. É verdade que algumas respostas individuais
não nos deixam satisfeitos. Mas, quando juntamos às
respostas de outros, podemos ter uma visão de conjunto.
A investigação é um somatório de perguntas
e respostas, que vão nos dando a condição
de construir convicções. Portanto, a minha preocupação
é a de poder ter essa visão de conjunto e produzir
a convicção mais próxima da justiça.
Nesse sentido, acho que a CPI tem sido satisfatória.
(15:39) Marcos: Gostaria de saber se a CPI está focada
no acidente do avião da Gol ou nas origens e razões
do chamado Apagão Aéreo?
(16:13) Dep. Marco Maia: Marcos, a CPI está se utilizando
do acidente envolvendo o avião da Gol como estruturante
da investigação, mas o acidente é apenas
o sintoma mais aparente de uma crise que tem origem muito anterior
e desdobramentos posteriores ao próprio acidente. A nossa
idéia é analisar a crise a partir do acidente olhando
para todos os lados.
(15:44) angela: Gostaria de saber qual a razão pela qual
a CPI dispensou a assessoria de funcionários do TCU?
(16:16) Dep. Marco Maia: Angela, em primeiro lugar, quero esclarecer
que a CPI não dispensou a assessoria de funcionários
do TCU. O pedido está sendo analisado pela mesa da CPI.
Já estão sendo convocados servidores da Advocacia
Geral da União (AGU), da Polícia Federal, da Anac,
da Aeronáutica e da Infraero, além de assessores
da própria Câmara.
(15:51) madureira: Caro Dep. Marco Maia, é perceptível
que o presidente da CPI tenta postergar as repostas dos convidados
quando deputados de oposição fazem perguntas mais
polêmicas ou mais elaboradas. Gostaria de saber se o senhor
consegue enxergar isso e se essa atitude faz parte do jogo político?
E será que esse jogo político não degrada
a apuração dos fatos e a tentativa de solucionar
a crise aérea e penalizar os responsáveis por tudo
isso?
(16:35) Dep. Marco Maia: Caro Madureira, todo o funcionamento
dos trabalhos da CPI respeita o Regimento Interno da Câmara
dos Deputados. Assim, as perguntas dos deputados a qualquer depoente
respeita a seguinte ordem: primeiro, o relator; segundo, o deputado
que requereu o depoente; e, terceiro, os demais deputados em ordem
cronológica de inscrição. O tempo das perguntas
está acordado entre todos os membros da CPI. Quando há
uma pergunta mais longa para o depoente, o presidente da CPI pode
solicitar que a resposta venha no final, o que já aconteceu
com a concordância dos deputados que a fizeram e, comprovou-se
que várias questões de uma pergunta longa acabam
por ser respondidas durante outros questionamentos mais curtos.
Asseguro que, até o momento, não identificamos quaisquer
problemas que possam prejudicar a apuração dessa
CPI e, por conseqüência, os seus resultados.
(15:54) Maria: Por que focar a CPI no acidente e não na
perda de grandes empresas aéreas como Vasp, Transbrasil
e Varig?
(15:56) GeorgeRock: Maria, tais empresas tiveram má administração
e por serem privadas não cabe ao contribuinte fomentá-las.
(16:29) Dep. Marco Maia: Maria, nós precisávamos
partir de algum lugar. O acidente com o avião da Gol nos
pareceu o sintoma mais aparente e presente. Agora você tem
razão que nós poderíamos ter começado
pela perda das grande empresas aéreas brasileiras. Talvez,
no curso das investigações e quando estivermos olhando
para o passado, venhamos a chegar a esta perda.
(15:55) Marcio: A CPI vai levar em consideração
o relatório final da NTSB quando o mesmo for publicado?
(16:30) Dep. Marco Maia: Marcio, a CPI irá levar em consideração
todos os documentos que puderem ajudar na elucidação
do que de fato aconteceu com o setor aéreo brasileiro e
com o acidente envolvendo o avião da Gol.
(15:56) Lucia: Caro deputado, quais os meios que poderão
ser tomados para "recuperar" documentos que comprovam
a fragilidade dos equipamentos e que ninguém consegue encontrar
em lugar nenhum?
(16:32) Dep. Marco Maia: Lucia, já foram aprovados na
CPI vários requerimentos que requisitam documentos e informações
sobre todo o sistema de controle do tráfego aéreo
brasileiro. Aqueles documentos que não forem enviados no
prazo poderão ser requisitados de outra forma, inclusive
com a utilização de força policial. A CPI
tem todo o poder para exigir os documentos e não hesitaremos
em fazê-lo quando necessário.
(15:57) Jornalu: As CPIs sempre serviram para criticar os governos
e também, agora, o Governo Lula. O senhor acredita que
esta CPI poderá servir para contribuir e trazer algo de
bom para o País ou será como das outras vezes?
(16:37) Dep. Marco Maia: Jornalu, esta CPI, na minha avaliação,
poderá resgatar a credibilidade das CPIs no Congresso.
Você tem razão: as CPIs não podem servir apenas
para criticar os governos, mas sim para fiscalizá-los e
para propor sugestões e encaminhamentos que possam superar
o problema. O nosso esforço nesta CPI será para
que ela produza um resultado positivo e que dialogue com as demandas
apresentadas pela sociedade brasileira. Esta tarefa não
será fácil, até mesmo porque alguns colegas
deputados acabam tensionando a CPI para que ela seja apenas um
instrumento de disputa política. Para que isso não
aconteça, além das iniciativas deste deputado, é
necessário que haja também um acompanhamento da
sociedade, contribuindo de forma crítica para que a CPI
possa efetivamente cumprir o seu papel.
(16:01) Jose Marcos: O Sr. não acha que uma investigação
sobre o acidente por uma CPI não acaba com a credibilidade
do Sipaer no País... ou principalmente sobre mudar o foco
de prevenção para punição um risco?
(16:42) Dep. Marco Maia: Caro José Marcos, a CPI foi criada
para investigar as causas, as conseqüências e os responsáveis
pela crise do sistema de tráfego aéreo brasileiro
e, de maneira alguma, queremos interferir na credibilidade do
Sistema de Investigação e Prevenção
de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer).
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