11/2/2005 15h57

 
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Artistas presentes no quinto Gabinete de Arte

Alberto Guignard - Pintor, professor, desenhista, ilustrador e gravador nascido em Nova Friburgo (RJ), em 1896. Aos 21 anos, matriculou-se na Real Academia de Belas Artes de Munique (Alemanha), onde foi influenciado pelo expressionismo. Retornou para o Rio de Janeiro em 1929, integrou-se ao cenário cultural e conheceu Ismael Nery, Cândido Portinari, Di Cavalcanti e Oswaldo Goeldi. Participou do Salão Revolucionário de 1931, e foi destacado por Mário de Andrade como uma das revelações da mostra. A partir de 1931, dedicou-se ao ensino de desenho e gravura em seu ateliê e criou o Grupo Guignard.
No início dos anos 40, Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte (MG), convida Guignard para dirigir a Escola de Belas Artes, por onde passaram Amilcar de Castro, Farnese de Andrade e Lygia Clark. No mesmo ano, Guignard promoveu a I Exposição de Arte Moderna, que contou com as obras e a presença de artistas modernistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. A obra de Alberto Guignard compreende paisagens, retratos, pinturas de gênero e de temática religiosa.

Yara Tupinambá - Pintora, gravadora, desenhista, muralista e professora, nasceu em 1932, em Montes Claros (MG). Iniciou-se nos estudos de arte com Guignard, em 1950, em Belo Horizonte. Quatro anos depois, passou a estudar gravura com Misabel Pedrosa e, posteriormente, aperfeiçoou sua arte com Goeldi, no Rio de Janeiro. Cursou a Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, em 1967, defendeu tese sobre Albert Dürer. Na década de 70, realizou diversos murais, entre os quais, o "Minas, do século XVII ao século XX", feito para a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, e o da Igreja Matriz na cidade de Ferros (MG), no qual retratou Adão e Eva nus, fato que causou polêmica, obrigando a prefeitura local a fazer um seguro para a obra. Em 1974, liderou o Atelier Vivo na Bienal Nacional de São Paulo, onde revelou pesquisa realizada na área educacional e com estandartes. Foi escolhida pela crítica diversas vezes como destaque das artes, além de homenageada com poemas, como fez Carlos Drummond de Andrade ao escrever "Exposição", poema sobre a artista.

Inimá de Paula - mineiro de Belo Horizonte, nasceu em 1918. Iniciou seus estudos artísticos no Núcleo Antônio Parreiras, em Juiz de Fora (MG), entre 1938 e 1940. Em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro para aprender desenho com Argemiro Cunha, no Liceu de Artes e Ofícios. Na cidade, ligou-se a ex-integrantes do Núcleo Bernardelli, como Pancetti, Sigaud, Manoel Santiago, Milton Dacosta e Yoshia Takaoka, com quem pintou e desenhou em Santa Tereza.
Em 1944, fundou, em Fortaleza (CE), a Sociedade Cearense de Belas-Artes, ao lado de Antonio Bandeira e Aldemir Martins. Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista no Rio de Janeiro e passou a ensinar na Escola do Povo. Em 1954, estudou desenho e pintura mural na Académie de La Grande Chaumière, na escola de arte decorativa do pintor italiano Gino Severini e freqüentou o ateliê de André Lothe, em Paris. De volta ao Rio, em 1956, freqüentou o ateliê de Portinari, auxiliando-o na execução do painel Tiradentes. Na década de 60, lecionou pintura na Escola de Belas Artes e na Escolinha Guignard. Em 1998, foi criada por colecionadores mineiros a Fundação Inimá de Paula para a catalogação, preservação e divulgação da obra do artista.

Amilcar de Castro - Nascido em 1920 em Paraisópolis (MG), o pintor formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais estudou, na década de 40, pintura e desenho com Guignard e escultura figurativa com Franz Weissmann. Em 1953, depois de aderir à escultura abstrata, teve sua obra aceita na II Bienal de São Paulo. Foi um dos signatários do Manifesto Neoconcreto, em 1959. Entre 1968 e 1971, viaja para Nova York e New Jersey (EUA), como bolsista da Fundação Guggenheim. De volta ao Brasil, fixa residência em Belo Horizonte e passa a lecionar na Escola Guignard e na Faculdade de Belas Artes. Sua obra integrou as principais mostras de arte concreta e neoconcreta, entre as quais, as Bienais de São Paulo - nos anos 1961, 1965, 1979 (sala especial), 1987 e 1989 - e Panorama da Arte Brasileira do MAM-SP, onde foi duas vezes premiado na categoria desenho e escultura. É considerado um dos nomes mais importantes da escultura construtiva brasileira, ao lado de Weissmann e Sergio Camargo.

Carlos Bracher - O pintor, desenhista e escultor Carlos Bernardo Bracher nasceu em Juiz de Fora (MG), em 1940. Freqüentou a Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras e começou sua carreira, na década de 50, dedicando-se à escultura. Como escultor, conquistou uma medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes de 1960. Em seguida, transferiu seu interesse para a pintura. Como pintor, recebeu o "Prêmio de Viagem ao Estrangeiro", do Salão Nacional no Rio de Janeiro, em 1967, e viveu durante dois anos na Europa, principalmente em Paris, para estudos. Em 1980, recebeu outro prêmio, o "Destaque Hilton de Pintura", patrocinado pela Funarte e Souza Cruz, como um dos dez artistas que mais se destacou no País, na década de 70. Sua pintura, de tendência fortemente impressionista, modificou-se no contato com a arte européia, evoluindo para uma forma mais elaborada, tratada com grande sentimento cromático.

Marcos Benjamim Coelho - O escultor, pintor, cartunista, designer gráfico, ilustrador, desenhista e cenógrafo nasceu em Nanuque (MG), em 1952. Aprendeu a lidar com ferramentas e madeira ainda na infância, na molduraria do pai. Autodidata, iniciou seus trabalhos como cartunista e artista gráfico em 1969, em Belo Horizonte. Em 1971, colaborou com charges e ilustrações para jornais. É co-autor das revistas de humor e quadrinhos Meia Sola, Humor Dez, Uai, O Novo Humor do Pasquim e Antologia Brasileira do Humor. De 1972 a 1981, participou, no Brasil e no exterior, de salões de humor e de história em quadrinhos, quando recebeu vários prêmios. Em 1976, passou a se dedicar à escultura. Em 1977, recebeu o grande prêmio na International Cartoon Exhibition, em Atenas, na Grécia.
Na década de 1980, produziu objetos e instalações, além de criar cartões de humor e ilustrações para Thomas de La Rue e para Editora Civilização. Em 1983, publicou com Priscila Freire o livro de imagens poéticas Conversa de Corpo, pela Editora Minguilim. Em 1988, monta ateliê com Patrícia Leite, Humberto Guimarães e Isaura Pena e faz cenografia para espetáculos teatrais. Inicia-se então a fase dos objetos em grandes escalas e dimensões.

Fernando Lucchesi - O desenhista e pintor nasceu em Belo Horizonte (MG), em 1955. Na capital mineira, realizou, em 1977, pesquisas e montagens de exposição na Fundação Clóvis Salgado. Em 1978, começou a expor, desenvolvendo trabalhos de desenho e pintura, além de instalação com tecidos e metal. É autor do romance "Marilda", finalizado em 1980. Em 1983, passou a lecionar desenho, pintura e objetos na Escola de Artes e Ofício de Contagem, em Minas Gerais. Em 1984, participou das mostras "Dez Artistas Mineiros", em São Paulo, e "Como Vai Você, Geração 80?", no Rio de Janeiro. Em 1985, expôs na Bienal Internacional de São Paulo. Dois anos depois participou da exposição "Modernidade: Arte Brasileira do Século XX", realizada em Paris e São Paulo, em 1987 e 1988. Em 1996, apresentou seus trabalhos em Madri (Espanha) na mostra "Cinco Artistas Mineiros". Possui obras no acervo da Fundação Clóvis Salgado, do MAP-BH, do MAM-RJ, e do Instituto Cultural Itaú-SP.

José Pedrosa - Nascido em Rio Acima (MG), em 1915, o escultor iniciou seus estudos com Correia Lima no curso livre de escultura da Escola Nacional de Belas Artes (Enba) do Rio de Janeiro, em 1936. No período da II Guerra Mundial foi auxiliar do escultor polonês August Zamoyski. De 1946 a 1948, com bolsa concedida pelo governo francês, fez o curso de talhe em pedra com Nicolussi, na França. De volta ao Rio de Janeiro, filiou-se ao grupo de arquitetos chefiado por Oscar Niemeyer, que lhe fez uma encomenda para os jardins do Museu de Arte de Belo Horizonte. Realizou sua primeira exposição individual em 1955 na Galeria Tenreiro, no Rio de Janeiro. Ilustrou o livro de Poesias de Romanceiro de Dona Bêja, de Maria Lúcia Alvim, publicado em 1979. Participou, entre outras coletivas, do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, medalha de ouro em 1945; Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, prêmio viagem ao país em 1954; Salão Paulista de Arte Moderna, com medalha de ouro em 1952 e segundo prêmio Governador do Estado em 1954; Bienal Internacional de São Paulo, 1955 e 1957; e da mostra itinerante "Veinte Artistas Brasileños", no Museu Provincial de Belas Artes de la Plata, Buenos Aires (Argentina), e no Museu Municipal de Montevidéu (Uruguai).

Zé Bento - Pertence à geração de artistas contemporâneos que são autodidatas e lidam com a inteligência da mão, fundindo o universo do artesanato popular com uma cuidadosa elaboração formal. Escultor, José Bento Franco Chaves, nascido em Salvador (BA), em 1962, iniciou sua carreira em Belo Horizonte (MG), realizando trabalhos em miniatura e assemblages. Posteriormente, trabalhou com esculturas de médio porte e instalações. Entre as exposições de que participou, destacam-se: Salão Nacional de Arte, no MABH, Belo Horizonte, 1988/1991 (prêmio aquisição, 1991); A Montanha e o Mar, no MAM/BA, Salvador, 1992; 12º e 13º Salão Nacional de Artes Plásticas, no Ibac, Rio de Janeiro, 1992/1993; Encontros e Tendências, no MAC/USP, São Paulo, 1993; 1ª Bienal Ibero-Americana, Lima (Peru), 1997. Eventos Itaú Cultural: Tridimensionalidade na Arte Brasileira no Século XX; Diversidade da Escultura Contemporânea Brasileira, ambas em São Paulo, 1997.

Eduardo Farnese - O pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador nasceu em 1926, em Araguari (MG). Mudou-se para Belo Horizonte em 1942 onde, entre 1945 e 1948, estudou desenho com Guignard, na Escola do Parque. Em 1948, mudou-se para o Rio de Janeiro para tratar uma tuberculose pulmonar. Entre 1950 e 1960, trabalhou como ilustrador para o Suplemento Literário do Diário de Notícias, Correio da Manhã, o Jornal de Letras, e para as revistas Rio Magazine, Sombra, O Cruzeiro, Revista Branca e Manchete. Em 1959, passou a freqüentar o Ateliê de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), onde se aperfeiçoou em gravura em metal com orientações de Johnny Friedlaender.
Em 1964, começou a criar obras com materiais descartados, coletados nas praias e nos aterros. Posteriormente, utilizou armários, oratórios, gamelas, ex-votos, adquiridos em antiquários e depósitos de materiais usados. Fotografias antigas também estão presentes em sua obra. Desde 1967, utiliza resina de poliéster, envolvendo materiais perecíveis. No Salão Nacional de Arte Moderna de 1970, recebeu o prêmio de viagem ao exterior. Na Espanha, instalou um estúdio em Barcelona e lá permaneceu até 1975.

Geraldo Teles de Oliveira - Escultor autodidata, nascido em Itapecerica (MG), em 1913, foi servente de pedreiro, guarda sanitário e guarda noturno. Começou a esculpir seus primeiros trabalhos utilizando pedaços de madeira encontrados nas ruas. Participou da X BISP, em São Paulo (1969); I Salão de Arte Contemporânea, em Belo Horizonte (1969); Biennale Formes Humaines, Musée Rodin, em Paris, França (1974); Sala Especial na XIII BISP (1975); I Salão de Artes Plásticas do CEC, Palácio das Artes, Belo Horizonte (1978); Bienal de Veneza, Itália (1980). Sua primeira mostra individual foi na Galeria Guignard, em Belo Horizonte (1967). Fez várias mostras em Divinópolis (MG), Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e em cidades do exterior. Tem obras na Igreja do Senhor Bom Jesus, Divinópolis; Prefeitura de São João del-Rei (MG); Museu Mineiro, Fundação Clóvis Salgado e MAP, em Belo Horizonte; Casa de Cultura, no Rio de Janeiro. Sobre o artista e sua obra foram realizados dois filmes de curta metragem: "O Escultor dos Sonhos", de Camillo de Souza Filho e "A Árvore dos Sonhos", de Carlos Augusto Calil. Em 1977, os Correios lançaram um selo postal veiculando um de seus trabalhos, dentro da série dedicada ao II Festival de Arte e Cultura Negra e Africana.

Alfredo Ceschiatti - Nascido em Belo Horizonte (MG), em 1918, o escultor possui obras em diversos museus brasileiros, entre os quais os de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de Arte da Prefeitura de Belo Horizonte. Na capital federal, destacam-se "As banhistas", em bronze, no espelho d´água do Palácio da Alvorada; "A Justiça", em granito, em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal; na Catedral de Brasília, "Os anjos" e "Os evangelistas". Ceschiatti é também autor do grupo "As gêmeas", em bronze, na cobertura do Palácio Itamarati. Em 1938, viajou à Europa, onde se deteve em especial na Itália, antes de se consagrar à escultura. Estudou na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, em 1940. Ganhou diversas medalhas na divisão moderna do Salão Nacional de Belas-Artes, que o contemplou, em 1945, com o prêmio de viagem ao exterior pelo baixo-relevo do batistério da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte. Colaborador de Oscar Niemeyer, é autor do conjunto residencial Hansa, em Berlim (Alemanha). No Rio de Janeiro, fez as figuras que representam as Forças Armadas no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. Entre 1963 e 1965, ensinou escultura e desenho na Universidade de Brasília.

Simone Ribeiro - Nasceu em São Lourenço (MG), onde mantém desde 1993 seu ateliê. Em 1999, torna-se intensa pesquisadora da cultura e folclore popular brasileiro, com o intuito de levar ao Congresso Nacional, nas comemorações do Brasil 500, a exposição "Artes e Ofícios de Um Povo aos 500 anos", com texto crítico do sociólogo Fernando Batinga ressaltando seu espírito de resistência diante da "nova ordem" imposta pela globalização, que exclui grande parte das populações e atropela seus valores culturais, tradições, e a memória dos povos. De 2000 a 2004, sua produção artística resulta nas exposições: "Meninos do Brasil", "Festa Popular Brasileira", "Mãos que Trabalham, Costumes e Festas na Cultura Brasileira" e "Arte Cidadã". Em 2003, tomando conhecimento do Projeto Estrada Real, mergulha na temática, nas viagens ao circuito, nos registros fotográficos que se materializaram plasticamente nas 40 obras que aqui se apresentam. O nome de Simone Ribeiro consta do Dicionário de Artes Plásticas Brasil, de Julio Louzada, com cotações em diversos estados.

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