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Leia abaixo as perguntas que foram respondidas pelo deputado Maurício
Trindade (PR-BA), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do
Planejamento Familiar. O bate-papo está dividido em quatro
blocos, para facilitar a leitura: direito ao planejamento, esterilização,
aborto e religião.
Direito ao planejamento
(10:17) Carlos: Deputado, qual o papel da frente parlamentar?
(10:19) Dep. Trindade: Carlos, a Frente Parlamentar do Planejamento
Familiar pretende discutir o direito que todos os brasileiros
têm de planejar o tamanho da própria família,
princípio garantido pela Constituição. O
objetivo é levar à sociedade a discussão,
a participação expressiva dos meios de comunicação,
analisar projetos que tramitam no Congresso e sugerir novas propostas
que aprimorem a legislação em vigor.
(10:20) Carlos: O Sr. poderia citar quais projetos sobre planejamento
familiar estão tramitando na Câmara?
(10:27) Dep. Trindade: Carlos, há o Projeto de Lei 313/07,
de minha autoria, que altera vários pontos na legislação
atual (Lei 9.263/96). Esse projeto adiciona ações
de educação sexual e planejamento familiar nas escolas
de ensino médio e fundamental e obriga o gestor da saúde
a oferecer pelo menos três métodos contraceptivos
reversíveis e um irreversível para homens e um para
mulheres. A proposta também diminui a idade mínima
de 25 para 23 anos para esterilização do homem ou
da mulher e elimina a necessidade da autorização
dos dois cônjuges, bastando apenas a vontade de um deles,
para essa esterilização. Por fim, o texto dá
um prazo de 90 dias para que o gestor de saúde garantir
os métodos reversíveis depois da solicitação
do paciente. Há ainda uma proposta do senador Marcelo Crivella
que reduz ainda mais a idade para poder fazer esterilização:
18 anos.
(10:22) Procópio Corrêa: Deputado, qual os meios
que são utilizados para o programa de planejamento familiar
e por que vemos que hoje, onde mais se precisa desse planejamento,
ele se torna pouco eficaz, como em favelas por exemplo?
(10:29) Dep. Trindade: Procópio Corrêa, existe atualmente
a Lei 9.263 de 12 de janeiro de 1996, que trata do planejamento
familiar. Só que, como a maioria das leis, não é
cumprida. O papel da Frente Parlamentar em Defesa do Planejamento
Familiar é justamente levar esta informação
à grande massa que não tem acesso. Os métodos
são assistência à concepção
e contracepção; o atendimento ao pré-natal;
assistência ao parto, ao puerpério e ao neonato;
o controle das doenças sexualmente transmissíveis;
o controle e prevenção do câncer cérvico-uterino,
do câncer de mama e do câncer de pênis. O planejamento
orienta-se por ações preventivas e educativas e
pela garantia de acesso igualitário a informações,
meios, métodos e técnicas disponíveis para
regulação da fecundidade.
(10:30) Marcelo: Prezado Deputado, bom dia, sabemos que o Nordeste
é a região brasileira mais desprovida de recursos
financeiros para sua sustentação, educação,
qualidade de vida e outros. O senhor busca também de outra
forma, através de recursos do governo federal, ajudar a
situação do povo nordestino?
(10:39) Dep. Trindade: Marcelo, no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), existem ações referentes a
saneamento básico, estradas etc., e estou justamente brigando
para que os recursos realmente sejam destinados ao Nordeste e
ao Norte, onde a carência é muito maior. Deixo o
nosso telefone para que você entre em contato com o gabinete
(61) 3215.4456, que nossos assessores o manterão informado
sobre essas ações. Sou médico e baiano. Sei
exatamente a realidade dessa região.
(10:33) Marcelo: Para que a população tenha maior
conscientização de que há a necessidade,
através de meios de informação que, a curto
prazo, conscientizem a necessidade da redução da
quantidade de dependentes? Pois vemos famílias tendo de
10 a 12 filhos, ou seja, se você propiciar informação,
meios de comunicação, a conscientização
virá. Qual sua posição?
(10:42) Dep. Trindade: Marcelo, experiências em todos os
países indicam que, na medida que a população
tem mais instrução, mais anos de escolaridade, maior
renda e mais acesso aos serviços de saúde, as famílias
automaticamente fazem a limitação do número
de filhos. Isso porque estão conscientes dos custos de
desenvolvimento das crianças e da necessidade de os dois
cônjuges trabalharem fora, o que dificulta a tarefa. Então,
pensamos que a informação sobre a possibilidade
de planejar o número de filhos e o acesso efetivo aos meios
de contracepção seguros e eficazes por meio do serviço
de saúde é a estratégia que devemos adotar
até que os níveis de escolaridade e de renda sejam
melhores no Brasil. Pouquíssimas famílias têm
de 10 a 12 filhos por decisão própria. Quase sempre
é fruto de falta de informação e acesso aos
meios contraceptivos.
(10:41) Luísa 1: O senhor tem idéia de quanto o
governo precisa investir em planejamento familiar? Quanto é
investido hoje?
(10:56) Dep. Trindade: Luísa 1, os investimentos em serviços
de saúde são feitos tanto pela União quanto
pelos estados e municípios. Por isso, não temos
uma noção exata de quanto é investimento
especificamente na área de planejamento familiar. Não
há recursos específicos ou vinculados que só
possam ser usados em planejamento familiar. O gestor os utiliza
de acordo com as necessidades decorrentes dos problemas de saúde
locais. Um de nossos propósitos é fazer com que
os gestores da saúde apliquem mais recursos na área
de planejamento familiar na informação e na orientação
aos casais. Ou seja, que os gestores adotem o planejamento familiar
como uma das prioridades dos serviços de saúde,
em especial para a camada da população que não
tenha alternativa a não ser os serviços do SUS.
(10:43) valdecir: Quais as possíveis conseqüências
caso o governo protegesse todas as gestantes residentes, que por
algum motivo estivessem em situação de risco, por
qualquer razão, garantindo as condições necessárias
para que ela dê à luz e sustente seu filho?
(11:02) Dep. Trindade: Valdecir, cabe ao governo disponibilizar
todos os meios para a proteção da saúde de
todos os brasileiros, inclusive as gestantes, pois estas estão
em uma situação fragilizada. A legislação
já protege a maternidade e a primeira infância, por
meio de afastamento remunerado do trabalho e benefícios
como auxílio-maternidade e auxílio família,
entre outros.
(10:49) aorc: Os EUA comemoraram com muita divulgação
a marca de 300 milhões de habitantes. Ao contrário
do que se tenta pautar no Brasil, esta marca representa mais trabalho
e riqueza. Tenho a impressão que se o debate não
for ampliado, tal a questão do aborto, cairemos na esparrela
do controle de natalidade somente para os pobres devido aos problemas
decorrentes das grandes metrópoles.
(11:03) Dep. Trindade: Aorc, as estatísticas do IBGE demonstram
que as famílias de renda média e alta têm
em média apenas dois filhos por casal. As famílias
mais pobres são as que têm maior número de
filhos, em média quatro por mulher. Esse fato demonstra
que os casais de classe média realizam seu planejamento
familiar de acordo com seus desejos e possibilidades. As famílias
de renda baixa não têm essa alternativa e não
possuem maior número de filhos por vontade própria.
Essa é uma situação de injustiça,
que queríamos reverter, oferecendo a possibilidade de planejamento
familiar a todos e sem interferir nos seus objetivos. O controle
de natalidade é algo muito diferente. Ele obriga as famílias
a ter um número limitado de filhos, independentemente de
sua vontade. População grande não é
necessariamente sinônimo de trabalho e riqueza. Uma sociedade
democrática oferece as mesmas possibilidades a todos os
seus habitantes para que se realizem enquanto cidadãos.
Esse é o nosso enfoque principal.
(10:51) domini: Como pensar em planejamento familiar se o governo
só pensa em Bolsa Família, onde por falta de uma
educação só se vêem nas ruas mulheres,
inclusive maduras carregando recém nascido?
(11:10) Dep. Trindade: Domini, o Bolsa Família é
um programa de emergência. Ou seja, ele socorre famílias
que já têm seus filhos, garantindo ou buscando garantir
um mínimo para que as crianças não se tornem
desnutridas, fiquem doentes e até morram por inanição.
Nenhuma família se contenta em ganhar tão pouco,
apenas o suficiente para ter o que comer. O Bolsa Família
não estimula as pessoas a terem mais filhos, pois elas
sabem das dificuldades pelas quais passam. O planejamento familiar
busca exatamente dar condições para que essas famílias
planejem melhor o número de filhos. A decisão é
dos pais e nenhum pai em sã consciência acha que
o filho ganha do Bolsa Família o suficiente para crescer
e tornar-se um cidadão com profissão e meios de
ganhar a vida. Portanto, o que pode parecer uma contradição
é, na verdade, uma busca para melhorar a vida de grande
parte da população brasileira. Contradições
fazem parte da vida de uma sociedade e devem ser enfrentadas com
políticas públicas bem planejadas.
(10:56) sborba: A projeção de envelhecimento da
população afeta a perspectiva do planejamento familiar
no contexto das políticas públicas?
(11:13) Dep. Trindade: Sborba, poderá ocorrer uma estabilização
ou até regressão da população, como
ocorre atualmente em vários países da Europa, que,
assim como nós certamente faremos, primam pela qualidade
de vida da sua população e não pela quantidade
populacional. O envelhecimento não poderia ser justificativa
para a não oferta, pelo governo, dos métodos anticonceptivos,
pois seria uma situação perversa. Os mais privilegiados
têm acesso a eles quando os mais carentes e necessitados
desses métodos dificilmente os têm, ocorrendo a multiplicação
da miséria nos bolsões das grandes cidades e seus
conseqüentes problemas (violência, prostituição
infantil, desemprego, etc.).
(11:04) Procópio Corrêa: Sr. Deputado, já
vi algumas reportagens sobre a falta de camisinhas e pílulas
alem de outros meios anticoncepcionais. Tem como o Ministério
Público vir a fiscalizar esses municípios? Já
que normalmente é a população menos instruída
que sofre com esse problema e não sabem a quem recorrer.
(11:17) Dep. Trindade: Procópio Corrêa, sim, o atual
ministro da Saúde colocou como prioridade a regularização
desses métodos, pois, embora sejam comprados pelo ministério,
há uma grande dificuldade de distribuição,
inclusive com falta de interesse de muitos prefeitos em solicitá-los.
Haverá aumento das compras a partir deste ano. Nosso trabalho
na Frente Parlamentar pelo Planejamento Familiar inclui a cobrança
dessas verba junto ao ministério e solicitamos que os cidadãos
colaborem denunciando ao Ministério da Saúde ou
por meio da nossa frente ou do nosso e-mail (dep.mauriciotrindade@camara.gov.br)
ou ao próprio Ministério Público de sua região,
que também tem competência legal para solicitar o
cumprimento do que já é lei no nosso país.
(11:05) Carlos: Como é a educação sexual
idealizada pelo senhor? O que deve ser ensinado aos nossos jovens
e a partir de que idade?
(11:27) Dep. Trindade: Carlos, estamos convictos de que os jovens
necessitam de informação segura sobre questões
relacionadas ao sexo. Temos atualmente no Brasil o fenômeno
da gravidez precoce. Meninas de 12 anos, às vezes menos,
engravidam na maioria das vezes por absoluta falta de informação.
A educação sexual que propomos seria feita nas escolas
de ensino fundamental e médio por professores qualificados
para essa função. A idade mínima deve ser
discutida e definida pelas autoridade de educação,
tendo presente a realidade brasileira de precocidade em relação
à prática sexual. Os conteúdos dessa educação
devem ser planejados sem preconceitos e certamente envolvem conhecimentos
sobre o corpo humano, ciclos de fertilidade, métodos contraceptivos,
doenças sexualmente transmissíveis, desejo sexual
e assim por diante. Os educadores saberão definir os melhores
métodos e conteúdos para efetivar essa educação.
Esterilização
(10:19) Luísa 1: Por que não baixar para 18 anos
a idade mínima para esterilização? Reduzir
de 25 para 23 anos não faz muita diferença.
(10:23) Dep. Trindade: Luíza 1, sou contra a redução
de idade de 25 para 18 anos conforme o projeto de lei do senador
Marcelo Crivella. O meu projeto reduz de 25 para 23 anos por um
motivo simples: a realidade do Norte e Nordeste é muito
diferente das outras regiões. Crianças com dez anos
tendo filhos. Mas é um projeto, estou aberto a discussões.
Como é uma proposta, a frente parlamentar busca a discussão
para aprimorar as leis que tramitam na Casa.
(10:26) Edna: Deputado, não entendi sua explicação.
O que tem a ver a realidade do Nordeste, com crianças tendo
filhos aos dez anos, com a não redução da
idade para 18 anos? É justamente por crianças estarem
engravidando aos dez que é necessário fazer a esterilização
mais cedo. Aos 18, há pessoas com 3 filhos.
(10:35) Dep. Trindade: Edna, aos 18 anos ainda é muito
cedo para um adolescente decidir pela esterilização,
um método irreversível e radical. Jamais terá
a possibilidade de revertê-lo. Nessa idade, ainda há
muitas perspectivas na vida. O papel da Frente Parlamentar em
Defesa do Planejamento Familiar é justamente isso, levar
os jovens a planejar melhor sua vida; ter a opção
de escolha de ter ou não filhos de acordo com sua vontade;
escolher o momento de engravidar; escolher quantos filhos quer
ter e o espaçamento entre eles. Escolher de forma livre
e informada o método que pretende usar, como camisinha,
pílula, DIU, entre outros. O meu projeto de lei (313/07)
prevê disciplinas sobre educação sexual nas
escolas públicas e privadas de primeiro e segundo graus
com conteúdos de contracepção e planejamento
familiar compatíveis com as faixas etárias dos escolares.
(10:28) Carlos: Deputado, no projeto que o senhor apresentou,
o senhor retira a necessidade de autorização do
cônjuge para que a mulher ou o homem faça a cirurgia
de esterilização. Ora, se uma pessoa é casada,
subentende-se que eles terão filhos em comum. Se um dos
parceiros decide que não quer ter filhos, é preciso
ter autorização do outro, pois um contrato estaria
sendo quebrado. O senhor não concorda?
(10:36) Dep. Trindade: Carlos, tem crescido no País o
número de famílias chefiadas apenas por mulheres,
sem participação do homem. São as mulheres
que sustentam economicamente e afetivamente o desenvolvimento
dos filhos. Você sabe que esta é uma tarefa muito
difícil. O que se pretende é dar autonomia para
a mulher quando ela não deseja mais ter filhos. Mesmo nas
famílias onde existe uma estabilidade conjugal, é
sobre a mulher que recaem os maiores encargos de criação
dos filhos. Nas famílias de classe média, bem informadas,
esse problema quase não existe, pois as decisões
na maioria das vezes são tomadas em comum acordo. O problema
se verifica mais nas uniões não estáveis,
nas quais inclusive as mulheres têm um maior número
de filhos. Nas famílias de baixa renda, a mulher tem uma
média de quatro filhos. Nas famílias de classes
média e alta, a média é de menos de dois
filhos por mulher. Essa é a nossa realidade.
(10:34) Procópio Corrêa: Sou a favor da idade mínima
aos 18 anos, pois se a pessoa é responsável civilmente,
ela ou ele poderá escolher se quer ou não a esterilização,
seria uma melhor proposta, creio. Outro ponto é por que
também não entra em pauta o ensino de meios contraceptivos
para crianças a partir da 4ª série do ensino
fundamental, pois aos 10 anos sei que a maioria das crianças
sabe o que é sexo, só falta saber as responsabilidades
do mesmo. Já foi estudada esta proposta?
(10:51) Dep. Trindade: Procópio, aos 18 anos, a vida ainda
se descortina muito intensamente e há perspectivas de situações
completamente inesperadas para um jovem. Uma decisão pela
esterilização, que é um método radical
por não ter volta, tomada nessa idade pode não ser
a melhor alternativa. Existem inúmeros casos de arrependimento
tanto de homens quanto de mulheres que já fizeram a esterilização
observando a idade mínima hoje de 25 anos. Essas pessoas
buscam desesperadamente tentar reverter sua situação
de estéril. Há casos de famílias que são
dizimadas por um acidente, por exemplo, e a mãe ou o pai,
sobreviventes, gostaria muito de constituir uma nova família.
Não são poucos exemplos como esse, por isso, a prudência
em apenas permitir a esterilização para pessoas
com mais experiência. Aos 18 anos, o indivíduo pode
usar métodos anticoncepcionais e fazer o seu planejamento
familiar sem nenhum problema. Quanto à educação
sexual, este é um dos pontos que propomos no PL 313/07.
A proposta adiciona ações de educação
sexual e planejamento familiar nas escolas de ensino médio
e fundamental.
(10:36) KOCHE: PARA CONSEGUIREM UM CONTROLE DE NATALIDADE EFICAZ,
SIMPLESMENTE DEVEM LIBERAR A VASECTOMIA E A LAQUEADURA. DAÍ
SIM ACREDITO EM UM CONTROLE DE NATALIDADE, O RESTO É TUDO
MANOBRA ELEITOREIRA.
(10:58) Dep. Trindade: Koche, nosso projeto aborda o planejamento
familiar e a oferta dos métodos contraceptivos em todos
os postos de saúde e a obrigatoriedade dos gestores do
SUS, prefeitos ou secretários de saúde, de disponibilizá-los,
inclusive os métodos cirúrgicos (vasectomia e laqueadura).
Isso difere do controle da natalidade onde o Estado determina
a quantidade de filhos, punindo a família que não
o cumpra, como é o caso de países como a China,
onde só se pode ter um filho. No Brasil, como um todo,
não há explosão demográfica, pois
o crescimento populacional está na taxa entre 1,5 a 2%,
o que significa um crescimento vegetativo, embora já haja
explosão demográfica localizada nos bolsões
das periferias das cidades e zonas rurais, onde o índice
chega a alarmantes 8%. Portanto, o que queremos é a disponibilização
de todos os métodos para todos, sem a obrigatoriedade ainda
do seu uso, pois somos um país democrático.
(10:37) Carlos Fala com Dep. Trindade: Deputado, o ministro da
Saúde não concorda com a redução da
idade para esterilização, proposta no seu projeto.
Para ele, isso seria controle de natalidade. O que o senhor tem
a dizer?
(10:53) Dep. Trindade: Carlos, o ministro referiu-se ao projeto
do Senado onde a redução seria para 18 anos, o que
eu também não concordo. Mas, sendo o Congresso uma
casa de debates, todos poderão dar suas opiniões,
defendendo-as, inclusive o ministro dará subsídios
sobre por que não reduzir a idade para cirurgias de laqueadura
e vasectomia. Ocorre que hoje qualquer pessoa de classe média
ou alta que queira fazer as referidas cirurgias as fazem. Esse
acesso é negado apenas às pessoas que dependem da
oferta do Estado. Sendo que o Brasil é um país imenso,
principalmente o Nordeste, onde milhares de mulheres têm
seus filhos aos 12 e 13 anos, chegando à faixa dos 23 com
cinco ou seis filhos em virtude da falta de acesso aos métodos
reversíveis nos postos de saúde e já dando
por encerrada sua carreira reprodutiva, motivo pelo qual certamente
optariam pela cirurgia.
(10:51) marcia: Por que as mulheres com pouca idade e com um
número avançado de filhos não pode ser operada
pra não ter mais filhos?
(11:09) Dep. Trindade: Marcia, a Lei 9263 de 1996, que regulamentou
o planejamento familiar no Brasil, já garante o acesso
à cirurgia de vasectomia ou laqueadura para pessoas com
25 anos ou dois filhos. Portanto, pessoas com 18 anos mas que
tenham dois filhos, pelo menos, já poderiam optar pela
cirurgia. Infelizmente, o governo tem dificuldade de dar acesso
aos hospitais a essa população e muitos hospitais
e secretários de saúde ainda desconhecem essa garantia
dada pela lei às famílias. Desde já, mesmo
antes da alteração proposta pelo meu projeto, e
o trabalho da frente parlamentar que ora eu coordeno para divulgar
esses direitos, os interessados poderão procurar o Ministério
Público, solicitando que seus prefeitos providenciem o
cumprimento desta lei.
Aborto
(10:16) Luísa 1: Deputado, qual é a sua opinião
sobre aborto?
(10:17) Dep. Trindade: Luísa 1, sou a favor do planejamento
familiar, que é justamente para evitar o aborto.
(10:17) Procópio Corrêa: Sr. Deputado, qual é
realmente o meio que será utilizado para a proposta de
legalização do aborto e quais os critérios
que serão usados para uma pessoa fazer aborto? Qual a idade
mínima para fazer o aborto?
(10:20) Dep. Trindade: Procópio, a frente não propõe
legalizar o aborto, mas colocar todos os métodos de contracepção
acessíveis a toda a população para que os
casais possam planejar adequadamente o número de filhos
que quer ter. A discussão sobre o aborto é outro
tema que, por enquanto, não está na pauta da frente
parlamentar.
(10:34) Fabio: Deputado, a reprodução assistida
não está regulamentada por lei no Brasil, o que
gera problemas, como o caso do destino dos embriões congelados
nas clínicas e não utilizados para a fecundação.
A frente atuará para resolver essa situação?
(10:44) Dep. Trindade: Fabio, a discussão sobre os embriões
já está sendo realizada há muito tempo na
Câmara, principalmente com a Lei de Biossegurança,
já aprovada em março 2005 (Projeto de Lei 2401/03).
A lei permite a pesquisa com embriões humanos desde que
sejam considerados inviáveis ou congelados há pelo
menos três anos com consentimento dos genitores. Mande seus
dados (e-mail) que enviaremos pra você mais informações
referentes a esse tema.
(10:59) Procópio Corrêa: Sr. Deputado, meu e-mail
é <procopiobr@hotmail.com>. Se possível me
envie sobre a discussão sobre a lei que permite a pesquisa
com embriões humanos desde que sejam considerados inviáveis
ou congelados há pelo menos três anos com consentimento
dos genitores e outras propostas sobre o planejamento familiar.
(11:10) Dep. Trindade: Procópio, seu e-mail já
foi registrado e entraremos em contato. Obrigado.
(10:51) valdecir: Prezado Deputado Trindade, gostaria que o governo
socorresse aquelas gestantes que gostariam de dar à luz,
mas por algum motivo se vêm forçadas a abortar.
(11:18) Dep. Trindade: Valdecir, sua preocupação
com as gestantes "forçadas a abortar" é
muito louvável. Provavelmente são forçadas
a abortar por questões tanto pessoais, afetivas, sociais
e talvez principalmente econômicas. É uma situação
em que a mulher está bastante fragilizada e precisando
de auxílio. É um quase desespero. O ideal é
evitar que essas situações se criem e o planejamento
familiar é a alternativa adequada. A questão do
aborto precisa de maiores discussões. É muito polêmica
e envolve crenças e conhecimentos, posições
políticas, filosóficas e religiosas. Atualmente
o aborto é crime no Brasil. Em muitos outros países,
não é mais justamente porque se entende que essas
situações como essa que você alude não
são desejadas por ninguém. A descriminalização
do aborto é um caminho que esses países adotaram.
Ela elimina o fato da pessoa cometer crime quando, em desespero,
lança mão do aborto. Mas essa questão que
precisa ser bastante discutida pela sociedade.
(11:05) Sílvia: Deputado, por que além do planejamento
familiar, não se legaliza o aborto? A prática ocorre
mesmo no País, debaixo dos panos. Fazer ou não vai
da consciência de cada mulher e de cada médico. O
que não podemos ter é mulheres morrendo por causa
de abortos malfeitos.
(11:21) Dep. Trindade: Sílvia, certamente uma das intenções
da implantação real do planejamento familiar no
Brasil, dando acesso a toda a população dos métodos
anticoncepção, inclusive cirúrgicos, é
diminuir enormemente os abortos no País, que ocorrem principalmente
junto à classe social mais pobre, pois não tem informação
ou acesso a esses métodos. Há vários projetos
em tramitação no Congresso sobre o tema aborto,
que é polêmico, por isso a tramitação
é lenta e de debates calorosos, inclusive junto à
sociedade. Assim nos impulsiona a trabalharmos o planejamento
para desde já diminuirmos a alta mortalidade que ocorre
com os abortos clandestinos. Independentemente, precisamos facilitar
o acesso médico à assistência as mulheres
que estão em processo de aborto, independente da causa,
e evitar que mulheres sejam presas por terem abortado, como ainda
ocorre no Brasil. Certamente nenhuma mulher aborta como opção
de planejamento familiar, e sim por desespero.
(11:08) Procópio Corrêa: Sr. Deputado, sei que a
questão em pauta aqui é o planejamento familiar,
mesmo assim, creio que deveríamos fazer um plebiscito sobre
o aborto, pois sabemos que esse é uma prática corriqueira
em grandes centros no Brasil.
(11:26) Dep. Trindade: Procópio Corrêa, há
vários projetos em tramitação no Congresso
sobre o tema aborto, que é polêmico, por isso a tramitação
é lenta e de debates calorosos, inclusive junto à
sociedade. Assim, nos impulsiona a trabalharmos o planejamento
para desde já diminuirmos a alta mortalidade que ocorre
com os abortos clandestinos. Independentemente, precisamos facilitar
o acesso médico à assistência as mulheres
que estão em processo de aborto, independente da causa,
e evitar que mulheres sejam presas por terem abortado, como ainda
ocorre no Brasil. Certamente nenhuma mulher aborta como opção
de planejamento familiar, e sim por desespero. Concordo com o
plebiscito pela importância e grande divergência que
há sobre o tema, onde todos poderão colocar e defender
suas opiniões. Como o Brasil é um país plural,
deverá ser feita a vontade da maioria.
(11:10) Pedro Pereira: Sr. Deputado, na perspectiva do aborto,
como assunto de saúde pública, como a frente parlamentar
pensa uma política de redução de danos, para
os milhares de abortos ilegais realizados?
(11:27) Dep. Trindade: Pedro Pereira, há vários
projetos em tramitação no Congresso sobre o tema
aborto, que é polêmico, por isso a tramitação
é lenta e de debates calorosos, inclusive junto à
sociedade. Assim nos impulsiona a trabalharmos o planejamento
para desde já diminuirmos a alta mortalidade que ocorre
com os abortos clandestinos. Independentemente, precisamos facilitar
o acesso médico à assistência as mulheres
que estão em processo de aborto, independente da causa,
e evitar que mulheres sejam presas por terem abortado, como ainda
ocorre no Brasil. Certamente nenhuma mulher aborta como opção
de planejamento familiar, e sim por desespero.
(11:11) Sílvia: Hoje quem pode paga pelo aborto em clínicas
modernas. Quem não tem dinheiro se dá mal e corre
risco de morrer. Por que não promover a igualdade de condições
com a legalização?
(11:32) Dep. Trindade: Sílvia, embora a Frente Parlamentar
pelo Planejamento Familiar trate do estudo das leis sobre planejamento
familiar e lute pela implantação dos métodos
em todos os municípios brasileiros, disponibilizando assim
métodos para que as pessoas evitem a gravidez indesejada,
diminuindo portanto imensamente a realização de
abortos no País, esses métodos, assim como a realização
de abortos, é de fácil acesso, como você disse,
às categorias sociais mais altas. Infelizmente ambos são
dificultosos para os mais carentes. Assim, defendemos a assistência
médica às mulheres em processo de aborto, evitando
a mortalidade e também a prisão de mulheres que
tenham realizado abortos, pois é um momento de fragilidade
e nenhuma mulher faz aborto como um método anticoncepcional,
e sim por desespero. Assim, concordo com a realização
de um plebiscito para a ampla discussão sobre o tema.
(11:18) Sílvia: Deputado, quanto o País gasta hoje
em curetagens pós-abortos clandestinos? Quanto gastaria
se o aborto fosse legalizado?
(11:35) Dep. Trindade: Sílvia, não temos neste
momento à mão dados relativos aos gastos com curetagens
pós-abortos. Sabemos que são realizadas pelo SUS
cerca de 230 mil curetagens a cada ano. Não sabemos exatamente
quantas dessas curetagens estão relacionadas com tentativas
de aborto. Há estimativas de que são realizados
anualmente cerca de 2 milhões de abortos clandestinos.
Sabemos também que as classes média e alta conseguem
realizar seus abortos em clínicas bem aparelhadas e com
profissionais preparados. A maior parte das curetagens atendidas
pelo SUS são realizadas em mulheres pobres. Também
é difícil estimar gastos no Brasil se o aborto fosse
legalizado. Como essa prática hoje é crime, não
temos nem previsão oficial de custos deste procedimento.
Religião
(11:13) Carlos: Deputado, gostaria de fazer uma consideração:
muitas pessoas criticam a postura da Igreja ao proibir o uso da
camisinha. Porém, admitir o uso da camisinha é,
para a Igreja, admitir a quebra dos dogmas da fidelidade no casamento
e da virgindade pré-nupcial. Seria o mesmo que o islamismo
permitir o consumo de carne de porco porque há muitas pessoas
passando fome no mundo. O Estado brasileiro é laico e ninguém
é obrigado a ser católico. Qual a opinião
do senhor sobre isso? A igreja tem ou não o direito de
professar livremente a sua fé?
(11:36) Dep. Trindade: Carlos, embora a Igreja tenha direito
a professar livremente a sua fé e defender suas opiniões,
pois estamos em um País democrático, também
nos cabe termos as nossas e defendê-las. Pois muitos padres
com os quais inclusive eu trabalho divergem da opinião
do Vaticano, que está na contramão do cotidiano
de nossa população. A camisinha, além de
método anticontraceptivo, também evita doenças
sexuais e sua disponibilização pelo governo não
implica estímulo à infidelidade, cabendo, sim, às
igrejas trabalhar a formação das pessoas para seus
temas, como infidelidade e virgindade.
(11:18) Pedro Pereira: Sr. Deputado, como o Sr. enxerga a intervenção
da moral religiosa na definição de políticas
públicas para o aborto?
(11:39) Dep. Trindade: Pedro Pereira, embora a Igreja tenha direito
a professar livremente a sua fé e defender suas opiniões,
pois estamos em um País democrático, também
nos cabe termos as nossas e defendê-las. Pois muitos padres
com os quais inclusive eu trabalho divergem da opinião
do Vaticano, que está na contramão do cotidiano
de nossa população. A Igreja Católica chega
a aventar a possibilidade absurda de voltar a rezar missas em
latim, em um mundo onde ninguém mais fala essa língua.
Portanto, continuaremos na defesa de nosso ponto de vista, enfrentando
as opiniões opostas para que possamos ter uma lei abrangente
onde as pessoas tenham disponível os métodos que
lhes convier, cabendo a cada instituição (igrejas
ou outras) trabalhar na tentativa de convencimento das pessoas
para usá-los ou não, e não ditatorialmente
impedir o seu uso, até mesmo por meio da coação
psicológica.
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