Confira abaixo as perguntas que foram respondidas pela coordenadora
da Frente Parlamentar de Combate à Pirataria, deputada
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) . Para facilitar a leitura,
o bate-papo se compõe de três blocos: pirataria
e contrabando, prejuízos e combate ao crime.
Pirataria e contrabando
(10:04) Gustavo: Bom dia, Sra. Deputada, primeiramente
gostaria de saber o que é considerado pirataria?
(10:07) Dep Vanessa: Gustavo, são produtos falsificados
que abastecem o mercado clandestino, trazendo diversos prejuízos
para o País, como a sonegação fiscal
e o desemprego. Em alguns casos, é um perigo para
a saúde da população, quando nos deparamos
com a falsificação de medicamentos, por exemplo.
(10:12) Claudia: Quais os produtos mais pirateados no Brasil
e qual a origem da maioria deles?
(10:21) Dep Vanessa: Claudia, no geral, diversos produtos
são pirateados no Brasil. Oitenta por cento do mercado
é abastecido por meio do contrabando. Mas, sem dúvida,
produtos como CDs são os mais falsificados. Para
você ter uma idéia, 60% do mercado nacional
já está dominado pelo produto pirata.
(10:16) Claudia: A ameaça dos produtos chineses
ao mercado nacional também se configura na questão
da pirataria?
(10:28) Dep. Vanessa: Claudia, não são todos
os produtos chineses que são pirateados. Alguns produtos,
como CDs, são importados da China a preços
muito abaixo do custo de produção do mercado
mundial. Nesse caso, a Receita Federal tem papel importante
para evitar a entrada desses produtos no mercado brasileiro,
porque o negócio acaba se caracterizando como sonegação
fiscal.
(10:19) Claudia: Deputada, por favor, esclareça
a relação entre pirataria e contrabando.
(10:33) Dep Vanessa: Claudia, a pirataria é a falsificação
de produtos. Já o contrabando é o produto,
pirateado ou não, que entra ilegalmente no País.
A relação entre os dois é muito próxima.
Na minha opinião, são irmãos gêmeos.
Isso porque 80% do mercado ilegal no País é
abastecido por produtos contrabandeados, que entram no Brasil
através dos portos e fronteiras. E o que é
pior: tanto um quanto o outro estão ligados ao crime
organizado, como o narcotráfico.
(10:24) marcos: Como são encaradas pela lei as máquinas
que tocam músicas digitais escolhidas pelos fregueses
em bares e restaurantes, altamente disseminada?
(10:38) Dep Vanessa: Marcos, esse tipo de comércio
deve ter a fiscalização do Ecad, que é
o órgão encarregado de fiscalizar direito
autoral. Se estiverem fora dessas normas, creio que deva
haver repressão policial.
(10:42) Gustavo: Deputada, qual é o setor mais prejudicado
pela pirataria? Podemos dizer que a China é o maior
falsificador do mundo?
(10:45) dep Vanessa: Gustavo, eu não afirmaria isso.
Não há elementos suficientes para dizer isso.
As mercadorias que chegam no Brasil têm origens diversas,
de uma boa parte da Ásia, mas Ásia não
é só China, Taiwan, Tailândia, etc.
(11:04) Maurício: Deputada, não me leve a
mal, mas não duvido de que até mesmo a senhora
possua algum produto pirata, seja um CD, um perfume ou mesmo
uma réplica de bolsa Louis Vuitton.
(11:06) Dep. Vanessa: Maurício, não possuo
nenhum produto pirata e nem é porque estou na Frente
de Combate à Pirataria. Gosto de produtos de boa
qualidade. A pirataria não me oferece essa opção.
(11:09) Maurício: Sei que isso pode parecer hipócrita
e anti-ético no seu caso, deputada, mas a senhora
há de convir que hoje em dia, apesar da ainda existirem
produtos piratas com falsificação grosseira,
a senhora há de convir que também existem
muitos que são muito bem falsificados e muitas vezes
é difícil perceber a diferença em relação
ao original.
(11:12) Dep. Vanessa: Maurício, percebe-se a diferença
do produto original para o pirata pelo preço. O pirata
é bem mais barato.
(11:16) Maurício: E como acredito que a senhora
não ande acompanhada de um técnico especialista
em falsificações, é muito provável
que ao passear pela "feira dos importados", por
exemplo, não tenha adquirido algum produto pirata
... sendo assim , produtos denominados como réplicas
podem ser enquadrados na categoria dos pirateados? Ou seja,
as réplicas são legais? É o caso das
jóias por exemplo, cujas réplicas são
comercializadas legalmente.
(11:20) Dep. Vanessa: Maurício, não temos
informação sobre a questão específica
das jóias. Vamos pesquisar. Entre em contato conosco
pelo e-mail dep.vanessagrazziotin@camara.gov.br
Prejuízos
(10:08) Gustavo: Em relação aos CDs: a senhora
não acha que é muito mais saudável
para a economia manter diversas famílias pobres vendendo
discos piratas do que preservar os artistas, que já
são supervalorizados? E os empregos gerados pela
pirataria?
(10:11) dep Vanessa: Gustavo, na verdade não existe
emprego gerado pela pirataria. O que existe é o subemprego,
com pessoas que não têm carteira assinada e
que não têm direito à aposentadoria.
Se não fosse essa prática criminosa, essas
pessoas estariam trabalhando legalmente em fábricas
de produção de CDs. A nossa preocupação
não é quem ganha ou deixa de ganhar, mas os
artistas também têm direitos, por serem autores
das músicas.
(10:11) Claudia: Deputada, bom dia. Quanto se perde, no
País, com a pirataria? Em relação a
prejuízos de empresas e desemprego.
(10:20) Dep. Vanessa: Claudia, o País perde R$ 130
bilhões por ano com a pirataria e a sonegação
fiscal, segundo a Federação das Indústrias
de São Paulo (Fiesp). Também se perdem empregos
formais. Diante da pirataria, o País deixa de gerar
1,5 milhão de empregos por ano. As empresas sofrem
com a concorrência do produto pirata, que não
paga imposto. Muitas fecham as portas.
(10:23) Gustavo: Quantas pessoas perderam o emprego nos
últimos anos no Brasil em decorrência da pirataria?
Quanto o país deixou de arrecadar em tributos?
(10:34) Dep. Vanessa: Gustavo, o Brasil ocupa o 15º
lugar no ranking mundial de consumo de produtos piratas,
deixando de recolher cerca de R$ 130 bilhões em tributos.
O País também deixa de criar 1,5 milhão
de novos empregos formais a cada ano. Para se ter uma idéia,
só com a pirataria de música, 56 mil postos
de trabalho foram fechados nos últimos tempos.
(10:49) Gustavo: E qual é o setor mais prejudicado
pela pirataria?
(10:53) Dep Vanessa: Gustavo, o setor da indústria
de CDs, software, vestuário, autopeças e muitos
outros, como medicamentos, que constituem o maior perigo
para a saúde pública. No caso do CD, 60% de
mercado está dominado por produtos pirateados. Isso,
por exemplo, provocou o desemprego de mais de três
mil trabalhadores no pólo industrial de Manaus, que
concentra 90% da produção nacional de CDs
comerciais
Combate ao crime
(10:05) JoseAntonio: Bom dia, deputada. O que tem sido
feito para evitar a pirataria no país?
(10:08) Dep. Vanessa: José Antonio, avançamos
nos últimos anos no combate à pirataria. Boa
parte das sugestões da CPI, que concluiu os trabalhos
em 2004, estão sendo operacionalizadas pelo governo
federal. Temos o Conselho Nacional de Combate à Pirataria,
além de uma participação efetiva de
entidades e do Legislativo.
(10:11) JoseAntonio: Então, por que não há
uma fiscalização intensa contra a venda aberta
de produtos pirateados em locais conhecidos, como a 25 de
Março em São Paulo e a Feira do Paraguai em
Brasília?
(10:18) Dep Vanessa: José Antônio, a política
de repressão a esse tipo de crime se intensificou
a partir da CPI da Pirataria na Câmara, no ano passado.
Na ocasião, nós, deputados, com o apoio da
Polícia Federal, desbaratamos diversas quadrilhas
que atuavam nesses locais. No caso específico de
São Paulo, o resultado dessas operações
levou à prisão de Law Kin Chong - o maior
contrabandista do País. A partir deste ano, com a
criação do Conselho Nacional de Combate à
Pirataria, órgão vinculado ao Ministério
da Justiça e fruto de uma proposta da CPI, a repressão
a esse tipo de crime aumentou.
(10:12) Piratão: Deputada de que adiantam leis para
o combate a pirataria se as mesmas não são
cumpridas. Vemos camelôs em todos os lugares das ruas.
O problema é do executivo ou as leis são falhas?
(10:22) Dep. Vanessa: Piratão, para que as leis
funcionem falta fiscalização, que é
tarefa do Executivo. Destaque-se que o governo criou o Conselho
Nacional de Combate à Pirataria. Além disso,
a Receita Federal e a Polícia Federal têm se
empenhado na fiscalização e no combate ao
crime. Necessita-se, por outro lado, aprimorar a legislação,
para regulamentar a ação da Receita Federal
e dos órgãos de repressão.
(10:12) Gustavo: Deputada, com o advento e a popularização
do preço dos gravadores de DVD e de CD, somados à
Internet, é impossível conter a pirataria
artística. Isso não muda o paradigma das gravadoras,
que terão de rever seus conceitos de comercialização?
Como combater a pirataria com o acesso à internet
e as esses aparelhos?
(10:22) dep Vanessa: Gustavo, realmente é difícil,
terão de ser feitos estudos mais aprofundados para
barrar esse tipo de pirataria. A questão da internet
é bastante complicada, pois não há
uma legislação vigente. Hoje o grande vilão
da pirataria continua sendo a venda de CDs e DVDs piratas.
Não há como ter um controle sobre a internet
justamente por não haver uma legislação
vigente. Além disso, esse tipo de cópia é
para uso pessoal. Pirataria só ocorre quando há
um lucro por trás da atitude.
(10:33) Deusdeth: Concordo com o Gustavo, as produtoras
e gravadoras terão de repensar a forma de comercialização
de seus produtos, os artistas terão de ganhar menos
para que consigam vender seus trabalhos originais, não
há como combater a pirataria em tempos de internet
e gravadores de CD e DVD cada vez mais baratos. No fundo
acho isso bom!
(10:14) JoseAntonio: O alto custo dos produtos originais
não é um incentivo ao consumo de produtos
pirateados? Por exemplo, um jogo de playstation II original
custa cerca de R$150 ao passo que um pirateado custa R$10.
(10:25) Dep. Vanessa: José Antonio, o produto original
custa mais caro porque paga o custo de produção.
Existem gastos com a equipe de criação dos
jogos, com os funcionários da produção
(formais), o que acarreta o custo mais elevado. Entretanto,
algumas empresas estão se esforçando para
baratear o custo dos produtos, para coibir a pirataria.
(10:16) Claudia: Há algum tipo de programa de combate
à pirataria, com intensificação das
fiscalizações e apreensões de produtos
piratas, promovido pelo governo ou entidades como Receita
e Polícia Federal?
(10:27) dep Vanessa: Claudia, sim, são vários.
Desde que se concluiu a CPI da Pirataria, o governo vem
tomando medidas efetivas de combate à pirataria.
A criação do Conselho Nacional de Combate
a Pirataria, a própria Polícia Federal e a
Receita Federal vêm se equipando para o combate a
essa prática. Nesses dois últimos anos milhões
de produtos falsificados foram apreendidos pela PF, que
apenas aguardam decisão judicial para serem destruídos.
Espera-se que, agora no final do ano, realize-se a maior
destruição de produtos falsificados no mundo,
em comemoração ao dia nacional ao combate
da pirataria e biopirataria, no dia 3 de dezembro.
(10:29) Claudia: Deputada, então, qual a média
de produtos piratas que se pretende destruir no dia 3 de
dezembro?
(10:40) Dep. Vanessa: Claudia, a maior destruição
até o momento foi de cerca de 2 milhões de
produtos falsificados, este ano no Rio de Janeiro. Agora,
a frente e as entidades de combate à pirataria quer
fazer no próximo dia 3 de dezembro - que é
considerado dia nacional de combate à pirataria e
biopirataria - a destruição de pelo menos
3 milhões de produtos.
(10:13) Adão: Eu possuo a carta Patente P.I. 9403741-8
cujo produto está sendo violado em sua compra por
um órgão público municipal. Como nos
proteger ou acreditar no combate à pirataria se a
mesma é praticada dentro do próprio governo?
(10:22) Adão: No caso por mim colocado acima, a
prefeitura foi notificada oficialmente da Carta Patente,
entramos com todos os recursos cabíveis dentro da
esfera administrativa e, à revelia da Lei de Licitações
8,666 no artigo 25, o meu direito foi negado. O Estado poderá
sofrer as sanções previstas na Lei de Propriedade
Industrial? E como eu resolvo um assunto de extrema urgência
com esta justiça morosa que nosso país é
vítima? E, por fim, os custos com advogado para este
caso são altíssimos. Como continuar com a
demanda em face dos custos e do cerceamento do meu direito?
(10:29) Dep Vanessa: Adão, infelizmente isso acontece
em todos os setores, não só no que se refere
à propriedade industrial. No seu caso específico,
você deve recorrer à Justiça Federal,
por meio do Ministério Público Federal. Sugiro
ainda que você formalize essa denúncia no Conselho
Nacional de Combate à Pirataria, órgão
do Ministério da Justiça, e envie seu caso
para nosso gabinete, a fim de que possamos encaminhá-lo.
O endereço: dep.vanessagrazziotin@camara.gov.br.
Nosso telefone é 61 3215-5724. Ainda esclareço
que, no Parlamento, estamos estudando o aperfeiçoamento
da legislação para agilizar os processos.
(10:19) Piratão: Qual a participação
efetiva dos Deputados no Conselho Nacional de Combate à
Pirataria? Hoje em dia os deputados exercem alguma influência
ou são influenciados pelo conselho de alguma forma?
(10:31) Dep. Vanessa: Piratão, a Câmara tem
um representante no Conselho Nacional de Combate à
Pirataria. É o analista legislativo Silvio Silva
Souza. Vários deputados da Frente Parlamentar de
Combate à Pirataria também mantêm relação
de colaboração com o conselho.
(10:23) JoseAntonio: Se o Brasil perde R$130 bilhões/ano
com a pirataria, não compensaria investir muito mais
do que se tem investido na sua repressão? Não
é o caso que, quanto mais fiscalizar, maior o retorno
para o país? Não estão muito tímidas
as iniciativas atuais?
(10:37) dep Vanessa: Jose Antonio, você tem razão.
O investimento no combate é a melhor resposta para
o problema. De dois anos para cá, o aumento foi substancial
na repressão a essa prática. Entidades, governo,
Executivo vêm se organizando para o combate dessa
prática. A CPI da Pirataria foi a primeira resposta
do governo a essa prática. Foi criado um fórum
permanente, com mais de 80 entidades prejudicadas pela pirataria.
Órgãos como Polícia Federal e Receita
vêm se equipando de forma apropriada para combater
a pirataria. Equipamentos mais sofisticados vêm sendo
adquiridos. De dois anos para cá, foram apreendidos
mais equipamentos falsificados do que em toda a última
década.
(10:25) Piratão: Por que somente agora o Brasil
está se preocupando mais com a pirataria? Existem
alguma pressão por parte de outros países
para que isso ocorra?
(10:37) Dep. Vanessa: Piratão, nos últimos
anos houve um aumento muito grande da pirataria, daí
a preocupação brasileira com o assunto. Também
existe pressão internacional para que o País
passe a ter maior controle e combata a pirataria.
(10:33) Adriano: O Jose Antonio já destacou que
os produtos originais são muito mais caros que os
falsificados. Ninguém compra um tênis ou um
jogo de videogame falsificado porque quer contribuir com
o crime. A senhora disse que algumas empresas estão
se esforçando para baratear os custos dos produtos.
O que tem sido feito para baixar o preço de produtos
originais?
(10:45) Dep Vanessa: Adriano, essa questão é
fundamental e envolve o problema da alta carga tributária
no País, em torno de 38% do PIB, uma das mais altas
do planeta. A MP do Bem é uma das iniciativas no
sentido de reduzir essa carga. Mas, sem dúvida, nosso
maior desafio é promover uma reforma tributária
capaz de destravar o processo produtivo e promover o desenvolvimento.
Enquanto isso, a Frente Parlamentar de Combate à
Pirataria vem discutindo com diversos setores da indústria
a necessidade de um esforço para reduzir os preços.
Por outro lado, se houver redução do mercado
ilegal, essas empresas terão mais condições
de baixar os seus preços.
(10:39) Claudia: A pressão internacional seria por
parte das multinacionais, como as gravadoras e donos de
marcas famosas, como Nike e Louis Vuitton?
(10:43) Dep. Vanessa: Claudia, os Estados Unidos são
quem mais pressionam o Brasil no combate à pirataria.
Eles ameaçam retirar o País de seu sistema
geral de preferências. Por esse sistema, o Brasil
tem preferência na comercialização de
alguns produtos. A indústria brasileira teria muitos
prejuízos se fosse retirada desse sistema.
(10:44) João: Deputada, em relação
aos preços dos CDs, a senhora não acha que,
se fosse mais barato, a pirataria diminuiria e aí,
sim, seria a música POPULAR brasileira mais ouvida?
(10:50) Dep. Vanessa: João, concordo que, se os
preços dos CDs fossem mais baratos, a pirataria diminuiria.
Ocorre que a indústria fonográfica arca com
o preço da produção do CD, enquanto
o pirata só arca com os custos da cópia. Portanto,
pode vender a preço mais barato. Já existem
empresas legais que fazem promoção de CDs
para coibir a concorrência da pirataria.
(10:44) Adriano: Como a polícia, a Receita etc permitem
no Brasil o livre e óbvio funcionamento de templos
de produtos pirateados como a Feira do Paraguai, em Brasília,
o shopping Oi, em Belo Horizonte, e a 25 de Março,
em São Paulo? Quais as vantagens de manter esse enorme
mercado de produtos piratas? Que prejuízos haveria
se eles fossem sumariamente fechados e proibidos?
(10:50) dep Vanessa: Adriano, primeiro faltam um poder
de autoridade mais forte ao Estado. O que norteia as ações
dos órgãos repressivos ainda pé uma
forma de não radicalizar, e buscar o fechamento desses
estabelecimentos aos poucos. Achamos que durante a CPI demos
um a grande colaboração quando conseguimos
fechar inúmeros desses estabelecimentos, que infelizmente,
foram reabertos logo em seguida. Estamos atuando junto ao
governo, cobrando que as ações de repressão
sejam permanentes para diminuir o poder desses estabelecimentos,
dessas gangues e assim poder fechá-los. Podemos citar
como exemplo, que é o mais grave, a Ponte da Amizade.
(10:51) Made in Brazil: Deputada, como tem sido o trabalho
do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos,
órgão sugerido pela CPI da Pirataria?
(10:56) Dep. Vanessa: Made in Brazil, o trabalho do Conselho
Nacional de Combate à Pirataria tem sido intenso.
O órgão vem desenvolvendo ações
como a listagem de 99 itens de prioridades. Eles já
fizeram o levantamento de toda a prática de pirataria
no Brasil. Em conjunto com as entidades de combate ao crime,
o conselho promove seminários, campanhas educativas
para informar sobre os malefícios da pirataria. O
secretário executivo do conselho, Marcio Gonçalves,
vem viajando pelo Brasil para discutir formas de combate
à pirataria e suas conseqüências.
(10:54) menke: Hoje no Brasil existe uma cultura de que
a compra de produtos piratas através de ambulantes
está ajudando o sustento destas famílias,
como reeducar a população para não
adquirir produtos piratas?
(11:00) Dep Vanessa: Menke, você falou na palavra-chave:
a educação. Os diversos setores da sociedade
envolvidos no assunto, capitaneados pela Frente Parlamentar
de Combate à Pirataria, estão elaborando uma
ampla campanha nacional de conscientização
sobre os malefícios causados por esse tipo de crime
ao País e à sociedade. No caso dos ambulantes,
sabemos que são vítimas do atual modelo econômico
do País, que causa alto índice de desemprego.
Precisamos explicar que, combatendo a pirataria, milhares
de postos de trabalho serão criados no mercado, e
isso possibilitará a entrada do ambulante na economia
formal. Pelos cálculos oficiais, atualmente 40 milhões
de trabalhadores estão no mercado informal.
(10:57) Adriano: Quais são as maiores dificuldades
que a Receita Federal e a Polícia Federal enfrentam
no combate à pirataria? A CPI da Pirataria sugeriu
algumas mudanças na legislação para
facilitar o trabalho da Receita. O que foi feito?
(11:04) Dep. Vanessa: Adriano, acredito que umas dificuldades
no combate à pirataria é a falta de pessoal
especializado no crime e também a falta de equipamentos
mais sofisticados. Essas dificuldades, no entanto, vêm
sendo superadas nos últimos dois anos. Vários
equipamentos, como máquinas de raio-X e detector
de metais, vêm sendo adquiridos pela Polícia
Federal e pela Receita Federal. Também tem havido
mais treinamento de pessoal em técnicas direcionadas
para a pirataria. A Receita também incluiu o CD no
chamado "canal cinza". Produtos incluídos
nessa categoria são mais fiscalizados que outros.
(11:02) Guilherme Rafare: Deputada, sou empresário
do setor de jogos eletrônicos, desenvolvendo jogos
para consoles e telefones celulares. Gostaria de saber quais
são as ações que estão sendo
tomadas para reduzir a carga tributária do setor
(que atualmente paga mais impostos do que uma máquina
de bingo) e deste modo reduzir os incentivos a importação
ilegal de produtos e incentivar a industria nacional.
(11:17) Dep Vanessa: Guilherme Rafare, várias medidas
provisórias trataram da redução de
tributos para a área de eletrônicos. O governo
tem inclusive colocado como prioridade a área de
produção de software. Está sendo estudada
a reintrodução, na MP 255, de alguns dispositivos
que estavam na MP 252, a chamada MP do Bem, que caducou.
A produção de software e o desenvolvimento
de tecnologias garantem um aumento da qualificação
tecnológica do País. Quanto aos incentivos,
o Ministério da Ciência e Tecnologia oferece
diversas linhas de incentivos fiscais para esse setor. Na
MP do Bem, até o pagamento dos salários dos
pesquisadores seria subsidiado. Você deve verificar
como o seu setor seria enquadrado nesses benefícios.
Entre em contato com o Ministério da Ciência
e Tecnologia (www.mct.gov.br) e verifique em quais programas
e linhas de incentivo fiscal sua empresa se enquadra.
(11:12) Guilherme Rafare: Deputada, sou bastante atuante
e participo de diversos grupos e organizações
de estudo e combate a pirataria de software. Invariavelemente
nossa conclusão é que faltam: (i) conhecimento
do legislativo na criação de leis adequadas
(ii) conhecimento do judiciário para aplicar a lei
e atribuir punições adequadas (iii) tributação
compatível e adequada sem estar sujeita a interpretações
(iv) interesse do Governo em incentivar a industria nacional
(11:23) Dep Vanessa: Guilherme, não podemos desconhecer
o avanço ocorrido no combate à pirataria,
principalmente depois da CPI realizada aqui na Câmara.
Agora, observo que você tem muitas contribuições
para o aperfeiçoamento desse combate. Nos próximos
fóruns de discussões, gostaria de contar com
a sua participação. Envie-nos seus contatos
para o nosso gabinete, cujo endereço é dep.vanessagrazziotin@camara.gov.br;
fone 61 3215-5724. Procure a nossa assessora Mariete.
(11:13) menke: Deputada, hoje existem em todas as capitais
brasileiras, locais oficializados pelos governos locais
para a venda de produtos piratas, como acabar com essa vergonha
que é o apoio de prefeituras e governos estaduais
à pirataria?
(11:23) Dep. Vanessa: Menke, nem todo comércio informal
é sinônimo de pirataria. Os camelôs também
vendem produtos fabricados pela indústria legal.
O combate, nesse caso, tem de ser específico. Para
citar um exemplo, o clube Atlético Paranaense fez
um acordo para que camelôs fossem seus parceiros e
vendessem a camisa original do time.
(11:18) Made in Brazil: Deputada, não seria preciso
aumentar a vigilância nas fronteiras do Brasil? Vejamos
o caso da febre aftosa. O Paraguai negou, mas o surto recente
da doença no Mato Grosso do Sul pode estar relacionado
ao contrabando de gado paraguaio.
(11:27) Dep. Vanessa: Made in Brazil, a Receita Federal
está ampliando a estrutura de fiscalização
em Foz do Iguaçu, principal porta de entrada de contrabando
e produtos piratas no País. Entretanto, a região
fronteiriça do Brasil é enorme. Temos que
aprimorar os acordos comerciais no âmbito do Mercosul
e a normatização da vigilância sanitária.
Só a repressão não basta.
(11:19) Made in Brazil: Qual é a pena para quem
falsifica produtos? Existe alguma pena para as pessoas que
compram produtos piratas?
(11:29) Dep. Vanessa: Made in Brazil, a pena para quem
falsifica produtos ainda é pequena. Ela varia de
dois a três anos de detenção. Para quem
compra, a pena é a mesma. A legislação
precisa ser mudada, inclusive para diferenciar o comprador
do fabricante/vendedor pirata.
(11:23) Guilherme Rafare: Deputada, eu estou bastante informado
sobre o que está acontecendo e as tentativas do Governo.
Entretanto, existe um GAP gigantesco entre a teoria e a
prática. Existem tributos, como o Imposto de Importação,
que são absurdamente elevados para o nosso setor
e que são excessivamente baixos para os bingos, por
exemplo. Isso, sem mencionar o alto custo de importação
de tecnologia, que é necessária para a produção
de novas tecnologias. Como o Governo pretende equalizar
este problema? Existe também a eterna disputa na
conceituação do software, se produto, sujeito
a ICMS, ou se serviço, sujeito a ISS. O que o governo
pretende fazer a este respeito?
(11:31) Dep Vanessa: Guilherme, essa questão entre
ICMS e ISS deve ser resolvida pela reforma tributária,
que não conseguiu ser votada, especialmente em relação
às múltiplas legislações existentes.
Quanto ao abismo entre o programa e a ação,
deve ser resolvido por meio de questões concretas.
Estou aberta a receber de você as sugestões
para o aperfeiçoamento do setor, propostas que permitam
que a indústria de software no Brasil possa efetivamente
se desenvolver.
(11:24) william: Deputada, Sabe-se que o grande estímulo
para a pirataria são os altos preços dos produtos
comercializados no Brasil. Muito em função
da estratosférica carga de impostos. Pergunta-se:
o que fazer para baratear o preço dos produtos no
mercado brasileiro?
(11:33) Dep. Vanessa: William, para baratear os preços
no mercado brasileiro, o primeiro passo é lutar pela
diminuição da carga tributária. A primeira
iniciativa do governo foi a chamada MP do Bem, que prevê
a redução de tributos para alguns setores
da economia. Parte do texto dessa MP será incorporado
à MP 255, que regulamenta a tributação
do plano de previdência complementar.
(11:29) william: Deputada, quais são os motivos
impeditivos de uma atuação eficaz na Feira
do Paraguai (a poucos quilômetros do Palácio
do Planalto), quando se sabe que ali há uma larga
comercialização de produtos pirateados?
(11:38) Dep Vanessa: Willian, deve ficar claro que a Feira
do Paraguai vende inúmeros produtos legais, inclusive
com nota fiscal. Quanto aos pirateados, concordo que deve
haver maior fiscalização da Receita Federal
e da Polícia Federal. Adianto que a Polícia
Federal criou departamento específico de combate
à pirataria e vem desenvolvendo treinamentos de seu
pessoal nesse sentido.
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