Veja abaixo as perguntas que foram respondidas pelo deputado Paulo
Rubem Santiago (PT-PE), coordenador do Comitê de Fiscalização
da Execução Orçamentária da Comissão
Mista de Orçamento. O bate-papo está dividido em sete
blocos, para facilitar a leitura: transparência, emendas,
orçamento impositivo, educação, carreiras,
outras áreas e tramitação.
Transparência
(15:04) Luciana: O Congresso tem como evitar que episódios
como o da máfia das ambulâncias voltem a acontecer?
(15:11) Dep Paulo Rubem: Luciana, o Congresso tem como evitar
que episódios como o da "máfia das ambulâncias"
voltem a acontecer. Já no relatório preliminar do
Orçamento para 2007, foram acatadas diversas sugestões
da CPMI das Sanguessugas, entre elas destacamos: o novo limite
para emendas parlamentares, com um piso de R$ 150 mil, além
da proibição de transferências para entidades
e fundações sem fins lucrativos que tenham, entre
seus sócios ou dirigentes, assessores e/ou parentes dos
parlamentares. Além disso, o principal instrumento preventivo
será o uso intensivo da internet com livre acesso a toda
a sociedade para acompanhar e fiscalizar os gastos públicos
em todos os níveis.
(15:13) Luciana: Deputado, para coibir o mau uso do dinheiro
público, é preciso mudar das regras de elaboração
ou de execução do orçamento?
(15:29) Dep Paulo Rubem: Luciana, para coibir o mau uso do dinheiro
público, precisamos atuar nas duas frentes: elaboração
e execução do Orçamento. Na elaboração,
precisamos incorporar os princípios do Orçamento
participativo, consolidar as audiências públicas
regionais, assegurar a elaboração de propostas por
parte da sociedade. No campo da execução, fazer
uso intensivo da transparência eletrônica, assegurando
a toda a sociedade o acesso automático à evolução
das receitas, a realização das despesas, sobretudo
identificando a natureza de cada umas das despesas, seja de pessoal,
custeio administrativo, investimentos ou juros e amortização
da dívida pública. Com participação
social e controle externo, o Orçamento fica mais transparente
e tem uma execução mais fiel às necessidades
da sociedade.
(15:18) Kant: Prezado deputado, gostaria de saber há algum
estudo por parte do Poder Executivo de liberar as informações
do SIAFI para a sociedade brasileira.
(15:44) Dep Paulo Rubem: Kant, há estudos e propostas
para que o Siafi seja simplificado, tornando-se de mais fácil
acesso e compreensão pela sociedade. Na Comissão
Mista de Orçamento, encontra-se em andamento um estudo,
com a colaboração da assessoria técnica da
referida comissão e de membros da Secretaria do Tesouro
Nacional, para que em curto espaço de tempo todos os sistemas
de acompanhamento administrativo, fiscal e orçamentário
do governo federal possam ser unificados e simplificados, ampliando
a transparência e fortalecendo o controle social. Hoje alguns
dados do Siafi já estão disponíveis na página
da comissão.
(15:27) CArlota: Deputado, é sabido de todos que os gastos
do governo, em um contexto geral, são absurdos. O que o
presidente pretende fazer para reduzir esses gastos?
(16:07) Dep Paulo Rubem: Carlota, precisamos desmistificar o
discurso que propõe, de forma simplista, a redução
dos gastos públicos. Esse discurso, de tão repetitivo,
já cansa os ouvidos e os olhos até mesmo de estudantes
de Economia, Administração e Ciências Contábeis.
Você já percebeu que os porta-vozes desse discurso
nunca falam das despesas com os juros da dívida pública
dentro dos gastos públicos? Isso demonstra, em linhas gerais,
que a proposta de redução dos gastos públicos,
colocada de maneira genérica, não esclarece, não
informa, nem especifica quais são os diferentes tipos de
gastos públicos que podem ser objeto de uma avaliação
na relação entre as receitas e as despesas do governo.
Por exemplo, a proposta de Orçamento para 2007 prevê
gastos de R$ 218 bilhões com o pagamento de juros e amortização
da dívida pública mobiliária. Enquanto isso,
estão previstos gastos de R$ 109 bilhões para o
pagamento de pessoal e encargos sociais da máquina pública
federal. Por isso, é preciso cuidado e muita atenção
ao se discutir a redução dos gastos públicos.
O que deve orientar essa preocupação é o
compromisso com os objetivos descritos no artigo 3º da Constituição,
que trata do combate às desigualdades regionais e da redução
da pobreza em nosso país.
(15:31) Luciana: O Congresso tem como fiscalizar os convênios
feitos com as prefeituras que recebem dinheiro federal? Parece
que esse é um grande ralo dos recursos públicos,
não?
(16:07) Dep. Paulo Rubem: Luciana, a Comissão Mista de
Orçamento, em conjunto com a consultoria da Câmara,
está desenvolvendo um sistema de consulta de dados do Siafi
para a população em geral. Pretende-se que dados
de convênios com prefeituras estejam disponíveis
em linguagem de fácil compreensão. No momento, alguns
dados de execução constantes do Siafi podem ser
obtidos em sistema disponível na página da Câmara.
(15:32) João Luiz: Deputado, sou totalmente favorável
ao orçamento participativo. Mas quando os pequenos municípios,
que é meu caso, terão chance de participar de uma
audiência?
(16:13) Dep Paulo Rubem: João Luiz, a Lei 10.257/01, que
ficou conhecida como Estatuto da Cidade, prevê que os orçamentos
públicos, sobretudo nos municípios, só pode
ser aprovado nas câmaras municipais a partir da realização
de audiências públicas para as quais a população
deverá ser convidada com ampla antecedência. Ao mesmo
tempo, se em seu município está presente o Ministério
Público e o Poder Judiciário, você tem nos
representantes destes órgãos aliados importantes
para assegurar o seu acesso à proposta orçamentária
encaminhada pelo prefeito à câmara municipal de sua
cidade. Por isso, lembre-se de que anualmente, entre setembro
e novembro, o Legislativo municipal receberá, debaterá
e votará a proposta de orçamento para o ano seguinte.
Como qualquer cidadão, mediante um simples requerimento
encaminhado ao presidente da câmara municipal, você
poderá receber cópia dessa proposta de orçamento
e analisá-la na sua associação de bairro,
no seu sindicato profissional, na cooperativa da qual você
faça parte ou ainda com o apoio dos próprios vereadores
e do Ministério Público.
(15:38) Carlota: São coisas realmente simples de se observar,
mas para vocês parece tão complicado. Por exemplo,
o superfaturamento de obras, de compras de qualquer natureza,
por que vocês não conseguem resolver isso para que
sobre mais grana para o Orçamento?
(16:21) Dep. Paulo Rubem: Carlota, o processo de compra e contratação
de obras no setor público segue diversas formalidades legais
previstas na lei de licitações, o que torna o processo
complexo e lento, muitas vezes os preços ofertados já
surgem superfaturados. É preciso incrementar o processo
de fiscalização tanto da fase de contratação
quanto de execução.
(15:41) Luciana: O Brasil tem um grande aparato de fiscalização:
Congresso, TCU, CGU, Ministério Público. Por que
a corrupção com o dinheiro público ainda
é tão presente? Esse aparato é insuficiente?
(16:24) Dep Paulo Rubem: Luciana, o aparato de fiscalização
não é insuficiente. O que acontece é que
alguns destes órgãos atuam principalmente depois
da execução dos gastos. Nesses casos, é mais
difícil recuperar o dinheiro público que foi desviado,
sendo por isso necessária a organização de
uma rede de fiscalização e controle preventiva na
qual a transparência eletrônica é o principal
instrumento. Por exemplo, enquanto o TCU fiscaliza obras em andamento
ou analisa a prestação de contas dos recursos federais
aplicados, a CGU, mediante sorteio, faz auditorias nas prefeituras
e em órgãos estaduais, ao mesmo tempo em que essas
administrações estão executando os gastos
públicos. Por isso, quanto mais cedo a fiscalização
ocorrer, maior a chance de proteger o patrimônio público
do desvio e da corrupção.
(15:43) CArlota: Uma simples reforma de uma praça é
uma cifra absurda, e o pior é que colocam explicitamente
a placa com a estrondosa cifra e não tem nem um órgão
responsável pela fiscalização?
(16:26) Dep. Paulo Rubem: Carlota, os gastos públicos
devem ser fiscalizados por diversos órgãos, iniciando-se
pela câmara de vereadores a quem é conferido a fiscalização
dos gastos do município. Similarmente, os gastos do governo
estadual devem ser fiscalizados pelas assembléias legislativas
e tribunais de contas estaduais. No âmbito da União,
cabe a função ao Congresso Nacional auxiliado pelo
Tribunal de Contas da União. O Poder Executivo federal
tem seus gastos fiscalizados também pela Controladoria
Geral da União. No entanto, a fiscalização
dos gastos públicos deve ter a participação
de toda a sociedade que deve acionar os órgãos competentes
quando necessário.
(15:46) Daniel: Deputado, o senhor tem todas as armas para que
se inclua como sugestão um percentual do Orçamento
para a realização de fóruns, seminários
e congressos em todo o Brasil (aberto à população
de forma gratuita), de forma que a mesma tenha oportunidade REAL
de debater aquilo que é de interesse de todos. Assim, a
população desperta que precisa ser mais participativa.
(16:30) Dep. Paulo Rubem: Daniel, a Comissão Mista de
Orçamento tem estimulado a participação da
população na discussão do Orçamento.
Atualmente estão sendo realizadas audiências públicas
abertas à sociedade em geral para essa discussão.
As audiências estão sendo realizadas em uma capital
de cada região: Florianópolis, Belo Horizonte, Brasília,
Recife e Manaus. Tal experiência deverá ser estendida
nos próximos anos em outras etapas de discussão
do Orçamento o que possibilitará o que você
sugere. Você pode obter informações sobre
o andamento dessas audiências regionais na página
www.camara.gov.br/cmo.
(16:05) Moita: Em vez de fazer uma reforma orçamentária,
não seria mais inteligente aprovar uma lei geral das finanças
públicas, como a Constituição prevê
no artigo 166, e que nunca foi seriamente discutida no Executivo
e Legislativo?
(16:31) Dep Paulo Rubem: Moita, as decisões sobre o Orçamento
e as finanças públicas não são excludentes.
A aprovação da Lei Complementar 101, a Lei de Responsabilidade
Fiscal, foi apresentada como um símbolo de austeridade
nos trato das finanças públicas. Entretanto, casos
e casos de corrupção e desvio se multiplicam em
milhares de cidades e em diversos estados do País, o que
demonstra os limites da austeridade da LRF. A lei mãe do
processo orçamentário, a Lei 4320/64, precisa evidentemente
de uma urgente reformulação. Isso já movimenta
parlamentares de vários partidos no sentido de priorizar
essa pauta em 2007. No campo das finanças públicas,
o desafio maior é dar transparência e qualidade à
composição dos gastos públicos em um país
que carrega a um só tempo a maior carga tributária
de sua história republicana e o maior estoque da dívida
pública das últimas duas décadas. Aí,
sim, reside uma pauta de grande importância para o futuro
das finanças públicas no País.
(16:09) WALDIR: Senhor deputado, a extinção das
agências reguladoras não seria uma forma de economia,
já que fazem o mesmo que os ministérios?
(16:38) Dep Paulo Rubem: Waldir, as agências reguladoras
foram criadas dentro de uma concepção de reforma
do Estado brasileiro. Por meio de sua criação, buscou-se
separar as funções de execução de
políticas daquelas pertinentes à regulação
e à fiscalização dessas políticas,
muitas das quais executadas pela iniciativa privada, mediante
concessão do Poder Público. Hoje as agências
reguladoras sofrem pesadas críticas da sociedade, pois
nem sempre têm sido capazes de exercer a fiscalização
e a regulação adequadas, havendo em alguns casos
nítido desequilíbrio a favor dos interesses das
empresas privadas que operam as concessões de serviço
público.
(16:15) WALDIR: Audiência pública só serve
para entidades previamente cadastradas?
(16:42) Dep Paulo Rubem: Waldir, as audiências públicas
são abertas à participação de toda
a sociedade. É evidente que associações que
trabalham de forma conjunta certos temas de interesse público
no Orçamento podem ter uma participação com
maior qualidade do que o cidadão que voluntariamente e
individualmente comparece a uma dessas audiências. O cadastro
prévio é uma solicitação simples apenas
para que as instituições da sociedade adquiram a
senha necessária para o acompanhamento das informações
sobre execução orçamentária no Siga
Brasil, que você pode acessar na página do Senado
(www.senado.gov.br).
(16:17) CArlota: Concordo com o senhor, mas o senhor há
de concordar comigo que isso a que me refiro também tem
que mudar! Por que os demais funcionários públicos
tem de cumprir expediente de segunda a sexta e parlamentares não?
E, em relação à desmistificação
de corte gastos, por que isso não é mais discutido
por vocês ou até mesmo fomentado para outras instituições,
pois nem sempre a população tem o entendimento apurado
em relação ao assunto, então precisa ser
mais esclarecida. Me incluo!
(16:51) Dep Paulo Rubem: Carlota, o trabalho parlamentar não
se restringe à presença em Plenário ou à
participação nas comissões permanentes. Aqui
mesmo em Brasília, trabalhamos também fora do Congresso
ao buscar nos ministérios respostas para projetos encaminhados
pelos municípios, por associações e entidades
dos nossos estados. Além disso, há uma jornada pesada
de trabalhos parlamentares ao voltarmos para os estados, quando
realizamos constantes viagens, participamos de congressos, conferências,
encontros de trabalhadores e muitas vezes até estamos presentes
em conflitos sociais, nos quais também estão presentes
a Polícia Militar, milícias armadas, culminando
até em atos de violência contra os próprios
parlamentares. Assim sendo, o trabalho parlamentar é feito
de forma plural, submetido a diversos ritmos e intensidades. Quanto
à questão dos gastos públicos, você
percebe que há um poderoso controle, por parte da mídia,
quanto à divulgação de opiniões e
realização de debates que possam expressar opiniões
diferentes daquelas que predominam nos comentários econômicos
nos principais jornais e emissoras de TV. Por isso, considero
importante a busca de meios alternativos para a circulação
de idéias que expliquem, de forma diferente do discurso
oficial, o que são os gastos públicos e quem se
beneficia deles em nosso país.
(16:20) ÁlvaroAlmeida: Gostaria de saber por que não
se institui de verdade a Transparência Pública no
Brasil em todos os níveis, Federal, estadual e municipal,
com a visualização na internet de todos os pagamentos
efetuados no mesmo instante em que são realizados. O dinheiro
é público, a informação também
deveria ser. Os relatórios da LRF são para auditores,
não são úteis para o cidadão leigo.
(16:45) Dep Paulo Rubem: Álvaro Almeida, você tem
razão. Atualmente, um grupo de parlamentares da Câmara
e do Senado vêm se empenhando para que a transparência
pública total possa acontecer. As dificuldades são
muitas, sobretudo nos municípios de médio e pequeno
porte, onde os "coronéis" ainda mandam e desmandam.
Mesmo assim, com o uso intensivo da internet e a luta pela sua
universalização, muito em breve teremos redes locais,
regionais e nacionais de acompanhamento e fiscalização
dos gastos públicos. No seu município, o acesso
à internet ainda é privilégio ou já
pode ser uma realidade para a maioria dos cidadãos?
(16:22) Moita: Assistindo à Comissão Mista de Orçamento
na televisão, dá a impressão de que é
um grande toma-lá-dá-cá, e que os deputados
não se preocupam com os grandes projetos para o país,
mas apenas com as suas emendas paroquiais. É assim mesmo?
Falta uma visão para o País entre os parlamentares?
(17:04) Dep Paulo Rubem: Moita, o Congresso reflete os mesmos
conflitos e desigualdades que você encontra na esquina do
seu bairro ou na cidade onde você mora. Da mesma forma,
como grupos de cidadãos procuram os órgãos
públicos em busca de mais segurança nas suas comunidades,
outras famílias contentam-se em residir em condomínios
isolados com circuitos eletrônicos, vigilância privada
e outros mecanismos particulares de segurança. Assim sendo,
também na Comissão Mista de Orçamento, há
movimentos em busca de mais recursos para políticas públicas
e movimentos em busca de financiamento para obras e empreendimentos
que possam representar mais negócios, contratos e lucros
para um determinado grupo de empresas junto ao governo federal.
Só vamos avançar na direção dos interesses
públicos quando garantirmos mais informação,
organização e controle da sociedade quanto ao uso
dos impostos e contribuições que a sociedade paga
aos cofres públicos. Isso vale no plano federal, dos estados
e dos municípios.
(16:23) WALDIR: Licitações? A empresa que perde
entra com embargo e a obra fica parada, como foi dito durante
a campanha. Tem como modificar essa lei de licitações?
(16:48) Dep. Paulo Rubem: Waldir, a lei de licitações
pode ser aprimorada, no entanto, o governo federal tem incrementado
a realização de compras por meio de pregão
eletrônico o que aumenta significativamente a transparência
do processo onde o acesso às licitações é
disponibilizado pela internet e aberto a participação
de qualquer interessado que podem cadastrar suas ofertas. Em relação
a obras, não só a lei de licitação
precisa ser aprimorada mas também os processos de fiscalização
e controle dos gastos públicos.
(16:25) CArlota: Tenho colegas que vendem para setores públicos
e já me falaram sobre isso. Mas continuo dizendo que isso
tem que mudar porque é exatamente pegando o gancho nessa
falha que os espertos se instalam e fazem a festa. É sabido
que, enquanto um fornecedor que não participa do esquema
tem a demora citada, um que parte seus lucros já se sai
melhor!
(16:52) Dep. Paulo Rubem: Carlota, para minimizarmos problemas
como o que você citou precisamos aprimorar os processos
de fiscalização e controle de gastos públicos.
Sendo necessário também que haja aplicação
das devidas penalidades aos responsáveis.
(16:26) Deise: Todo o Congresso é acusado de inflar o
orçamento com receitas "imaginárias",
só para atender os pleitos dos deputados e senadores. Isso
realmente acontece?
(16:55) Dep. Paulo Rubem: Deise, a reestimativa de receitas feita
pelo Congresso é realizada com base em parecer do corpo
técnico especializado. Dessa forma, todo o acréscimo
de receita é devidamente fundamentado em seus aspectos
legais e técnicos. Observamos que ao longo dos últimos
orçamentos a reestimativa de receita feita pelo Congresso
Nacional confirmou-se ao longo da arrecadação.
(16:50) jonex: Eu perguntei com respeito a recursos a serem liberados
no Orçamento para o ano de 2007, levará em conta
as denúncias que se encontram em tramitação
no TCU, direcionada para infra-estrutura, visto que teremos o
seu valor em R$ 21 bilhões?
(16:54) Dep Paulo Rubem: Jonex, a Comissão de Orçamento
do Congresso está impedida de aprovar a liberação
de recursos para obras que estejam sob investigação
do TCU nas suas diversas categorias de irregularidade. Constantemente,
o TCU encaminha ao Congresso os conhecidos "avisos"
pelos quais leva ao conhecimento dos parlamentares que obra e
investimentos estão com andamento suspenso, determinando
assim a não liberação de verbas para continuidade
dessas obras enquanto não forem sanadas as irregularidades
encontradas pela fiscalização.
Emendas
(15:08) Moita: O sr. não acha indecente os deputados e
senadores poderem apresentar emendas que beneficiam entidades
privadas ligadas a eles? Isso não é um desvirtuamento
do papel do congressista, que deveria se preocupar com questões
mais gerais e coletivas?
(15:19) Dep. Paulo Rubem: Moita, essa questão está
parcialmente resolvida, uma vez que o parecer preliminar ao projeto
de lei do Orçamento 2007 (ainda em apreciação)
proíbe que parlamentares destinem emendas a empresas de
sua propriedade ou de parentes até 3º grau.
(15:17) Daniel: Deputado, é possível a população
em geral apresentar emendas e/ou sugerir onde o Orçamento
necessita ser realmente gasto nos municípios?
(15:37) Dep Paulo Rubem: Daniel, a população pode
apresentar sugestão de emenda através dos parlamentares
dos seus estados, bem como por comunicação direta
às comissões permanentes da Câmara e do Senado.
No entanto, para a apresentação objetiva dessas
sugestões, é necessária a participação
coletiva em fóruns ou seminários estaduais, de modo
a conferir mais representatividade às referidas sugestões.
Nos municípios, em geral, há uma manifestação
exclusiva dos prefeitos junto aos deputados federais majoritários
nas respectivas cidades. Tais sugestões nem sempre representam
as reais necessidades das populações desses municípios.
Daí a importância do fortalecimento dos conselhos
municipais e de fóruns estaduais para a identificação
das necessidades e a correta proposição das alterações
para o Orçamento em debate.
(15:19) João Luiz: Deputado, a data final para as apresentações
de emendas no orçamento feitas pelos deputados é
quando?
(15:45) Dep. Paulo Rubem: João Luiz, o prazo para apresentação
de emendas ainda não está definido, pois depende
da aprovação do parecer preliminar ao projeto de
lei orçamentária para 2007.
(15:23) Luciana: O sr. concorda com o fim das emendas parlamentares
ao Orçamento?
(15:52) Dep Paulo Rubem: Luciana, o fim das emendas parlamentares
ao Orçamento é uma possibilidade. Entretanto, essa
tese teria dificuldades para ser aprovada por maioria do Congresso.
O que se propõe, nesse momento, para evitar a corrupção
e o desperdício na execução dessas emendas,
é a adoção de mecanismos preventivos de transparência,
controle externo e avaliação com a participação
não só do Legislativo, mas também do Ministério
Público.
(15:25) Luiza: Deputado, gostaria de fazer uma sugestão:
as emendas parlamentares deveriam ser todas carimbadas. A possibilidade
de fazer emendas "guarda-chuva" deixa espaço
para a continuidade da corrupção.
(16:01) Dep Paulo Rubem: Luiza, para os que defendem a continuidade
das emendas parlamentares, essa é uma opção
consensual, porém, mesmo as emendas carimbadas sem o devido
controle de sua execução nos municípios podem
sofrer mecanismos de má gestão, desvio de finalidade
ou mesmo corrupção. Por exemplo, hoje, vereadores
de um município que recebe uma emenda parlamentar de R$
1 milhão estão impedidos de acessar o Siafi para
rastrear todo o processo de licitação, transferência
e pagamento dessa emenda.
Orçamento impositivo
(15:07) Rocha: Gostaria de saber qual a viabilidade do orçamento
impositivo.
(15:33) Dep. Paulo Rubem: Uma das formas de orçamento
impositivo ser viabilizado seria por meio de uma emenda constitucional.
Existem algumas PECs tramitando no Congresso Nacional. A PEC de
autoria do senador Antonio Carlos Magalhães é a
que se encontra em processo mais avançado. Você pode
consultar o trâmite dessas propostas nos sites da Câmara
e do Senado.
(15:20) Moita: O orçamento impositivo é uma saída
para melhorar a execução orçamentária?
(15:49) Dep Paulo Rubem: Moita, o orçamento impositivo
é, na verdade, uma faca de dois gumes. Hoje, por determinação
constitucional, os parlamentares estão impedidos de alterar
as dotações orçamentárias destinadas
ao pagamento dos serviços da dívida pública.
Levando em consideração as pressões da área
financeira privada para que a política monetária,
o Banco Central e o Conselho de Política Monetária
possam atuar de forma autônoma, sem que estejam submetidos
à análise do Congresso, você imagina um orçamento
impositivo tendo que determinar o pagamento de valores cada vez
mais altos para os serviços da dívida, sem qualquer
controle do Congresso. Por outro lado, a imposição
pode representar a garantia da plena execução dos
recursos previstos em lei discutida e votada no Congresso. Atualmente
diversos programas aprovados em lei não chegam a ter sequer
50% de sua execução orçamentária concluída
ao fim do exercício.
(15:27) Paulo Lindenberg: Pode o Congresso Nacional reformular
toda a proposta de lei orçamentária encaminhada
pelo Executivo?
(15:57) Dep. Paulo Rubem: Sim, Paulo Lindenberg. A apreciação
do Congresso Nacional possibilita revisão de toda a receita
prevista e de toda despesa fixada. Incluindo-se cancelamentos,
remanejamentos e criação de novas despesas, bem
como, a redução ou acréscimo da receita.
No entanto, como grande parte do Orçamento é vinculada
legal e constitucionalmente, essa parcela vinculada não
pode ser alterada. Na prática, o Congresso basicamente
interfere nos investimentos.
(15:36) Rodolfo: Deputado, e como as lideranças do seu
partido, que está no poder, encaram a possibilidade do
orçamento impositivo ser aprovado no Congresso?
(16:20) Dep Paulo Rubem: Rodolfo, o governo não tem posição
fechada contra o orçamento impositivo. No nosso caso em
particular, o PT é certamente favorável a essa tese,
mas ainda não tomou uma decisão definitiva sobre
o assunto. Na prática, precisamos alterar toda a lógica
que hoje orienta a organização das receitas públicas
e das despesas realizadas às custas do Tesouro Nacional.
É preciso deixar claro quais são os segmentos da
sociedade beneficiados por essas despesas e o que isso representa
na condição de vida de cada um.
Educação
(15:07) nILO: Excelentíssimo, gostaria de saber quais
parâmetros guiaram a previsão orçamentária
para educação, em especial a básica.
(15:14) Dep Paulo Rubem: Nilo, a educação básica,
a partir de 2007, terá um sistema de financiamento constituído
por um novo fundo, o Fundeb. Para este fundo, estados e municípios
contribuirão com 20% mínimos de suas receitas próprias
e transferências, cabendo à União o complemento
já determinado de R$ 2 bilhões no primeiro ano,
podendo chegar a R$ 4,5 bilhões, a partir do quarto ano
de vigência deste novo fundo. A Câmara deverá
aprovar o Fundeb ainda em 2006 e, em 2007, discutir sua regulamentação
e o piso salarial nacional para os profissionais da educação
básica.
(15:17) nILO: E quanto foi destinado para a educação
básica em 2006?
(15:37) Dep. Paulo Rubem: nILO, em 2006, foram destinados ao
ensino fundamental R$ 2 bilhões.
(15:32) Sandro-Newtopaiva: Gostaria que o senhor comentasse sobre
o Fundeb, como ele estará presente para 2007?
(16:11) Dep. Paulo Rubem: Sandro-Newtopaiva, o Poder Executivo
encaminhou ao Congresso Nacional proposta de emenda à Constituição
criando o Fundeb, que está agora em tramitação.
O projeto de lei de orçamento para 2007 prevê o valor
de R$ 2 bilhões. O Fundeb abrangerá todas as etapas
da educação básica: pré-escola, ensino
fundamental e médio.
(15:35) nILO: Também observei que a agricultura tem 6,5
vezes mais dinheiro do que a educação básica,
levando-se em conta que a agricultura é quase auto-suficiente,
o que não se pode dizer da nossa educação?
(16:17) Dep Paulo Rubem: Nilo, com a aprovação
do Fundeb e sua posterior regulamentação, a educação
básica no Brasil terá todas as condições
para dar um salto de qualidade. Pela primeira vez em nossa república
centenária, o País terá um sistema que deverá
contar com recursos federais, estaduais e municipais de modo a
garantir um custo/aluno com qualidade adequada para a educação,
proporcionando pela primeira vez aos integrantes da categoria
um piso salarial nacional que representará a melhoria efetiva
das condições de trabalho de milhares e milhares
de educadores, sobretudo das redes municipais de educação,
na educação infantil e no ensino fundamental. Hoje,
já atingimos 32 milhões de matrículas no
ensino fundamental e poderemos chegar, com a consolidação
do Fundeb, a 48 milhões.
(16:21) nILO: Acho uma ótima iniciativa o Fundeb, porém
acho extremamente necessário não só o aumento
da quantidade de alunos nas escolas, como também a preparação
dos mestres brasileiros. Assim sendo, o que será feito
com relação ao ensino superior? Digo não
em relação ao acesso, mas sim a mantê-lo em
um nível adequado, o que não é o caso atualmente.
(17:00) Dep Paulo Rubem: Nilo, logo após a aprovação
da emenda constitucional que cria o Fundeb, o Congresso será
provocado pelo Poder Executivo para discutir dois novos projetos
de lei. O primeiro regulamentará o funcionamento do Fundeb
e definirá os valores a serem considerados para as matrículas
nas creches, na educação infantil, nos ensinos fundamental
e médio. O segundo projeto tratará do piso salarial
nacional para os profissionais da educação básica.
Atualmente, já se encontra em funcionamento um programa
do governo federal que oferece bolsas para qualificação
de professores e para a iniciação científica
nas redes públicas de ensino. Esses esforços serão
complementados com novos investimentos nos cursos de licenciatura
e Pedagogia, consolidando assim a busca da qualidade na formação
do profissional da educação básica. Por fim,
deveremos fazer um esforço para assegurar, na regulamentação
do Fundeb, o aprimoramento dos conselhos e dos mecanismos de fiscalização,
já que hoje a gestão dos recursos do Fundef (da
1ª a 8ª série) destaca-se como o maior indicador
irregularidade nas auditorias conduzidas pela CGU.
Carreiras
(15:06) Fabiano: O Plano de Carreira do Judiciário, recentemente
aprovado, tem previsão orçamentária para
sua implementação em 2007?
(15:17) Dep Paulo Rubem: Fabiano, todos os planos de carreira
negociados e aprovados ainda em 2006, incluindo o do Judiciário,
tiveram previsão orçamentária pactuada com
o governo tanto na LDO para 2007 (ainda não aprovada) quanto
na proposta orçamentária para o mesmo ano. Os valores,
entretanto, podem sofrer alterações durante a votação
da proposta de lei orçamentária para 2007. Atualmente
estão estimados, R$ 513,5 milhões.
(15:08) pfnienow: Nós, cidadãos brasileiros, estamos
SOBREVIVENDO a cada dia com este clima de insegurança.
Creio que seria necessário um grande investimento na POLÍCIA
FEDERAL, pois com o baixo efetivo (menos de 10.000 policiais)
é impossível garantir a segurança nas fronteiras
e combater o crime organizado. Vossa Excelência tem previsão
de orçamento para aumentar o efetivo da Polícia
Federal?
(15:21) Dep Paulo Rubem: Pfnienow, a Polícia Federal tem
recebido investimentos na área de pessoal e recursos humanos
desde 2003. Já foram realizados concursos públicos
e nomeados agentes, peritos, escrivães e delegados. Estima-se
que, no Orçamento de 2007, sejam mantidos os investimentos
na Polícia Federal, especialmente para as áreas
de fronteiras e para a inteligência no departamento de Polícia
Federal. O Orçamento de 2007 prevê uma elevação
de 28,61% nos recursos previstos para o departamento em relação
à lei orçamentária de 2006. Em números
para 2007, o projeto de lei prevê R$ 3,012 bilhões,
valores que podem ser ampliados através de emendas parlamentares
e de bancadas.
(15:48) SINDSEP/PE: Quanto à Lei de Responsabilidade Fiscal
e à Kandir, ainda há margem para atender os servidores
federais?
(16:00) SINDSEP/PE: Deputado Paulo Rubem, na próxima sexta-feira,
a Comissão do Orçamento estará em Pernambuco
e nós do SINDSEP gostaríamos de saber o que é
possível acrescentar no Orçamento de 2007 para atender
a demanda dos servidores federais.
(16:39) Dep. Paulo Rubem: SINDSEP/PE, as despesas de pessoal da
União encontram-se abaixo dos limites estabelecidos na
lei de responsabilidade fiscal. O projeto de lei orçamentária
para 2007 prevê um aumento de cerca de R$ 15 bilhões
para essa natureza de despesa. Em anexo específico, estão
autorizadas despesas de pessoal para criação e provimento
de cargos, empregos e funções, bem como admissão
e contratação de pessoal. Toda nova inclusão
deverá estar autorizada nesse anexo e compatibilizada na
despesa. Existe, portanto, a possibilidade para atender novos
acréscimos. No entanto, isso demandará a necessidade
de cortes em despesas de outras naturezas, tais como em investimentos
e em despesas correntes (custeio da máquina pública).
Outras áreas
(15:03) pfnienow: Excelentíssimo deputado federal Paulo
Rubem Santiago, com muita honra e respeito, venho lhe perguntar
o planejamento orçamentário previsto para Segurança
Pública, dado os jogos do PAN2007?
(15:07) Dep Paulo Rubem, o planejamento prevê para Segurança
Pública R$ 9,132 bilhões divididos em vários
programas que têm relação direta com a segurança
dos Jogos Pan-Americanos. Além disso, também no
orçamento do Ministério da Defesa, há recursos
destinados ao Comando do Exército, que poderão colaborar
com as operações de segurança no período
dos jogos.
(15:09) Anna: Quais são as previsões orçamentárias
para a agricultura?
(15:22) Dep. Paulo Rubem: Anna, na função agricultura
estão previstos R$ 13,3 bilhões.
(15:34) Anna: Estamos nos aproximando do final do ano e até
agora pouco foi utilizado dos recursos destinados ao Mapa. Existe
alguma explicação para isso?
(16:16) Dep. Paulo Rubem: Anna, em geral, a execução
orçamentária concentra-se nos últimos meses
do ano porque o governo tende a ser conservador com vistas ao
cumprimento de suas metas fiscais. Sendo assim, é comum
uma baixa execução em todos os ministérios
até esse período do ano.
(15:09) nILO: Também gostaria de saber se existe e qual
a previsão para o programa espacial brasileiro.
(15:25) Dep Paulo Rubem: Nilo, a Agência Espacial Brasileira
tem previstos para 2007 R$ 219 milhões, o que representa
5,8% a mais do que a previsão para 2005. Além disso,
há o Fundo Setorial Espacial, cuja dotação
orçamentária está ainda em aberto, podendo
ser concluída ao final dos debates e das emendas ao Orçamento
de 2007.
(15:10) Paulo França: Um comentário sobre matéria
da CBN: Governo anuncia corte de 8% na segurança do tráfego
aéreo em 2007.
(15:25) Dep. Paulo Rubem: Paulo França, esse corte está
em apreciação no âmbito do Congresso.
(15:11) andré mateus: Excelentíssimo, há
expectativa de a União conceder benefícios tributários
em 2007!!!????????
(15:27) Dep. Paulo Rubem: André, há expectativas
de concessão de benefícios tributários, sendo
que o que terá maior impacto é relativo ao Supersimples,
cujo impacto será de aproximadamente R$ 5 bilhões.
(15:29) andré mateus: Agradeço tua resposta e quero
acrescentar: com a concessão de benefícios tributários,
o governo irá compensar com qual área esta perda!!?????
(16:02) Dep. Paulo Rubem: André, caso haja aprovação
do Supersimples, o ajuste na despesa deverá ocorrer por
proposta do relator-geral do Orçamento a ser submetido
a apreciação do Congresso Nacional.
(15:17) Dênis: Na mesma linha já mencionada neste
chat. O adversário de Lula falou muito em desaparelhamento
do Estado. Um Estado eficiente não precisa estar bem aparelhado,
para poder atuar com eficiência? E pegando esse gancho,
sendo a segurança pública um ponto crítico
atualmente, haveria algum planejamento específico para
essa área?
(15:33) Dep Paulo Rubem: Dênis, de antemão, sugiro
que você acesse a página do Ministério da
Justiça e lá observe o relatório da Secretaria
Nacional de Segurança Pública. Neste relatório,
são informados os investimentos e as transferências
realizadas para os estados da Federação e o Distrito
Federal, o que confirma a consolidação do Sistema
Nacional de Segurança Pública. Além disso,
em 2007, as guardas municipais passarão a integrar o referido
sistema, compartilhando treinamento, investimentos e métodos
de atuação com os governos estaduais e as diversas
polícias do governo federal.
(15:18) Doris: O Orçamento está prevendo políticas
específicas para as mulheres, principalmente no combate
à violência, bem como na geração de
renda?
(15:44) Dep. Paulo Rubem: Sim, Doris. Há diversos programas
voltados às questões de gênero espalhados
em múltiplos ministérios do governo federal. A sociedade
já apresentou sugestões de emendas para o Orçamento
de 2007, entre essas, há uma emenda que determina a apresentação
de relatório anual com o impacto da execução
dos programas de combate à desigualdade nas dimensões
de gênero, raça, etnia, geração de
emprego e renda, desenvolvimento regional e melhorias para as
pessoas com deficiências. Outro exemplo importante é
a emenda proposta à bancada feminina do Congresso Nacional
obrigando as agências financeiras oficiais de fomento (Banco
do Brasil, Caixa Econômica, BNDES) a levar em consideração
em seus programas a diretriz de redução das desigualdades
de gênero. Como sugestão proponho que você
acesse o site www.cfemea.org.br (Centro Feminista de Estudos e
Assessoria) onde você obterá informações
importantes sobre a abordagem das questões de gênero
nos programas governamentais.
(15:24) andré mateus: Excelentíssimo!!!! Há
previsão de o governo perdoar dívidas de países?????
(15:53) Dep Paulo Rubem: André Mateus, não há
previsão de o governo perdoar dívidas de países.
Esse assunto, entretanto, pode aparecer durante o exercício
de 2007, em função de eventuais negociações
e/ou entendimentos multilaterais realizados pelo governo brasileiro
e os governos de países dos quais o Brasil seja credor.
(15:24) Paulo Lindenberg: Existe alguma fórmula para reduzir
os custos com o endividamento público e revertê-lo
em programas sociais?
(15:59) Dep Paulo Rubem: Paulo Lindenberg, há diversos
estudos propondo que, além das metas fiscais e de crescimento
do PIB, contidas na proposta de lei orçamentária
para 2007, o governo federal adote também metas sociais
e de inclusão a serem perseguidas em cada ano de exercício
orçamentário. O que acontece, no entanto, é
uma ação orquestrada ocupando diversos espaços
da mídia brasileira, defendendo a imutabilidade da política
macroeconômica como forma de assegurar a continuidade dos
elevados ganhos dos proprietários dos títulos da
dívida pública, cujo estoque saltou de R$ 720 bilhões,
em dezembro de 2002, para R$ 1,19 trilhão agora, em julho
de 2006. Esse é o grande desafio para que possamos dar
uma guinada de rumos na divisão dos recursos do Tesouro
Nacional.
(15:32) Fabiano: Existe previsão para uma nova correção
na tabela do IR e redução da CPMF?
(16:13) Dep. Paulo Rubem: Fabiano, em relação à
CPMF, a emenda constitucional que a criou estabelece sua vigência
até 31 de dezembro de 2007. Quanto à tabela do imposto
de renda, o projeto de lei orçamentária não
contempla sua correção.
Tramitação
(15:19) paulo: A votação da LDO sai esta semana?
(15:47) Dep. Paulo Rubem: Paulo, há previsão de
sessão do Congresso Nacional para a votação
da LDO, no entanto, essa votação tem sido postergada
ao longo de diversas outras sessões anteriores.
(15:44) denise: A aprovação da LDO precede a aprovação
do relatório preliminar?
(16:27) Dep Paulo Rubem: Denise, estamos vivendo uma situação
excepcional. Mais uma vez o tempo das leis não é
seguido pela prática do Parlamento. Estamos com a LDO pendente
de aprovação e, nos próximos dias, poderemos
concluir a votação do relatório preliminar.
Por isso, precisamos do empenho das lideranças partidárias
e dos titulares e suplentes da Comissão Mista de Orçamento
para cumprir com os prazos e, assim, aprovar já a LDO para
avançarmos na aprovação do Orçamento
para 2007.
(16:09) Deise: A atual lei orçamentária só
foi aprovada em abril. O projeto da LDO 2007 não foi sequer
aprovado até agora. O sr. não acha que isso compromete
todo o sistema de planejamento orçamentário? Por
que o Congresso não se mobiliza para evitar esse tipo de
situação?
(16:36) Dep Paulo Rubem: Deise, concordo integralmente com você.
O que acontece é que parte do Congresso nem sempre se orienta
pelo processo de planejamento orçamentário. É
comum a busca da execução do Orçamento através
das peregrinações ministeriais, nas quais deputados,
senadores e alguns governadores buscam salvar a parte que lhes
interessa do Tesouro Nacional para os investimentos a serem feitos
nas suas respectivas bases estaduais. Exemplo disso foi a reação
de muitos parlamentares, cuidadosos quando da discussão
da Proposta de Resolução 2, de autoria do deputado
Ricardo Barros (PP-PR), que sugere alterações importantes
na elaboração do Orçamento, dando-lhe mais
agilidade, transparência e objetividade. Alguns desses deputados
cuidadosos somaram suas vozes contrárias à aprovação
dessa resolução. Por isso, o impasse na votação
da proposta da LDO.
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