| Pronunciamento
do deputado Inácio Arruda (PC do B - CE), realizado no
dia 29 de maio de 2001, por ocasião do término do
ano de comemorações do aniversário de 25
anos da Universidade Estadual do Ceará (UECE). |
Sr. Presidente.
Sras. e Srs. Deputados
Os antecedentes históricos da Universidade Estadual do Ceará
se desenvolvem a partir da criação da Lei nº 9.753,
de 18 de outubro de 1973, que autoriza o Poder Executivo a instituir
a Fundação Educacional do Ceará (FUNEDUCE).
A partir da Resolução
nº 2, de 05 de março de 1975, do Conselho Diretor, referendada
pelo decreto nº 11.233 de 10 de março do mesmo ano, é
criada a UECE, incorporando ao seu patrimônio as Unidades de
Ensino Superior existentes na época: Escola de Administração
do Ceará, Faculdade de Veterinária do Ceará,
Escola de Serviço Social de Fortaleza, Escola de Enfermagem
São Vicente de Paula, Faculdade de Filosofia Dom Aureliano
Matos, Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e
a Televisão Educativa - Canal 5. Com a fusão, as Escolas
são transformadas em cursos de graduação. No
entanto, a Universidade teve sua instalação concretizada
apenas em 1977.
Nos três primeiros anos de funcionamento, a FUNEDUCE foi transformada
em Fundação Estadual do Ceará (FUNECE), por necessidades
administrativas determinadas na Lei nº 10.262, de 18 de maio
de 1979 e Decreto nº 13.252 , de 23 de maio do mesmo ano. Com
a Lei nº 10.877, de 27 de dezembro de 1983, a UECE sofre alterações
em seu Estatuto, passando a ser denominada Fundação
Universidade Estadual do Ceará (UECE), mantida pelo Governo
do Estado do Ceará. Tal aspecto forneceria à instituição
maior grau operacional no ensino, pesquisa e extensão.
A Universidade
Estadual do Ceará surge em pleno regime militar, obedecendo
às diretrizes da Lei de Reforma Universitária, que passa
a ditar novas regras para a academia brasileira. A UECE é criada
para atender às demandas do desenvolvimento do capitalismo
no Estado do Ceará. Produção de mercadorias e
qualificação profissional passam a ser a tônica
da produção do conhecimento. Um saber regionalizado
relacionado ao processo de desenvolvimento das forças produtivas
no Nordeste.
Tal discurso encontrava
ressonância no poder dos "coronéis", instalado
na região e particularmente no Ceará. A criação
de uma universidade, naquele momento, ocorre a partir da importância
da construção de um estado moderno. A UECE passa a ser
entendida como agente de desenvolvimento, ancorada num discurso de
universidade tecnológica. Daí a necessidade que o poder
local apresenta, de controlar social e politicamente tal instituição.
Ao longo de sua
existência, a UECE tem sido um instrumento de poder nas mãos
dos governantes cearenses, que executam uma "política
modernizante" incapaz de travar um debate amplo com a comunidade
acadêmica, refém de um modelo de universidade que não
atende as necessidades do desenvolvimento efetivo de nosso povo e
do nosso estado.
No entanto, é
inegável a contribuição social desta instituição
à sociedade cearense. Vítima do corte de verbas, da
flexibilização das relações trabalhistas,
lançando mão da figura do professor substituto e da
falta de investimentos reais em ensino, pesquisa e extensão,
a Comunidade Acadêmica da UECE tenta, a duras penas, construir,
cotidianamente, ações de desenvolvimento social, político,
econômico e cultural para o Estado do Ceará.
Em Fortaleza,
o Campus do Itaperi e os centros de Humanidades e de Estudos Sociais
Aplicados, abrigam 28 cursos de graduação (incluindo
os cursos de magistério e licenciatura breve, em 92 municípios)
e 75 de pós-graduação (um curso de doutorado,
15 cursos de mestrado, 59 cursos de especialização),
nas áreas de Ciências Humanas, Saúde, Tecnologia
e Administração. No interior a UECE possui cinco faculdades,
um Centro e três Campi Avançados, repercutindo nos municípios
onde as unidades estão instaladas e na abrangência territorial
e cultural que possuem. Ao todo, a comunidade acadêmica da UECE
é formada por cerca de 23.170 mil alunos de graduação
e de pós- graduação, 808 professores efetivos
e 551 técnico-administrativos. Conta com verdadeiros agentes
de resistência frente ao desmonte da educação
superior no Estado do Ceará.
Atualmente, o
governo do Sr. Tasso Jereissati aplica, com maestria, o mencionado
modelo de universidade operacional concebida no bojo do desenvolvimento
capitalista em nosso País e mantido pelo projeto neoliberal
representado, nacionalmente, pelo (des) governo do Sr. Fernando Henrique
Cardoso, que vira as costas para o papel que a Universidade tem como
centro do debate científico. .A UECE, nos dias atuais, corre
os riscos de qualquer instituição social de ensino,
de passar a ser encarada como organização social - fato
que aconteceu em outras importantes instituições nacionais.
Caso realizada, a privatização repercutiria decisivamente
em mais um descaminho nos reais compromissos que a UECE deve travar
com o desenvolvimento efetivo da sociedade cearense.
Faço este
pronunciamento em defesa da Universidade Estadual do Ceará
- dos alunos, professores e funcionários daquela instituição
-, desejando que no futuro próximo possamos ser agentes e testemunhas
de uma real efetivação do potencial de pólo construtor
e irradiador de desenvolvimento que a UECE possui. Saúdo a
comunidade que edifica e mantém a UECE e reafirmo a posição
de defensor incondicional da educação pública
e de qualidade em nosso País.
É o que
tenho a dizer.
Deputado Inácio Arruda
