| Leia abaixo o bate-papo com o deputado Edinho Bez (PMDB-SC),
relator do projeto de lei do Ato Médico (PL 7703/06). Para
facilitar o entendimento, o chat está dividido em quatro
blocos: ato médico, outras profissões, população
carente e tramitação.
Ato médico
(15:13) Aristeu Araújo: Olá, gostaria de entender
quais são os principais argumentos a favor do Ato Médico.
Dep. Edinho Bez: Aristeu Araújo, os principais argumentos
a favor do Ato Médico são que a profissão
de médico não está regulamentada em seus
aspectos de campo de atividade. Ela existe legalmente, mas não
tem o detalhamento das atividades. É uma das únicas
profissões da área de saúde que não
têm esse detalhamento das atividades privativas. A iniciativa
do projeto de lei que veio do Senado proporcionou a oportunidade
de os demais segmentos da saúde se manifestarem.
(15:19) crhis: Independente de se criar mais uma lei, o senhor
não concorda que deveriam ser criadas leis para que sejam
solucionados os assuntos que tanto afligem a área da saúde,
como no caso do erro médico, negligência...
Dep. Edinho Bez: Chris, eu sou o relator do PL 7703/06 e não
vou me furtar da função de relatar uma matéria
que foi a mim distribuída e já foi amplamente discutida
no Senado. Vou fazer o melhor possível pensando na sociedade
brasileira. Quanto aos outros projetos que eventualmente poderiam
tratar de erro médico, por exemplo, te digo que esses assuntos
já são tratados no Código Penal. Mas continuou
aberto a sugestões, em especial no seminário que
realizaremos nos próximos 30 dias.
(15:22) Lenir Camimura - P: Deputado, quais os benefícios
que a aprovação do Ato Médico trará
para a população?
Dep. Edinho Bez: Lenir Camimura, será uma forma de delimitar
mais claramente a responsabilidade dos médicos pelos seus
atos.
(15:24) Flávio Augusto: Prezado deputado, o SUS prima
pela descentralização das ações de
saúde, o ato médico vai contra o SUS?
Dep. Edinho Bez: Flávio Augusto, é a primeira vez
que uma pergunta sobre a descentralização promovida
pelo SUS chega a mim e, portanto, será avaliada durante
a elaboração do relatório. Tenho grande preocupação
com os possíveis impactos que o projeto de lei pode causar
no SUS. Estamos iniciando os trabalhos.
(15:25) daniela: Se só um médico pode perfurar
e penetrar a pele e orifícios naturais do corpo, quer dizer
que este profissional ficará responsável por um
simples furo de orelha?
Dep. Edinho Bez: Daniela, boa pergunta sobre o furo da orelha.
Outros procedimentos que envolvem a penetração da
pele, como tatuagens e tratamentos estéticos, serão
por nós devidamente avaliados.
(15:27) Jornal Amrigs: Prezado Dep. Edinho: Considerando que
o médico tem um curso mais extenso e mais completo que
outras profissões da área da saúde, que o
habilita a diagnosticar e tratar as enfermidades, assim como orientar
a prevenção e reabilitação, penso
que não há dúvidas sobre esta prerrogativa
para a medicina de forma exclusiva. Principalmente levando em
conta a segurança da comunidade a ser atendida. Qual a
sua opinião a respeito?
Dep. Edinho Bez: Jornal Amrigs, não tenho dúvidas
quanto a sua afirmativa. Tenho expressado quanto a importância
do médico em todas as oportunidades. No entanto, na qualidade
de deputado federal e relator de uma matéria tão
complexa deverei ouvir todos os segmentos ligados à área
da saúde objetivando apresentar o melhor relatório
possível que atenda a sociedade.
(15:29) Viviane: O senhor já tomou alguma medida quanto
à participação dos médicos na administração
de hospitais?
Dep. Edinho Bez: Viviane, ainda estamos elaborando o relatório.
Entretanto, o projeto determina que a direção administrativa
de serviços de saúde não é função
privativa de médico.
(15:30) Jaqueline: Sr. Deputado! Gostaria de saber quais os conhecimentos
cinesiológicos, biomecânicos e cinesioterapêuticos
que os médicos detêm para fazer a reabilitação
de um paciente???
Dep. Edinho Bez: Jaqueline, o Conselho Federal de Fisioterapia
e Terapia Ocupacional já enviou informações
a respeito dessa matéria e dentro das emendas apresentadas
existe uma nesse sentido, que será analisada.
(15:30) Vanilde: Deputado, segundo o PL 7.703, os procedimentos
invasivos, como injeções, podem ser feitos por outros
profissionais desde que seja com prescrição médica.
Porém, as vacinas do PNI, na maioria das vezes aplicadas
por pessoal de enfermagem, são feitas sem prescrição.
Como ficaria isso com a aprovação do PL?
Dep. Edinho Bez: Vanilde, a aplicação de injeções
subcutâneas, intradérmicas, intramusculares e intravenosas
não são atos privativos dos médicos conforme
o parágrafo 5º, inciso I, do artigo 4º do projeto
7703/06, em discussão.
(15:31) sheila rochlin: Gostaria de perguntar ao deputado se
o projeto de lei que tramita regulamenta as atividades médicas,
suas responsabilidades, suas áreas de atuação?
Existe neste projeto alguma restrição à atividade
medica?
Dep. Edinho Bez: sheila rochlin, o projeto busca esclarecer quais
são as atividades privativas dos médicos. Essa é
a discussão principal. No entanto, existem procedimentos
definidos no projeto de lei, muito importantes na área
de saúde, que não estão sendo definidos como
privativos de médicos.
(15:31) Lenir Camimura: Deputado, como o Ato Médico vai
influenciar na formação das redes credenciadas dos
planos de saúde?
Dep. Edinho Bez: Lenir Camimura, serão convidados, para
as audiências públicas e o seminário que realizaremos,
representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria
de Saúde Complementar e de todos os segmentos que podem
ser afetados pelo projeto para que eles manifestem suas opiniões.
Nesse ínterim, vossa senhoria terá oportunidade
de participar dos encontros ou nos remeter sugestões.
(15:34) Guilherme: Não seria demais a proposta do CRM
de fazer o paciente passar num consultório médico
a cada vez que precisar de outro especialista? E os planos de
saúde como vão ficar? Sim, porque eles terão
que pagar as consultas médicas antes do paciente ir ao
especialista que deveria tratá-lo. Não se transformará
num problema econômico e, por conseqüência, social
a aprovação do ato médico?
Dep. Edinho Bez: Guilherme, essa proposta de passar sempre pelo
consultório médico antes de ir a outro profissional
já foi descartada pelo projeto aprovado no Senado. Portanto,
não haverá tal impacto nos planos de saúde.
(15:37) Alberto: Muito do que foi dito reflete preocupação
pecuniária. Não é necessário ampliarmos
a questão com objetivos de garantir segurança e
respeito aos pacientes?
Dep. Edinho Bez: Alberto, é essa a preocupação
deste relator. O principal objeto desse projeto deve ser o paciente
e a sociedade.
(15:37) carlos: Olá, deputado. Hoje existe legislação
que torna obrigatório a apresentação de receita
médica para venda de óculos de grau. Qual seu entendimento
sobre esta questão??
Dep. Edinho Bez: Carlos, em princípio essa situação
não se modificaria. No entanto, estamos abertos ao debate
para definir da melhor maneira questões como essa. V. Sª
terá a oportunidade de sugerir, inclusive nas reuniões
que teremos doravante.
(15:38) EDIMAR: Deputado, você alegou que o médico
tem o curso mais extenso e mais completo, e nos últimos
anos o número de erros médicos vem subindo cada
vez mais. Com essa lei sendo aprovada, aumentará o serviço
do médico podendo levá-lo a cometer mais erros.
O senhor não acha que isso será um grande problema?
Dep. Edinho Bez: Edimar, quem disse que o médico tem o
curso mais extenso e mais completo foi um internauta. Meu objetivo,
no relatório, é contribuir para que o número
de erros seja reduzido. No entanto, reconhecemos a importância
do médico e das demais profissões da área
de saúde.
(15:38) Guilherme: Na área administrativa, os médicos
só são capacitados se fizerem especializações,
portanto, não vejo por que os cargos de chefia devam ser
ocupados por eles, a não ser, lógico, em atividades
técnicas do exercício da medicina.
Dep. Edinho Bez: Guilherme, o projeto diz no parágrafo
único do art. 5º: a direção administrativa
de serviço de saúde não constitui função
privativa de médico.
Outras profissões
(15:12) daniela: Deputado, eu vi que os optometristas já
protestaram na Câmara contra o Ato Médico. No entanto,
a profissão deles não é regulamentada. Não
seria o caso de regulamentar profissões úteis à
saúde do brasileiro?
Dep. Edinho Bez: Daniela, Nós tivemos a primeira audiência
pública e estamos ouvindo individualmente cada segmento
através dos seus representantes e nos próximos 30
dias deveremos promover um seminário durante um dia inteiro,
no qual os representantes da optometria terão oportunidade
de relatar e tentar conscientizar os presentes dos direitos que
entendem ter. Vale lembrar que nós estamos analisando o
projeto 7703/06, vindo do Senado, que regulamenta a profissão
do médico e que não vamos, eu e a comissão,
medir esforços com o intuito de no mínimo buscar
o equilíbrio dos integrantes da área de saúde.
(15:13) Ronaldo: Para que a necessidade desse projeto se, na
verdade, as outras profissões já são impedidas
por lei de fazer diagnósticos e tratamentos? Elas já
agem ilegalmente hoje!!!
(15:14) Regina: Concordo com o Ronaldo. A aprovação
do Ato Médico não seria uma forma de mais irregularidades?
Dep. Edinho Bez: Ronaldo e Regina, o projeto aborda outros temas
além dos diagnósticos e tratamentos. Ele busca esclarecer
pontos ainda não regulamentados da profissão médica.
Importante lembrar que um projeto de lei que pretende regulamentar
alguma atividade abre uma discussão nacional e possibilita
que todos os segmentos interessados possam manifestar-se. Estamos
abertos a sugestões.
(15:14) Orlando: Há muita crítica ao PL do ato
médico, mas não se discute o PL do ato de enfermagem
(PL 3844/04), que está tramitando na CSSF. O relator (Dep.
Germano Bonow) apresentou parecer pela rejeição,
justamente porque a lei que regula a profissão da enfermagem
(Lei 7.498/1986) já define as atividades de caráter
privativo (8 atividades!) e as compartilhadas com a equipe de
saúde (11 atividades). Não vejo problema em definir
também para o médico sua área de atuação,
pois a lei que regulamentou a profissão médica,
no contexto da década de 50, não se preocupou em
definir atividades privativas.
Dep. Edinho Bez: Orlando, existem cerca de 300 projetos de lei
tramitando no Congresso de interesse de profissões da área
da saúde. Esse é o exercício de cidadania
da sociedade. Todos os projetos são discutidos e debatidos
e os interessados devem se manifestar e buscar interferir neles
de acordo com suas idéias.
(15:16) crhis: Não entrando no mérito da ilegalidade,
o senhor não pensa que o ato médico estaria monopolizando
algumas áreas que a princípio não seria viável
monopolizar, como no caso de um dentista não poder anestesiar
seu paciente em uma extração?
Dep. Edinho Bez: Chris, o projeto não impede o dentista
de anestesiar seu paciente. O parágrafo 6º do artigo
4º do projeto 7703/06 (Ato Médico) diz o seguinte:
"O disposto neste artigo não se aplica ao exercício
da Odontologia, no âmbito de sua área de atuação."
E o que é o artigo 4º? É o que trata das atividades
privativas do médico. O objetivo do projeto é discutir
as atividades que serão privativas do médico, sem
prejudicar a área de atuação de outras profissões.
Essa é a discussão principal. Precisamos de sugestões.
(15:18) Regina: O ato médico, da forma como está,
não privará o paciente de um tratamento multiprofissional
e interdisciplinar?
Dep. Edinho Bez: Regina, o trabalho a ser feito pela Comissão
de Trabalho está orientado por mim para justamente preservar
as atribuições das demais atividades da área
de saúde.
(15:19) sheila rochlin: Prezado deputado, gostaria de lembrar
tb a atuação de não médicos em laudos
de patologia, como em prevenção de câncer,
onde todo o laudo e suas conseqüências são atos
exclusivamente médicos.
Dep. Edinho Bez: sheila rochlin, já recebemos esse tipo
de sugestão e vamos debater no seminário que faremos
para que outros tenham a oportunidade de se manifestar a respeito.
Reitero que tenho consciência de que o trabalho na saúde
é um trabalho de equipe e que cada um deve se responsabilizar
por sua parte. Este é um dos desafios do meu relatório.
(15:19) Cássia: Olá, deputado... Você falou
pra Daniela que está tentando buscar um equilíbrio
entre os integrantes da área da saúde, mas vc acha
que com o ato médico isso vai acontecer?????? espero resposta.....
Dep. Edinho Bez: Cássia, os diálogos mantidos até
agora têm tido aprovação dos segmentos em
relação à iniciativa de procurar o equilíbrio
e pacificar os setores da saúde, objetivando atender a
sociedade brasileira. Lembro ainda que não temos tido nenhuma
reação negativa. Arrisco dizer que existe consciência
por parte de todos da complexidade do relatório que deveremos
apresentar. Com a participação e a boa vontade dos
segmentos e dos parlamentares, teremos condições,
utilizando todos os nossos esforços, de apresentar o relatório.
(15:19) Leticia: O que me parece mais restritivo desse projeto
é o fato de deixar brechas para interpretação
de que os serviços de saúde só poderão
ser coordenados por médicos.
Dep. Edinho Bez: Leticia, na verdade o meu relatório pretende
preservar todas as atividades ligadas à área de
saúde. Posso assegurá-la que esse não é
o meu objetivo. Não podemos ignorar a importância
do médico na área de saúde, mas consciente
também de que as demais profissões deverão
trabalhar de forma integrada e harmonicamente. Por exemplo, após
a cirurgia executada pelo médico, em seguida, o paciente
será assistido pelo enfermeiro e assim sucessivamente,
dependendo do diagnóstico que for feito.
(15:20) Alberto: Senhor Deputado, muito embora a polêmica
se espraie em que cada categoria faz ou poderá deixar de
fazer, pouco se fala sobre a responsabilidade do ato médico.
Se um dentista anestesia, como escrito lá em cima, deve
ser responsável e ter conhecimento necessário para
socorrer uma anafilaxia... Assim, não é o ato médico
uma regulamentação necessária a ser considerada
pelo profissional e pelo paciente?
Dep. Edinho Bez: Alberto, todos os profissionais de saúde
têm que ter formação em primeiros socorros
para atuar nos casos de choques anafiláticos. O projeto
7703/06 permite que, em caso de risco iminente de morte, qualquer
profissional ou pessoa que tenha conhecimento atue, conforme dispõe
o inciso VI do parágrafo 5º do artigo 4º.
(15:21) Flávio Augusto: Prezado relator, o PL 7.703/2006
fere o Art. 5° da Constituição, no seu inciso
XIII? Este inciso determina que é livre o exercício
de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas
as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
Dep. Edinho Bez: Flávio Augusto, o exercício profissional
é livre desde que não acarrete riscos à sociedade.
É justamente essa exceção que está
prevista no inciso citado, ao permitir a exigência de qualificações
específicas, estabelecidas em lei.
(15:21) Marcelo: Ao mesmo tempo em que está sendo discutido
o projeto do Ato Médico, tb está sendo discutido
o projeto que regulamenta a acupuntura. Porém, o projeto
do ato médico contraria o projeto que regulamenta a acupuntura,
pois este diz que a acupuntura deve ser multiprofissional e não
exclusivo de uma categoria como o projeto do ato médico.
Isto não é uma incoerência??
Dep. Edinho Bez: Marcelo, na verdade são dois projetos
distintos. O da acupuntura procura estruturar a profissão.
Nesse projeto do Ato Médico, em que sou relator, pretendo
preservar profissões que poderão ser regulamentadas
futuramente, mas não posso criar profissões, o projeto
é outro.
(15:24) Laenio Leal: Deputado, sou de Lauro Müller. Os decretos
de que os oftalmologistas se valem para nos perseguirem foi um
verdadeiro GOLPE, É DE 1932 e 1934. O nobre deputado concorda
que, se o ato médico passar com o Art. 4º inciso X,
será a repetição do GOLPE DE 1932 E 1934?
Dep. Edinho Bez: Laenio Leal, já realizamos uma audiência
pública, da qual participaram vários segmentos,
entre eles os optometristas. Essa questão certamente será
objeto de debate nas próximas audiências e seminários
que iremos realizar. Preciso informar que existem reações
nesse sentido, tanto por parlamentares quanto por outros segmentos
e que estamos iniciando os trabalhos, aguardando sugestões.
(15:24) Pedroo: Dep., poderia me explicar a influencia do ato
médico na Psicologia?
Dep. Edinho Bez: Pedroo, sou o relator da matéria e estou
ouvindo todos os setores pertinentes à saúde para
cumprir a minha missão parlamentar. Quem deve esclarecer
perante esse relator e convencê-lo, se o ato médico
afeta em algum ponto a Psicologia é o Conselho Federal
de Psicologia e estamos aqui para ouvi-los.
(15:25) Leticia: Gostaria de salientar ainda que o PL prevê
atividades como não privativas do médico, mas que
são já privativas de outras profissões. Por
exemplo, o diagnóstico psicológico é exclusivo
dos psicólogos, e o PL da maneira como está abre
a possibilidade também aos médicos. Isto contraria
legislações anteriores!!
Dep. Edinho Bez: Leticia, esse é um problema com o qual
teremos de lidar na elaboração do relatório.
Saiba que temos presente a preocupação de resguardar
as atribuições específicas de cada segmento
da área de saúde.
(15:25) crhis: Bem particularmente, o ato médico irá
frustar os demais profissionais que não poderão
exercer suas profissões para as quais estudaram anos, tendo
que ser dependentes de outros profissionais. Além do mais,
a população será a que mais ficará
prejudicada. Quando se trata de saúde pública, o
Brasil é um país que deixa muito a desejar, e as
pessoas que têm um pouco mais de condições
terão que recorrer a médicos como fazem hoje, só
com um grande diferencial terão que passar por mais de
um profissional, quando não se tratar de áreas clínicas.
Dep. Edinho Bez: crhis, sua dúvida é a minha preocupação
ao finalizar meu relatório. Pretendo que, ao final, como
disse anteriormente, as demais profissões sejam preservadas.
Não posso e não vou criar ou extinguir qualquer
outra profissão que esteja, ou não, estruturada.
Estou analisando unicamente o ato médico para que ele aperfeiçoe
as atividades do médico. Não acredito, entretanto,
que outros profissionais sejam impedidos de exercer suas profissões.
Quem determina quais e quantos profissionais devem ser consultados
será o diagnóstico da doença.
(15:26) Flávio Augusto: Como ficará a autonomia
das profissões de saúde??
Dep. Edinho Bez: Flávio Augusto, em princípio,
a autonomia de todas as profissões de saúde devidamente
regulamentadas será preservada.
(15:27) Graziele: Como o deputado informou, o Ato médico
procura uma regulamentação da profissão do
médico, p q então colocar à prova outras
profissões?
Dep. Edinho Bez: Graziele, a idéia não é
colocar outras profissões à prova, mas delimitar
um âmbito de atuação privativo do médico,
em consonância com as atribuições das demais
profissões de saúde.
(15:28) Regina: Acredito que uma regulamentação
maior no controle de prescrição de medicamentos
e diagnósticos seja interessante, mas não da forma
como consta no ato médico, pois parece uma reserva de mercado.
Não é porque o país tem cada vez mais faculdades
de medicina que precisa aumentar o poder destes médicos.
Até porque nem sempre eles são éticos...
Dep. Edinho Bez: Regina, minha preocupação é
justamente relatar um projeto de forma a preservar as competências
das outras profissões. Esse tema da medicação
também é objeto do nosso estudo, sobre o qual gostaríamos
de receber informações complementares. Temas como
esse serão analisados antes da elaboração
do parecer, inclusive em seminário que vamos realizar dentro
de um mês, aproximadamente.
(15:29) Alberto: Erroneamente se credita à proposta do
Ato Médico um cerceamento do exercício profissional
de outras categorias. Todavia, em vez de se restringir a uma discussão
renhida sobre atuação no mercado, poucos atentam
às noções de responsabilidade pelos atos.
Falou-se em negligência médica em um comentário
acima. E quando um paciente atendido por um psicólogo comete
suicídio, há negligência psicológica,
ou se uma prótese mal aplicada pelo fisioterapeuta, há
negligência fisioterápica? Questiono se há
multidisciplinaridade nas ações, também o
há na divisão das responsabilidades, ou se a falta
de uma decisão no ato médico pode ser partilhada
também por todos
Dep. Edinho Bez: Alberto, indiscustivelmente o trabalho em saúde
é feito em equipe e cada um dos profissionais da saúde
deve responsabilizar-se pelos seus atos. No entanto, estamos iniciando
os nossos trabalhos e o senhor Alberto terá a oportunidade
de nos remeter sugestões a respeito, que serão analisadas
por este relator.
(15:31) Alberto: Para prescrever uma medicação,
é necessário diagnosticar. Os profissionais que
prescrevem sabem os diagnósticos diferenciais para saber
qual medicação deve ser administrada?
Dep. Edinho Bez: Alberto, apenas os médicos, os dentistas
e os médicos veterinários têm a prerrogativa
de prescrever certos medicamentos e isto não está
em questão. Eles são preparados para fazer diagnósticos
diferenciais. A atuação médica de diagnosticar
e tratar das enfermidades é privativa da profissão
e ela está estruturada em diferentes especialidades para
chegar ao melhor diagnóstico.
(15:32) Lenir Camimura: Dep., será preciso fiscalizar
a atuação dos profissionais de saúde, quando
e se for aprovado o projeto? Quem fiscaliza? Quais as penalidades?
Dep. Edinho Bez: Lenir Camimura, cada profissão tem um
conselho federal e os conselhos regionais, que já atuam
como representantes do Estado na fiscalização do
exercício profissional de cada categoria regulamentada.
(15:32) Vanilde: Deputado, no PL a indicação de
procedimentos invasivos, como punções, é
privativo do médico. Como ficariam as solicitações
de exames complementares que são feitas por enfermeiros
no pré-natal por exemplo?
Dep. Edinho Bez: Vanilde, a respeito de punção,
existem emendas apresentadas por vários parlamentares.
Todas as emendas serão analisadas e discutidas nos eventos
que proporcionaremos.
(15:34) Pedroo: Hoje o trabalho em equipe multidisciplinar já
é difícil devido à arrogância médica.
Após o ato médico, como isso seria? O trabalho na
área da saúde regrediria do que tentamos hoje fazer
um trabalho horizontal para beneficiar o paciente e voltaria a
ser vertical, determinado pelo médico ao seu bem querer?
Dep. Edinho Bez: Pedro, na qualidade de deputado federal, representante
do povo brasileiro, eu digo que toda profissão tem que
estar a serviço da população. Se não
for assim, não estará correspondendo a sua qualificação.
(15:34) Nilton: Sou acadêmico do curso de Psicologia, participei
de alguns cursos onde ficamos sabendo da importância do
profissional de Psicologia em uma equipe médica, até
mesmo encaminhando os médicos para uma melhor condição
emocional dentro de suas funções. A aprovação
dessa nova lei, que dá direitos e poderes para os médicos,
o senhor não acha que afetará a classe de psicólogos?
Dep. Edinho Bez: Nilton, nossa preocupação é
exatamente evitar conflitos de atribuições entre
as diversas profissões da área de saúde.
Por esse motivo, estamos ampliando o máximo possível
a discussão, contando com a participação
dos órgãos representativos de cada segmento, através
das audiências e seminários que oportunamente serão
realizados.
(15:35) Alberto: Curioso que não é raro alguma
área solicitar atuação do médico para
correção de catéteres mal posicionados, diferir
um distúrbio de comportamento resistente com doenças
metabólicas etc. Não é o caso do ato médico
evitar que iatrogenias sejam causadas aos pacientes? Não
seria adequado pensarmos em profilaxia em vez de recuperação
de danos?
Dep. Edinho Bez: Alberto, a manifestação de vossa
senhoria, apesar de ser pertinente, não é objeto
do presente projeto de lei. Iatrogenia e procedimentos profissionais
que produziram algum resultado negativo são problemas de
todas as profissões da área da saúde e devem
ser tratadas e denunciadas pelos respectivos conselhos regionais
e federais.
(15:36) Vanilde: Deputado, o que o Sr. nos diz sobre os termos
diagnóstico nosológico e prescrição
terapêutica? Não são muito abrangentes? Até
uma mudança de posição do paciente no leito
pode ser terapêutico. Vamos ter que esperar a prescrição
médica para fazê-lo?
Dep. Edinho Bez: Vanilde, sua pergunta é interessante.
Existe emenda sobre esse assunto e está sendo apreciada
por este relator.
População carente
(15:19) daniela: Deputado, faz sentido falar em atividades privativas
de médicos em um país tão carente de profissionais
da área de saúde? Melhor seria incentivar o aperfeiçoamento
profissional de parteiras, por exemplo. Em muitos interiores,
onde não há obstetras, são elas a única
salvação de mulheres. E o que falar de farmacêuticos,
um profissional que estudou para atender a população?
Dep. Edinho Bez: Daniela, a regulamentação dos
demais profissionais da área de saúde, a exemplo
dos farmacêuticos, continua preservada. Algum ponto conflitante
será devidamente debatido. A regulamentação
da atividade de médico se justifica pela sua importância
e pelo interesse social.
(15:34) Lenir Camimura: Deputado, o ato médico não
pode piorar a situação das populações
mais carentes do interior do país, na qual não se
tem sequer um médico para atender na região, ficando
a assistência nas mãos de poucos enfermeiros e parteiras
locais.
Dep. Edinho Bez: Lenir Camimura, esta resposta depende mais da
administração pública local. A presença
do médico nos postos de saúde deve ser cobrada dos
gestores públicos.
(15:34) Nanda: Hoje com a permissão Srs. deputados, a
saúde pública no Brasil anda em estado caótico
e em inúmeros locais não há médicos,
mas há enfermeiros, assistentes sociais, etc. Então,
essas pessoas carentes ficarão sem nenhum atendimento?
Dep. Edinho Bez: Nanda, nossa intenção principal
é não prejudicar, mas melhorar a assistência
médica. Buscamos um relatório sobre o PL 7703/06
que não traga conflitos entre as profissões e que
considere a realidade nacional. Os debates com a participação
de todos os segmentos da área de saúde nos indicarão
o melhor caminho. Sugiro que você acompanhe nosso trabalho
e participe sempre que possível. Haverá outras audiências
públicas e um seminário na Câmara dos Deputados,
abertos a toda a sociedade, para discutir a questão.
(15:38) Nanda: Caro deputado, não podemos sobrecarregar
o médico da rede pública que é mal remunerado
e tem que escolher muitas vezes quem ele deixará morrer,
pois a ele cabem várias pessoas enfermas ao mesmo tempo.
Por que não acrescentar deveres a outros profissionais
da equipe multidisciscilplinar? O Sr. já imaginou a fila
de pessoas esperando o médico para coletar sangue, administrar
medicações invasivas, sondas etc., haja médico
neste país que sequer tem condições de dar
uma assitência digna a seu povo.
Dep. Edinho Bez: Nanda, procedimentos como esses que você
citou não estão definidos no projeto de lei como
privativos de médicos. Veja o art. 4º, parágrafo
5º, do projeto 7703/06, em discussão na Câmara.
Tramitação
(15:15) COS-COREN-MT: Boa tarde, eu gostaria de saber se o projeto
já foi finalizado ou se é passível de alterações...
Dep. Edinho Bez: COS-COREN-MT, o projeto está em fase
de apresentação do relatório na Comissão
de Trabalho. O que estamos fazendo é justamente obter informações
para produzir um relatório que satisfaça os anseios
de todas as profissões ligadas à saúde. Posteriormente,
o projeto ainda tramitará e poderá ser aperfeiçoado
em outras comissões, como Seguridade Social e Constituição
e Justiça. Se for alterado, retornará ao Senado,
para apreciação.
(15:18) Lenir Camimura: Deputado, é notável que
o projeto tenha boa aceitação por parte dos parlamentares,
tendo em vista sua aprovação na Casa de origem.
Apesar de toda a polêmica em torno do projeto, é
de se esperar que a aprovação também se confirme
na Câmara?
Dep. Edinho Bez: Lenir Camimura, neste momento, ainda não
posso afirmar se vai sofrer alteração ou não,
porque estamos iniciando os trabalhos da Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público ouvindo
inúmeros parlamentares nesta Casa, com opiniões
distintas. Posso prever a possibilidade de haver alterações,
sem querer me antecipar. Vamos continuar promovendo reuniões,
inclusive um seminário, tentando contentar os parlamentares,
os segmentos da saúde e em especial a população
brasileira, que deverá ser a mais considerada. Eu tenho
convicção da aprovação na Câmara,
baseado nos contatos e pela minha experiência.
(15:19) CHRIS: Boa Tarde, no dia 15 e 16 de maio, teve a 9ª
Reunião da Câmara de regulação do Trabalho
em Saúde. Gostaria de saber como foi o relato sobre os
encaminhamento do PL 7703/06.
Dep. Edinho Bez: Chris, eu ainda não recebi o relatório
da Câmara de Regulação do Trabalho do Ministério
da Saúde.
(15:20) Antonio Carlos Ferra: Vª Exª Dep. Edinho Bez:
Estivemos no dia 17 na audiência pública onde defendemos
os tatuadores e piercers, o PL atingiu nossas atividades. Apresentamos
uma emenda através do dep. Indio da Costa, o qual não
pôde comparecer no dia da audiência para apresentar
a emenda. Gostaria de saber se será aceita a emenda que
apresentamos e se vai ter uma 2ª audiência para podermos
expor o efeito negativo do PL sendo aprovado com o texto original.
Dep. Edinho Bez: Antonio Carlos Ferra, juntamente com esta emenda,
foram apresentadas outras 59 que serão profundamente analisadas.
(15:20) Rodrigo: Gostaria de lembrar que o PL foi aprovado no
Senado, mas foi um consenso na comissão que o assunto não
estava esgotado e deveria ser mais discutido na Câmara do
Deputados.
Dep. Edinho Bez: Parabéns, Rodrigo. Você está
realmente acompanhando a matéria. É exatamente isso
que estamos fazendo neste momento. Estamos disponibilizando um
canal de comunicação para que até a sociedade
possa participar do debate. Estou obtendo importantes subsídios
neste momento para melhor conduzir os debates que virão
na Comissão de Trabalho.
(15:20) Jurandir Marcondes: Boa tarde a todos. Queria cumprimentar
pela iniciativa deste bate-papo, mas somente esclarecer a todos
que, quando da tramitação deste projeto no Senado,
todas as áreas foram ouvidas e todas tiveram a oportunidade
de exaustivamente debater com a senadora Lucia Vania, a qual fez
um trabalho extraordinário, de modo que algumas reivindicações
solicitadas são repetitivas. Entretanto, o deputado está
correto em tentar mais uma vez chegar a um consenso... Jurandir,
vice-presidente AMB.
Dep. Edinho Bez: Jurandir Marcondes, muito obrigado pela sua
atenção.
(15:22) CAFRAMOS: Acredito que no Senado ficou suficientemente
esclarecido que a multidisciplinaridade está conservada.
Por que recomeçar discussões que já foram
motivo de debate por anos? O projeto atual resultou de um consenso
do qual participaram os conselhos e entidades de todos os segmentos
da área da saúde.
Dep. Edinho Bez: CAFRAMOS, o projeto do Ato Médico esgotou
o assunto naquela Casa. Agora as discussões estão
em curso na Câmara dos Deputados. Toda e qualquer matéria
precisa passar em ambas as casas. Agora é o momento de
dar a oportunidade aos deputados federais de discutir o projeto.
Acredito que quanto mais discutida for a matéria, melhor
será posteriormente a lei que a regulará.
(15:30) CAFRAMOS: O consenso do projeto foi obtido pela senadora
Lúcia Vânia com a classe médica e demais representantes
das profissões da saúde. Houve consenso. Por que
agora diz-se que não houve consenso? Não se estabelecem
reservas de mercado - apenas defendem os médicos a realização
de atos para os quais se qualificaram no curso médico e
residência médica.
(15:31) Marcos: Concordo com o Caframos. Até por quanto
tempo e por quantas comissões esses mesmos assuntos terão
q ser discutidos? Já não houve um consenso para
esse projeto, q foi amplamente discutido no senado???
Dep. Edinho Bez: CAFRAMOS e Marcos, o consenso foi no Senado.
Constitucionalmente o projeto também precisa ser discutido
na Câmara dos Deputados e, com todo o respeito e consideração
que temos pelo Senado, aqui é a casa da representatividade
do povo brasileiro. E aqui, em nenhum momento, questionou-se o
entendimento do Senado. No entanto, estamos iniciando os trabalhos
nesta Casa e não vamos medir esforços com o intuito
de apresentar a melhor proposta.
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